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Comunicação política e opinião pública

Resumo

De modo geral, focaliza as questões teóricas e empíricas decorrentes da relação política fundamental entre mídia e democracia. Acolhe estudos nas várias interfaces entre comunicação e política, abrangendo, entre outros temas: Comunicação estratégica e campanha eleitoral; Comunicação institucional e imagem pública; Opinião pública e comportamento político; Jornalismo político; Tecnologias da comunicação e política.

Justificativa

Os estudos na interface entre comunicação e política vêm ganhando, na área de Ciência Política, espaço compatível com a importância crescente da comunicação para os vários aspectos da política. Afinal, é difícil pensar, hoje, os temas clássicos da disciplina – partidos políticos, relação entre poderes, entre Estado e cidadãos, entre nações, cultura política e opinião pública, representação e deliberação, por exemplo – sem encontrar implicações para os estudiosos da comunicação política. Esta AT procura trazer este debate atual, essencialmente interdisciplinar, para dialogar com a área, congregando número significativo de pesquisadores sediados em diversos Programas do país, em CP e em áreas afins. Criada em 2008 sob coordenação de Marcus Figueiredo, a AT veio atender à demanda deste grupo, já institucionalizado em outros fóruns como a ANPOCS e COMPÓS, e que cresce com a incorporação de novos pesquisadores discentes e professores doutores, como demonstra a procura nos Encontros da ABCP desde a fundação da AT.

SAT 13 | Comunicação política e Imagem pública

terça-feira, 5 de Agosto de 2014 - 14:15

Coordenadores

Pedro Mundim (UFG - Universidade Federal de Goiás)

Debatedores

Vera Chaia (PUC-SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)

Apresentações

Atuação parlamentar virtual: as estratégias dos deputados federais em seus websites

Análise das estratégias de comunicação política realizadas pelos deputados brasileiros por meio da internet. O estudo avalia diferentes aspectos dos sites dos parlamentares: periodicidade e regularidade da atualização, uso de recursos multimídia e de interação com o público e para o debate de ideias e propostas legislativas. A coleta de dados foi realizada em janeiro de 2013. As conclusões mostram que os deputados utilizam os sites (89% possuem e atualizam semanalmente) como estratégia de visibilidade e accountability, além de estratégia de propaganda com vistas à conexão eleitoral. Pouquíssimos, entretanto, oferecem recursos para participação política em forma de debate com os cidadãos, ou seja, a maioria deles não utiliza os sites como espaço de interação e participação política, apenas como divulgação do mandato parlamentar, promoção de sua imagem e busca de visibilidade pública.

Rodrigo Albuquerque
Cristiane Brum Bernardes
Difusão da política de acesso à informação e promoção da accountability: uma análise dos portais de acesso à informação nos municípios do Estado de Minas Gerais

O objetivo central deste trabalho é compreender o processo de difusão da política de transparência e acesso à informação no Estado brasileiro, a partir da Lei de Acesso à Informação Pública (Lei 12527/2011). Analisaremos o caso dos municípios do Estado de Minas Gerais, compreendendo o efeito dos fatores estruturais, institucionais e participativos dos municípios na consecução dos Portais de Transparência. Argumentamos que os portais de transparência representam uma ferramenta central para a construção da publicidade e da inclusão nas democracias, bem como de instrumentos de governança democrática. Os portais de acesso à informação representam instrumentos para a consolidação do princípio da liberdade de informação nas democracias, além de possibilitar a consecução da accountability democrática. Porém, essa capacidade de fomento da accountability depende do processo de implementação da política de acesso à informação. A análise do processo de implementação dos Portais de Transparência possibilita compreender o processo de consecução da accountability no Brasil. O resultado esperado dessa pesquisa é compreender os desafios para a implementação dos Portais de Transparência e para a Política de Transparência do Estado brasileiro.

Fernando Filgueiras
O Zé Lador da cidade: Uma criatura jornalística e sua influência na administração municipal

O trabalho proposto traz os resultados de pesquisa que analisa a interferência de um jornal popular carioca, o Extra, na agenda da prefeitura do Rio de Janeiro entre 2009 e 2013, a partir da criação de um personagem, o boneco cidadão, pelo jornal. Serão analisadas as estratégias usadas pelo jornal para interferir e pressionar a adequação da agenda da prefeitura local a sua intermediação das demandas da comunidade. Neste sentido, o jornal se coloca num lugar de poder, enquanto representante e porta voz da cidade, especialmente sua população mais carente. A pesquisa discutirá de que forma foi ampliada a área de atuação do boneco cidadão, a partir da evolução do personagem (João Buracão, Zé Lixão e Zé Lador) e como se construiu a relação com as autoridades e com a comunidade, que o reconhece como seu interlocutor, usando os canais convencionais de um jornal impresso (cartas de leitores, telefonemas) e a internet (email para o jornal/boneco e posts no blog do boneco).

Alessandra Aldé

SAT 28 | Comunicação política e sociedade civil

terça-feira, 5 de Agosto de 2014 - 16:30

Coordenadores

Pedro Mundim (UFG - Universidade Federal de Goiás)

Debatedores

Alessandra Aldé (UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Apresentações

“Não me representam”: as lideranças políticas e as Jornadas de Junho

A proposta de comunicação apresentará os resultados parciais da pesquisa desenvolvida junto ao Projeto Temático: Lideranças Políticas no Brasil: características e questões institucionais, realizada pelo NEAMP(Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política do Programa de Estudos Pós-graduados em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – Brasil).

O objetivo é apresentar os resultados do estudo sobre o debate a respeito do papel das lideranças políticas realizado nas páginas do Facebook Passe Livre São Paulo, Anonymous Brasil, Partido Pirata Brasil, Ocuppy Brasil e Mobilizados durante as Jornadas de Junho, ocorridas no Brasil em 2013.

Para tanto analisaremos as postagens veiculadas nas páginas supracitadas ao longo desse mês a partir dos seguintes temas que emergiram nesse debate tendo em vista compreender os tipos de discurso presentes neste heterogêneo movimento:

  1. partidos políticos;
  2. liderança (des)centralizada;
  3. representação;
  4. uso da violência;
  5. produção de informação; e
  6. livre circulação na cidade.
Rosemary Segurado
Natasha Bachini
Pedro Abrahão Lameirinhas Malina

SAT 43 | Estratégias de campanha e linguagem midiática

quarta-feira, 6 de Agosto de 2014 - 14:15

Coordenadores

Pedro Santos Mundim (UFG - Universidade Federal de Goiás)

Debatedores

Vera Chaia (PUC-SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)

Apresentações

Duelo Entre Candidatos Poste: a campanha eleitoral pela prefeitura de Fortaleza em 2012

O principal fato político a ser destacado na campanha eleitoral pela prefeitura de Fortaleza em 2012 foi o rompimento entre o PSB do Governador Cid Gomes e o PT de Luizianne Lins, com implicações significativas sobre a política estadual no qual vicejava um situacionismo verticalizado envolvendo os níveis do governo Federal, Estadual e prefeitura da capital. Neste texto, analisamos a disputa entre as lideranças do governador e da prefeita que na busca de impor sua hegemonia no campo político cearense transformaram a campanha para a prefeitura da capital em um confronto que se travou não entre os próprios candidatos, mas entre as imagens dos patronos de suas candidaturas. Os candidatos, Elmano Freitas e Roberto Cláudio, que chegaram ao segundo turno, enquadravam-se na categoria de “postes”, termo cunhado pela imprensa e utilizado por analistas políticos para reportar-se a um fenômeno que tem se tornado frequente na política brasileira: a indicação por lideranças políticas já estabelecidas de candidatos desconhecidos do eleitorado para disputa de postos no poder executivo por serem considerados depositários da sua confiança pessoal e que funcionam como uma espécie de teste do prestígio e o capital político dos seus patronos.

Rejane Vasconcelos Accioly de Carvalho
Monalisa Soares Lopes
Internet, estratégias de campanha e eleições majoritárias em 2012: padrões e diferenças no uso dos websites pelos candidatos

Este paper pretende discutir os padrões e diferenças no uso que os candidatos a prefeito fizeram da internet, mais especificamente de seus websites, durante a campanha eleitoral de 2012, no Brasil, considerando dois aspectos: a tematização e as estratégias de discurso. Para observar se existe ou não algum padrão de uso, assim como as diferenças entre candidatos quanto à apropriação do novo espaço de campanha, optou-se aqui por apresentar uma análise comparativa considerando os principais candidatos a prefeito de três capitais: Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. A pesquisa utiliza a metodologia quantitativa de análise de conteúdo para o tratamento dos dados a serem analisados. A coleta do material foi realizada durante o período eleitoral para o primeiro turno das eleições de 2012 – de julho a outubro. O foco da análise é o conteúdo disponibilizado diariamente pelos candidatos e suas assessorias neste espaço de campanha. No que diz respeito à análise das estratégias, os primeiros resultados indicam que na internet duas estratégias se sobressaem para quase todos os candidatos: agenda de campanha e proposição de políticas públicas.

Michele Goulart Massuchin
Camilla Quesada Tavares
Campanhas eleitorais pós-web: o lugar dos websites nas eleições 2012

Este trabalho discutirá o papel e importância que os websites tiveram como ferramenta estratégica de campanhas eleitorais online nas eleições 2012, em Natal/RN. Desde o surgimento da internet, as campanhas passaram por fases como a proto-web, web e, atualmente, a pós-web, que privilegia as redes sociais. No entanto, os websites continuam sendo utilizados amplamente nas eleições, em que os websites atuam em convergência, numa perspectiva complementar em relação a outras mídias utilizadas na campanha.

Maria Aparecida Ramos da Silva

SAT 59 | Imprensa e viés político na cobertura eleitoral

quarta-feira, 6 de Agosto de 2014 - 16:30

Coordenadores

Alessandra Aldé (UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Debatedores

Fernando Lattman-Weltman (Instituto de Ciências Sociais - UERJ)

Apresentações

"Media Bias" ou Por que o Noticiário Político é Parcial e Adversário

O trabalho pretende revisar e discutir a literatura internacional sobre o fenômeno do "media bias". Pergunte às pessoas se elas acham o noticiário tendencioso e a resposta predominante vai ser afirmativa. E o será em toda a parte do mundo, mesmo naqueles lugares que todo mundo concorda que os meios de comunicação funcionam em favor da democracia: as pessoas tendem a qualificar o “bias” como distorção adversária – não é que os meios tenham, para a maioria de nós, as suas inclinações; na verdade, o sentimento mais difuso é que os meios de comunicação sejam, na verdade, tendenciosos. A pergunta mais conseqüente, depois do registro da disseminação desta sensação, é saber se ela tem fundamento na realidade. É mesmo verdade que a maior parte dos noticiários, dos veículos e das matérias seja tendenciosa? A sensação de que o noticiário é distorcido poderia ter alguma outra origem além do fato simples e puro de que o noticiário é predominantemente tendencioso?

Wilson Gomes
O Viés da cobertura política da imprensa nas eleições presidenciais brasileiras de 2002, 2006 e 2010

O objetivo deste artigo é analisar o viés da cobertura política da imprensa nas eleições presidenciais brasileiras. Utilizarei os dados de uma análise de conteúdo de três grandes jornais, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo, nas disputas de 2002, 2006 e 2010. Como primeira hipótese, avalio se o espaço concedido aos candidatos nos jornais estaria em desacordo com sua importância política ou sua posição na disputa eleitoral. Mas como esses critérios não garantem, necessariamente, um equilíbrio na cobertura, a segunda hipótese avalia se existe diferença estatisticamente significativa na cobertura realizada pelos jornais, a partir de um índice de viés de cobertura anti-PT. Os testes estatísticos utilizados foram: causalidade de Granger, ANOVA e HSD de Tukey. Embora exista viés na cobertura da imprensa, as análises mostraram que os três jornais seguiram critérios de noticiabilidade aceitáveis; apresentaram coberturas mais diferentes do que semelhantes; e que uns foram mais críticos do que outros. Esses posicionamentos não se justificam apenas do ponto de vista ideológico, mas também de mercado.

Pedro Santos Mundim
A Grande Mídia e a Sucessão Presidencial: a Cobertura jornalística das Eleições de 2010

O presente trabalho se inscreve nessa tradição dos estudos da relação entre mídia e política em contextos eleitorais. Estudamos a cobertura eleitoral de 2010 no jornalismo impresso (Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de São Paulo). Pretendemos dar cabo de três objetivos: estudo de valência da cobertura; análise do uso de escândalos; e análise do uso de voz direta. Os textos do bando de dados, formado por todos os textos publicados pelos três jornais durante o período eleitoral, foram codificados quanto a sua valência e quanto a presença ou não de escândalos e de voz direta. Focamos o tratamento dispensado aos três candidatos mais votados (Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV)), a seus partidos e, a Lula e Fernando Henrique Cardoso, personagens importantes nas campanhas dos candidatos de seus partidos. Os resultados preliminares mostram que a cobertura jornalística não apresentou um caráter diretamente favorável a qualquer um dos candidatos, mas sim buscou ser combativa. Contanto, essa combatividade foi distribuída de maneira muito desproporcional, visando majoritariamente a candidatura de Dilma Rousseff ante as demais.

João Feres Júnior
Eduardo de Figueiredo Santos Barbabela e Oliveira
Lorena Marina dos Santos Miguel

SAT 73 | Mídia e comportamento político-eleitoral

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014 - 14:15

Coordenadores

Vera Chaia (PUC-SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)

Debatedores

Marcia Ribeiro Dias (PUCRS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)

Apresentações

Estudo Brasileiro de Mídia: Um panorama dos hábitos de uso e consumo dos meios de comunicação pela população brasileira

O paper tem o objetivo de apresentar resultados recentes de pesquisas de opinião sobre uso de mídia no Brasil. Em novembro de 2013, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República do Brasil concluiu a mais abrangente pesquisa sobre hábitos de uso dos meios de comunicação pela população brasileira com 16 anos de idade ou mais. Foram entrevistados 18.300 indivíduos, com amostras representativas para todo o País e para cada uma das 27 Unidades da Federação, compondo o retrato mais representativo até aqui da audiência brasileira aos meios de comunicação. O questionário cobriu aspectos gerais sobre preferências e padrões de uso de diferentes meios (TV, rádio, internet, jornais e revistas), posse de equipamentos (conexão doméstica à internet e TV paga, por exemplo) e preferência por diferentes veículos (programas de TV, estações de rádio, sites, blogs, redes sociais e títulos de jornais e revistas), entre outros temas. A principal questão aqui é: como se dá o consumo de mídia atualmente no Brasil? Este trabalho tem, portanto, um caráter descritivo e exploratório.

Wladimir Gramacho
Estudo Brasileiro de Mídia: Avaliação de governo e o consumo de mídia

Em novembro de 2013, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República do Brasil concluiu a mais abrangente pesquisa sobre hábitos de uso dos meios de comunicação pela população brasileira com 16 anos de idade ou mais. Foram entrevistados 18.300 indivíduos, com amostras representativas para todo o País e para cada uma das 27 Unidades da Federação, compondo o retrato mais representativo até aqui da audiência brasileira aos meios de comunicação. O questionário cobriu aspectos gerais sobre preferências e padrões de uso de diferentes meios (TV, rádio, internet, jornais e revistas), posse de equipamentos (conexão doméstica à internet e TV paga, por exemplo) e preferência por diferentes veículos (programas de TV, estações de rádio, sites, blogs, redes sociais e títulos de jornais e revistas), entre outros temas. O objetivo deste paper é discutir parte deste survey, que explorará diferentes aspectos dessa pesquisa. Pretende-se neste verificar em que medida o consumo de notícias, a atenção política, os hábitos de informação e a exposição a programas de naturezas distintas podem ter efeitos ou mesmo ser um componente importante para alterar a avaliação de governo. A análise utilizará dados do Estudo Brasileiro de Mídia.

Helcimara de Souza Telles
Érica Anita Baptista Silva
Thiago Sampaio
Tempo de Televisão e Voto nas Eleições Brasileiras

Este trabalho tem como objetivo investigar a influência que o tempo de propaganda no rádio e na televisão exerce sobre a votação dos candidatos aos cargos majoritários no Brasil. O tema, embora motivo de atenção da imprensa e das estratégias partidárias, é praticamente negligenciado como objeto de estudos entre pesquisadores brasileiros. A revisão da literatura mostra que o principal foco de investigação são as estratégias retóricas dos candidatos no âmbito do HGPE e pouca atenção tem sido dada para medir o impacto que o tempo de propaganda exerce sobre o voto. A pergunta é: até que ponto pode se atribuir à votação de um candidato a quantidade de tempo a que teve direito numa eleição? Para responder essa questão, são esse estudo se propõe a investigar as campanhas para os cargos de prefeito de capital, governador e presidente disputadas entre 2002 e 2012 de 1103 candidatos. A força do tempo de televisão sobre o voto pode ser observada na relação que existe entre o posicionamento dos candidatos no ranking de magnitude do tempo de propaganda e a sua colocação ao final do primeiro turno. Os candidatos que iniciam a campanha com o maior tempo de propaganda terminam o primeiro turno o mais votado em 57% dos casos.

Felipe Borba

SAT 87 | Mídia e eleições presidenciais

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014 - 16:30

Coordenadores

Alessandra Aldé (UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Debatedores

Wilson Gomes (UFBA - Universidade Federal da Bahia)

Apresentações

Debates presidenciais na TV como dispositivos complementares de informação política no Brasil: Características e estratégias

Este trabalho tem como objetivo discutir o papel dos debates presidenciais na TV como fonte de informação política no Brasil. Diferentemente da literatura americana, que considera que os debates têm papel central naquele país, este trabalho defende que, no Brasil, esses acontecimentos têm uma função complementar na distribuição e circulação de informação política. A existência do HPGE e da propaganda política, bem o tipo de estratégia de comunicação adotada pelos candidatos nos debates, seriam as principais razões dessa hipótese. No primeiro caso, pela baixa audiência dos debates, já que dispomos de outros dispositivos de informação, no segundo, pela capacidade de os debates e o desempenho dos candidatos virarem tema na imprensa e de conversa entre os eleitores.

Fábio Vasconcellos
Mídia e eleições presidenciais no Brasil hoje: por que não se fazem mais presidentes como antes?

Há vinte anos eu e muitos colegas apostávamos que a imprensa podia fazer e desfazer presidentes. Naquele momento, tínhamos acabado de acompanhar e estudar a ascensão e queda fulminantes de Fernando Collor de Mello. Hoje, não creio mais terem a imprensa e a mídia tais prerrogativas.
O que mudou? É o que procuraremos mostrar aqui, reavaliando nossos argumentos e pressupostos de vinte anos atrás, e justificando porque embora sigamos confiando no diagnóstico que fizemos outrora sobre o destino de Collor, passamos a compreender todo o processo de outra forma e com outros pressupostos e consequências. Nesse sentido, apresentaremos aqui nossa teoria geral de influência política midiática na democracia, e em seguida passaremos a breve análise das conjunturas eleitorais presidenciais do último quarto de século democrático: de 1989 a 2010.
O objetivo será mostrar como a bem sucedida institucionalização política brasileira contemporânea e a paradoxal, porém efetiva, despolarização partidária de nossa agenda atual reduziram drasticamente a influência eleitoral dos nossos principais meios de comunicação.

Fernando Lattman-Weltman
Campanha dialógica, pseudo-dialógica ou um "diálogo de surdos": uma proposta teórico-metodológica de análise das candidaturas presidenciais no Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral

As escolhas democráticas pressupõem informações mútuas entre candidatos e eleitores. As campanhas eleitorais são fonte de informação acerca das candidaturas disponíveis e de discussão acerca das demandas sociais mais relevantes. A qualidade das campanhas afeta, portanto, a qualidade da democracia. Uma campanha democrática requer discussão pública ampla e livre como condição para informar os eleitores suficientemente para o voto. Neste contexto, o diálogo aparece como critério qualificador, ou seja, seria um critério mínimo para a construção de um discurso racional em campanha. Neste artigo pretendo elaborar uma proposta teórico-metodológica a fim de investigar através do Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) a medida do diálogo que poderá ser verificada na campanha presidencial brasileira de 2014. O objetivo central será identificar: quem dialoga, em que circunstâncias e com que propósitos? Pretendo, portanto, construir um modelo analítico que permita identificar quando cada candidato respondeu a um tema proposto por seu adversário no HGPE e o tipo de resposta obtida. Pretendo, então, produzir um diagnóstico da democracia eleitoral brasileira à luz de seu potencial para o diálogo.

Marcia Ribeiro Dias