Comportamento Político

Resumo

Reúne pesquisadores interessados nos processos de formação e mudança nos sistemas de crenças e atitudes políticas dos públicos nas democracias contemporâneas, bem como sobre os padrões de comportamento político (eleitoral e não-eleitoral). Neste sentido, constitui-se como espaço para discussão de pesquisas relacionadas à cultura política, atitudes e preferências políticas, voto e participação política. Apesar de ser um campo de investigação tradicionalmente orientado para estudos empíricos de natureza quantitativa, predominantemente com base em dados de survey e de experimentos, a área do “comportamento político” não se limita a esse aporte metodológico e incentiva o uso de metodologias qualitativas e mistas.

Justificativa

A chamada revolução comportamentalista transformou a prática de pesquisa em ciência política nos anos de 1960. Os avanços metodológicos desde então tem possibilitado grande avanço no campo dos estudos comparativos e ultrapassando os limites das nações industrialmente desenvolvidas, o que possibilitou o acúmulo de informações sobre valores, atitudes e comportamentos políticos dos públicos de nações de todos os continentes. Projetos como World Values Survey (WVS), Latinobarômetro, Latin American Public Opinion Project (LAPOP), Comparative Study of Electoral Systems (CSES), iniciativa da qual faz parte o Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB), dentre outros, têm alimentado um número crescente de investigações em uma agenda cada vez mais plural e dinâmica que podem ser divididas em três eixos fundamentais.

O primeiro deles envolve questões sobre atitudes e valores políticos dos indivíduos, reunidas sob o rótulo tradicional de “cultura política”. Estudos sobre formação e mudança de atitudes, eficácia política subjetiva, adesão à democracia, tolerância política, confiança interpessoal e nas instituições políticas, dentre outros, têm sido conduzidos por um número expressivo de pesquisadores nas últimas décadas.

Um segundo eixo diz respeito ao comportamento eleitoral, em especial o estudo sobre o processo de tomada de decisão e os condicionantes do voto. Essa área pioneira remonta à década de 1940 e ocupa ainda hoje um lugar central nos estudos sobre comportamento político. No eixo gravitacional dos estudos sobre comportamento eleitoral, se desenvolveram um conjunto de áreas auxiliares ao estudo do comportamento político, tais como a comunicação política e efeitos de campanhas eleitorais.

Finalmente, temos os estudos sobre participação política que ultrapassam os limites eleitorais, com destaque para as modalidades de contestação que tem ganhado cada vez mais espaço na agenda de pesquisas em razão da sua presença marcante e relevância política, hoje, nas democracias. É importante destacar que o olhar comportamentalista sobre esses fenômenos é bastante diferente daquele adotado por pesquisadores dos movimentos sociais e outros atores coletivos, já que o foco da análise aqui é o indivíduo.

Ainda que essa agenda já conte com mais de 50 anos de existência no plano internacional, em nosso contexto, o seu desenvolvimento ocorre apenas a partir dos anos 1990, quando os principais projetos internacionais passam a incluir o Brasil em suas sondagens. WVS e Latinobarômetro foram os pioneiros nessa iniciativa e rapidamente foram seguidos pelo Barômetro das Americas (LAPOP) e iniciativas nacionais como o Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB). Hoje temos uma quantidade considerável de dados quantitativos sobre a maioria dos temas relevantes da área e também assistimos a adoção de abordagens metodológicas qualitativas e experimentais. Pesquisadores da área também comumente buscam subsídios teóricos em outras disciplinas como economia, sociologia e psicologia.

A área de Comportamento Político da ABCP pretende ser um “ambiente” para a troca intelectual e formação de parcerias entre profissionais e estudantes envolvidos com essa agenda pujante.