Teoria Política

Resumo

A área temática de teoria política constitui um campo da ciência política que reflete sobre distintos aspectos dos fenômenos políticos, recobrindo abordagens que vão desde a fundamentação e justificação normativas até análises empírico-descritivas das múltiplas institucionalidades políticas, passando pela história do pensamento político bem como das ideias políticas ou ainda pela abordagem das ideologias políticas. Constitui por isso um campo disciplinar que apresenta pontos de contato com inúmeras disciplinas, o que o torna, por definição, um ramo do saber plural e multifacetado. Não obstante, seu repertório analítico e conceitual cumpre importante papel no sentido de informar as ciências sociais, em geral, e a ciência política e seus ramos, em particular, oferecendo-lhes posições rigorosamente fundamentadas e/ou instrumentos analíticos que lhes permitem lidar com temas centrais a muitos dos fenômenos políticos, desde noções clássicas como as de poder, Estado, legitimidade, justiça, cidadania, direitos e democracia até problemas contemporâneos como as questões de gênero e raça, globalização, cosmopolitismo, entre tantos outros assuntos de relevo.

Justificativa

Parte integrante da estrutura temática dos encontros da ABCP desde a sua fundação, a área de teoria política constitui hoje um campo disciplinar próprio, atravessado por enorme pluralidade. A teoria política pode ser caracterizada como uma conjugação de diferentes práticas e modos de pensamento. Sua definição tem sido incansavelmente disputada, o que contribui fortemente para o seu refinamento e sofisticação, de um lado, mas também exige de suas e seus praticantes, de outro lado, o respeito à multiplicidade de vocabulários existentes bem como a disposição para a “tradução”. A possibilidade de um consenso racional acerca dos múltiplos valores – muitos deles, irredutíveis – formulados por republicanos, comunitaristas, liberais, feministas, pós-estruturalistas, teóricas e teóricos críticos, etc. é, como sabemos, impossível. Numa era em que o pluralismo epistêmico é cada vez mais assumido como um valor definidor das práticas acadêmicas, as teorias políticas contemporâneas – das mais diferentes tradições e matizes – não apenas convivem em um espaço de diversidade como também parecem incorporar tal pluralidade à sua autocompreensão. Esse movimento permite que teorias perfeitamente coerentes, empiricamente embasadas e razoáveis em suas demandas e consequências, convivam em um espaço de razões, tornando mais rica e mais humana a prática científica e o avanço da produção de conhecimento.