Pensamento Político Brasileiro

Resumo

A área de pensamento político brasileiro deve ser entendido como a história intelectual da ciência política brasileira no sentido largo, abrangendo sua produção científica, mas também ideológica, discursiva e doutrinária. Pertenceriam a essa área temática estudos relativos tanto ao pensamento produzido no curso da história brasileira por políticos, jornalistas e intelectuais, mas também aquela parte da teoria produzida pelas gerações mais antigas de cientistas políticos, julgadas de relevância para o desenvolvimento desta ciência (pensamento politológico brasileiro). Dada a sua vocação interdisciplinar, a área também dialoga com a teoria política, de que pode ser considerada a expressão nacional, e com as manifestações mais amplas do chamado pensamento social no Brasil.

Justificativa

Trata-se de tradicional área de estudos da ciência política brasileira, fundada quando da discussão entre Wanderley Guilherme dos Santos, Hélgio Trindade e Bolívar Lamounier sobre o pensamento autoritário, na década de 1970. Todos estavam de acordo sobre a necessidade de se debruçar sobre o pensamento político brasileiro produzido antes da institucionalização da ciência política no Brasil, acreditando que este era um procedimento indispensável ao seu adequado desenvolvimento. Desde então, muitos politólogos têm dedicado algum momento de sua carreira ao estudo do pensamento político brasileiro, como Maria Teresa Sadek, Aspásia Camargo, Marco Aurélio Nogueira, José Murilo de Carvalho, Gildo Marçal Brandão e Lúcia Lippi. Na década passada, doutorou-se a primeira geração de politólogos dedicada especificamente ao estudo do pensamento político brasileiro, que se encontra hoje espalhada em universidades de todo o país. As linhas de pesquisa criadas ou reforçadas por vários destes professores, uma vez instalados em departamentos e programas de pós-graduação, têm feito crescer expressivamente o número de mestres e doutorandos dedicados a este campo, e consequentemente, o futuro público-alvo de uma eventual área temática. Este aumento da demanda pelo pensamento político brasileiro tem se refletido diretamente no número de submissões ao AT de Teoria Política, onde as propostas desta natureza têm sido recebidas (na ABCP de 2012, elas representaram um terço do total; na ANPOCS de 2012, quase a metade). Do ponto de vista pragmático, pois, trata-se de medida destinada a desafogar o AT de Teoria Política, onde a área se encontra cantonada, e de criar um foro de debates comprometido com a tradição de pesquisa da área de ciência política, haja vista que, no momento, os estudiosos contam somente com aquele de pensamento social no Brasil, existente no âmbito da sociologia (SBS).