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Ensino e pesquisa em Ciência Política e Relações Internacionais

Resumo

A Área Temática de Ensino e Pesquisa em Ciência Política e Relações Internacionais tem como objetivo fomentar e estimular a reflexão sobre a docência e a pesquisa e seus diferentes métodos e abordagens como parte integrante e necessária da atividade acadêmica.  Trabalhos que discutam a docência com suas dinâmicas e atividades em sala de aula, a integração entre os diferentes níveis de ensino, estágio docência e iniciação à pesquisa, bem como trabalhos que analisem o desenvolvimento de métodos e metodologias de pesquisa buscando avançar  a reflexão sobre temas da Ciência Política e das Relações Internacionais são bem vindos na AT.

Justificativa

O debate sobre Ensino e Pesquisa em Ciência Política e de Relações Internacionais há tempos já é uma realidade em diversas associações científicas internacionais, tais como a International Political Science Association (IPSA), American Political Science Association (APSA), International Studies Association (ISA) e a European Political Science Network (EpsNet), para citar apenas algumas.  Nestes fóruns, são levantadas questões diretamente voltadas para as atividades em sala de aula, tais como técnicas e metodologias de ensino, conteúdos programáticos, sistemas de avaliação; outras se voltam para a formação profissional do Cientista Político e do Internacionalista como docente e como pesquisador; outras, ainda, sobre o trabalho de pesquisa, fontes, metodologias, estratégias de financiamento, bem como sobre a divulgação dessas pesquisas seja por meio de periódicos científicos, sítios na internet e blogs. No Brasil, embora a temática já fosse objeto de recorrente discussão entre os pares e em que pese a expansão dos cursos de Ciência Política e Relações Internacionais no país – seja em nível de Graduação ou Pós-Graduação -, era notória a inexistência de fóruns apropriados para intercâmbio de experiências e divulgação de propostas sobre o assunto. Desde sua criação, a AT de Ensino e Pesquisa em CP e RI tem procurado suprir a comunidade acadêmica com ferramentas e reflexões sobre a formação de novos profissionais de ensino e pesquisa, discutindo mecanismos que estimulem a oferta de profissionais com um mínimo de experiência em docência e com maturidade intelectual indispensável para o exercício das atividades de pesquisa, assim como com conhecimento essencial sobre os instrumentos necessários para a tarefa de apresentação de projetos e outras iniciativas que, por sua vez, possam absorver o corpo discente em acelerado crescimento. Além disso, a AT busca por meio dos trabalhos apresentados para debate promover uma reflexão coletiva sobre temas como programas de curso, estrutura curricular, formação e treinamento docente, experiências exemplares na formação e ensino, absorção de novos doutores, linhas de pesquisa, e integração do ensino com o contexto sócio-econômico, colaborando para uma reflexão mais ampla e aprofundada sobre o estado atual das artes do ensino e pesquisa em Ciência Política e Relações Internacionais no âmbito da preocupação sobre a função social do conhecimento. 

SAT 16 | A produção em Ciência Política

terça-feira, 5 de Agosto de 2014 - 16:30

Coordenadores

Maria Hermínia Tavares de Almeida

Debatedores

Maria Hermínia Tavares de Almeida

Apresentações

A América Latina na Ciência Política brasileira: pesquisa e produção de conhecimento sobre os países latino-americanos

 A Ciência Política brasileira tem estudado uma série de temas, com foco no próprio país ou nas suas unidades subnacionais. As pesquisas de abrangência latino-americana ainda parecem ser incipientes. Este trabalho trata do campo de estudos sobre a América Latina na Ciência Política brasileira, ou seja, a produção dos que atuam nessa disciplina no país sobre distintos temas que tenham em comum a América Latina ou um, desde que não o Brasil, ou mais países da região como objeto. A ressalva ao Brasil significa que um estudo sobre o país feito por um profissional da Ciência Política nacional não pode ser parte do que se produz no Brasil sobre a América Latina, a não ser que se trabalhe com ao menos um segundo caso. Os dados são levantados em bases de CAPES e CNPq e em periódicos selecionados. Nota-se um avanço na produção sobre a América Latina na Ciência Política brasileira, mas o volume ainda está aquém do necessário para um país que busca aprofundar sua inserção na região. Uma explicação são as dificuldades de consolidação da Ciência Política no Brasil, tanto na difusão do uso de ferramentas metodológicas que permitam incorporar um maior número de casos aos estudos como no financiamento disponível para esse tipo de pesquisa.

João Carlos Amoroso Botelho
João Pedro Tavares Damasceno
Pluralismo ou Dogmatismo? Os Paradigmas e Métodos Predominantes nas Revistas da American Political Science Review

Neste trabalho analisamos a evolução dos métodos e paradigmas privilegiados pela American Political Science Review [APSR] em duas de suas principais publicações: American Political Science Review [APSR] e Perspectives on Politics [PoP]. Nosso objetivo é avaliar se seu perfil editorial privilegia um único paradigma ou se é aberto a alguma pluralidade de abordagens. Para isso, a análise classifica cerca de 1500 artigos, de acordo com o paradigma [comportamentalismo ou neo-institucionalismo], com as escolas de cada paradigma e com os métodos adotados, no período de 1980 a 2012. Os achados empíricos mostram que, ao contrário do que afirma a literatura de história da Ciência Política, o neo-institucionalismo não é um paradigma hegemônico, pois há certo pluralismo nas publicações. Por outro lado, o dogmatismo se manifesta nos métodos, privilegiando-se a quantificação. Concluímos com a interpretação de que, diante das rebeliões contra a “ditadura do método”, a APSA parece investir na estratégia da ambiguidade. Enquanto a APSR mantem o dogmatismo dos métodos quantitativos, a PoP abre espaço para o pluralismo metodológico, reduzindo, portanto, o conflito no interior da comunidade.

Paulo Peres
Enzo Lenine Nunes Batista Oliveira Lima
Melina Mörschbächer
Mapeando a produção acadêmica da Ciência Política brasileira: os trabalhos apresentados no Encontro da ABCP (2008-2012)

Este trabalho insere-se no esforço da ABCP em produzir uma história da Ciência Política brasileira. O objeto são os trabalhos apresentados nos três últimos encontros da ABCP, 2008, 2010 e 2012. Testa-se a seguinte hipótese: a produção organiza-se em função de duas oposições fundamentais: (i) trabalhos que estudam a política institucionalizada ou fenômenos políticos externos a ela; (ii) trabalhos empiricamente ou teoricamente orientados. Para testar a hipótese, elabora-se um mapa da produção usando-se análise de correspondência multivariada. As posições identificadas nos mapas são transpostas em dois contínuos, "politicismo-societalismo" e "empirismo-teoricismo". Os resultados vão de encontro aos de estudo anterior, no qual analisou-se artigos de periódicos.

Fernando Baptista Leite
A Produção da Ciência Política Brasileira: Uma Análise dos Artigos Acadêmicos (1966-2013)

A ciência política brasileira é uma disciplina consolidada, contando com dezenas de programas de pós-graduação e centros de pesquisa, bem como com inúmeros profissionais que atuam nas mais diversas áreas. No entanto, a despeito dessa longa trajetória, que já conta com quase cinquenta anos, são poucos os trabalhos que buscam dimensionar as características da disciplina no país. Para contribuir com a agenda de pesquisa desse campo disciplinar, o objetivo da pesquisa é avaliar a produção da ciência política no Brasil, desde a fase da sua institucionalização como disciplina acadêmica – que ocorreu a partir da criação dos primeiros programas de pós-graduação, nos anos 1960 – até os dias atuais. O objetivo é investigar quais problemas empíricos foram objetos de estudo, bem como quais orientações teóricas e metodológicas guiaram esses estudos ao longo do seu desenvolvimento. Para tal, as unidades de análise serão os artigos publicados em seis das principais revistas de ciências sociais do Brasil (BPSR; Dados; Lua Nova; Novos Estudos, Opinião Pública e RBCS), entre os anos de 1966 a 2013.

Lilian Oliveira
Jairo Nicolau

SAT 31 | Desafios para o Ensino de Ciência Política e Relações Internacionais

quarta-feira, 6 de Agosto de 2014 - 14:15

Coordenadores

Marcelo Mello Valença

Debatedores

Rogerio Bastos Arantes (USP - Universidade de São Paulo)

Apresentações

Educação para os direitos humanos: o papel do teatro na formação do internacionalista

O artigo relata duas experiências de uso do teatro como ferramenta de educação para os direitos humanos em cursos de Relações Internacionais, nas Universidades Federal de Santa Catarina (UFSC) e de São Paulo (USP). Descreve as atividades de preparação dos eventos e enuncia seus aspectos mais importantes, além de apresentar resultados de pesquisa empírica de avaliação discente. Pressupõe que a educação para os direitos humanos é um componente imprescindível na formação do internacionalista, ultrapassando os objetivos da formação técnica. Os objetivos do artigos são: demarcar a diferença entre as atividades desenvolvidas no âmbito da “modelagem” e dos clubes de simulações, e outras experiências de encenação que não são voltadas à reprodução da liturgia das negociações, mas sim ao desenvolvimento do senso crítico; e demonstrar como o uso do teatro pode contribuir para a formação do internacionalista. O resultado é uma avaliação positiva das atividades, pois geram vivências e recursos que permitem aos envolvidos aumentar o número e a qualidade de seus registros expressivos e comunicativos, enriquecendo e aperfeiçoando sua visão do mundo real, e oferecendo uma oportunidade de aprendizagem integral, no plano íntimo e coletivo.

Deisy de Freitas Lima Ventura
Clarissa Franzoi Dri
A compreensão e a produção do conhecimento teórico pelo aluno de Relações Internacionais no contexto brasileiro

O artigo investiga a produção e a aprendizagem de conhecimento teórico em Relações Internacionais (RI) no contexto brasileiro com foco no ensino de disciplinas teóricas na graduação de RI. Um dos maiores problemas enfrentados pelos professores universitários é a dificuldade dos alunos em escrever textos acadêmicos. A experiência de sala de aula aponta que parte desses problemas estão estreitamente relacionados a uma semelhante falta de habilidade para ler textos acadêmicos teóricos, especialmente no que se refere à compreensão das relações entre os argumentos e sua importância para o desenvolvimento das teorias científicas. Tal situação é agravada pelas características das disciplinas teóricas em RI, cujas teorias tradicionais ainda ocupam espaço privilegiado nos currículos. Nota-se que essas abordagens não tratam de tópicos relacionados ao contexto em que os estudantes brasileiros estão situados. Logo, não contribuem para estimular a análise crítica dos alunos, que tendem a reproduzir os conceitos estudados. A partir de um marco teórico com base nas ciências cognitivistas e da pedagogia crítica, o artigo busca mapear a compreensão dos graduandos dos conceitos teóricos e estimular a abertura a espaços críticos de pensamento

Ivi Vasconcelos Elias
Fabiana Esteves Neves
Desafios ao ensino de Teoria de Relações Internacionais no Brasil

 A presente proposta tem como objetivo discutir o ensino da disciplina “Teoria de Relações Internacionais” (TRI), bem como suas variantes, nos cursos de graduação em Relações Internacionais (RI) no Brasil. Quer-se fazer um levantamento dos métodos e técnicas de ensino da disciplina e, sobretudo, dos desafios inerentes ao debate teórico de um campo relativamente novo no país – inclusive em termos de produção acadêmica especializada. A pesquisa será construída a partir dois eixos: (1) análise do ementário e das escolhas de leitura realizadas pelos cursos, bem como a divisão do conteúdo em módulos ou disciplinas separadas (Teoria I e II, por exemplo); (2) análise do processo de ensino-aprendizagem de TRI, a partir de questionários enviados a coordenadores e docentes de cursos de graduação em RI. A expectativa desta pesquisa de natureza exploratório-analítica é dupla. Busca-se, por um lado, mapear e organizar os conteúdos e práticas que sustentam o ensino de TRI no Brasil em nível de graduação. Por outro, deseja-se construir um repertório de boas práticas que garantam a qualidade do processo de ensino-aprendizagem relativos aos conteúdos centrais do curso de Relações Internacionais no Brasil.

Guilherme Stolle Paixão e Casarões
Fernanda Petená Magnotta
Novas experiências com o ensino de métodos em Ciência Política baseado em atividades

No ano letivo de 2013, na Universidade de São Paulo, implantou-se um novo modelo de ensino de Métodos e Técnicas de Pesquisa em Ciência Política para alunos de graduação: 44 estudantes participaram da experiência, que seguiu intensivamente um modelo de aprendizado baseado na realização de atividades (“activity-based learning”), em substituição ao modelo tradicional de “aula-seminário”. O presente artigo apresenta os objetivos, a metodologia e os resultados dessa primeira experiência, que também envolveu estudantes de pós-graduação como parte de sua formação para a carreira docente.

Lorena Barberia
Danilo Praxedes Barboza
Guilherme Jardim Duarte
José Radamés Marques Miguel dos Anjos
Samuel Ralize de Godoy
Trabalhando a Ciência Política em sala de aula: recursos didáticos e metodológicos

A questão das metodologias de ensino na área da Ciência Política há tempos é abordada pela legislação que regula o ensino de licenciatura em Ciências Sociais no Brasil. Dessa forma, o presente trabalho é uma tentativa de buscar alternativas metodológicas para o ensino de conteúdos da área de Ciência Política, que visam abordar conceitos chave como democracia, participação política, representação política e cidadania em sala de aula. A partir do conceito de transposição didática sugere-se a análise de músicas que possuem em suas letras temas relacionados às questões políticas e sociais no Brasil no contexto de redemocratização política após a ditadura civil-militar de 1964. Esse recurso didático e metodológico possibilita que o professor sensibilize o aluno e viabilize o aprendizado, que pode ser entendido como o processo de transformação de um saber a ensinar em um objeto de ensino. Em outras palavras, é o conhecimento científico transposto em conhecimento escolar.

Naiara Dal Molin
Marcelo Pinheiro Cigales
Direitos humanos no curso de Relações Internacionais: “mas, pra quê”?

Embora tenha se comprometido com quase todos os tratados internacionais de direitos humanos, o Brasil possui índices alarmantes de violações destes direitos. A obrigatoriedade do ensino de direitos humanos nos currículos brasileiros ainda desconsidera a educação superior. A literatura brasileira área se divide entre análises jurídicas e estudos politicamente orientados. Argumentamos que nenhuma dessas vertentes está adequada ao ensino e pesquisa em Relações Internacionais. O objetivo deste artigo consiste em apresentar uma proposta de ensino temático de direitos humanos a graduação em Relações Internacionais, contemplando conteúdos programáticos, técnicas e metodologias de ensino, sistemas de avaliação, integração entre os níveis de ensino (ensino médio, superior e pós-graduação) e pesquisa. Esta proposta será ilustrada a partir da experiência desenvolvida no curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia,, após a criação do grupo de estudos “Observatório do Sistema Interamericano de Direitos Humanos”. A partir da apresentação da proposta de ensino e do relato da experiência esperamos contribuir com a reflexão no assunto, bem como aprimorar nosso projeto.

Isabela Gerbelli Garbin Ramanzini
Marrielle Maia Alves Ferreira

SAT 47 | Escolha e ensino de Metodologia

quarta-feira, 6 de Agosto de 2014 - 16:30

Coordenadores

Leticia Pinheiro (PUC-Rio - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

Debatedores

Maria Helena de Castro Santos (UnB - Universidade de Brasília)

Apresentações

Metodologia e pesquisa em ciência política: estudo dos cursos de graduação e pós-graduação no RS

Este artigo visa o estudo dos cursos de graduação em Ciências sociais e pós-graduação em Ciência Política, com o objetivo de, primeiramente, examinar comparativamente as disciplinas de metodologia de pesquisa e a forma como as mesmas estão distribuídas e trabalhadas no currículo de Ciências Sociais. Posteriormente, analisar especialmente como são oferecidas e operacionalizadas as disciplinas de metodologia nos cursos de Pós-Graduação em Ciência Política no RS. Quanto aos objetivos específicos pretendemos, 1) identificar as dificuldades dos estudantes de graduação, mestrado e doutorado no aprendizado de metodologia; 2) analisar como são ministradas as aulas de metodologia de pesquisa nos cursos de graduação e pós-graduação em Ciência Política; e, 3) entender a relevância da metodologia para o conhecimentos sobre as relações de poder no estado, na Sociedade Civil e no mercado e nas instituições. No tocante a metodologia trabalhada desenvolver-se-á a partir de uma pesquisa quantitativa e comparada, sendo que a pesquisa quantitativa (survey) realizar-se-á entre os professores, estudantes de graduação e pós-graduação em Ciência Política, cujo foco é o conhecimento, interesse e avaliação sobre os métodos comparado e quantitativo.

César Alessandro Sagrillo Figueiredo
Hemerson Luiz Pase
Como Ensinamos a Tese?
Terrie R. Groth
As diferenças essenciais e o problema da integração entre métodos quantitativos e qualitativos na ciência política comparada

Este artigo discute o problema da integração entre métodos quantitativos e qualitativos na ciência política comparada buscando compreender padrões emergentes sobre a conexão entre pesquisa qualitativa e quantitativa gerado por um conjunto de autores que trabalham na tradição da “Nova Metodologia Qualitativa”. O proposito é o de apresentar algumas das fronteiras analíticas relativas aos limites e as possibilidades de integração entre os métodos quantitativos e qualitativos. O artigo lança o argumento das diferenças essenciais entre os métodos se organizam a partir de três caminhos: o primeiro está relacionado aos propósitos específicos de análise causal na tradição qualitativa; a segunda recai sobre a condição de explicar eventos raros e os contrafactuais; e, por fim, a necessidade crescente de incorporar elementos de agência e das instituições nas explicações contemporâneas. Estas diferenças conduzem a múltiplas formas de pensar causalidade, explicação, e, especialmente questões relativas ao problema da produção das inferências causais nos desenhos de pesquisa small-n

Flávio da Cunha Rezende
Problemas de ensino e pesquisa de métodos e teorias: reflexões sobre três oposições

A presente comunicação pretende refletir a respeito do ensino e da pesquisa de métodos e teorias em Ciência Política e RI, a partir de nossa experiência pessoal em tais áreas. Para isso, o texto organiza-se em função de três oposições usuais: (1) Ciência Política versus Relações Internacionais; (2) métodos qualitativos versus métodos quantitativos; (3) teoria "empírica" versus teoria "normativa". A comunicação não será um "relato de caso", mas a discussão de alguns problemas de ensino e pesquisa de métodos e teorias recorrentes.
As três oposições comentadas existem devido à especialização científica da área; não são aberrantes ou necessariamente equivocadas, mas é importante ter em mente que o desenvolvimento das pesquisas e dos métodos não pode equivaler a aprofundamento das oposições, no sentido de torná-las cisões: as cisões é que são incorretas e inadequadas. Por outro lado, o ensino cuidadoso de métodos de pesquisa deve ocorrer, não genericamente, mas com o estudo de vários e com certo detalhe. Na impossibilidade de aplicar os métodos em estudos específicos (a opção ideal), sugere-se: (1) análise de textos exemplares em termos metodológicos e (2) disciplinas optativas específicas.

Gustavo Biscaia de Lacerda

SAT 62 | Formação e Profissionalização

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014 - 14:15

Coordenadores

Leticia Pinheiro (PUC-Rio - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

Debatedores

Fabiano Engelmann (UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

Apresentações

Ensino e pesquisa em Políticas Públicas – a proposta interdisciplinar da UFABC

Este trabalho visa apresentar e discutir a proposta interdisciplinar da UFABC de formação integrada em Políticas Públicas.

Klaus Frey
Vitor Emanuel Marchetti Ferraz Júnior
Os Exames Nacionais de Desempenho do Estudante de 2009 e 2012 para Relações Internacionais: as limitações de uma análise a partir dos Padrões de Qualidade para cursos de RI e do perfil do egresso

Em 2009 e 2012 realizaram-se as duas e únicas avaliações no âmbito do Ensino Superior no Brasil envolvendo os Cursos de Graduação em Relações Internacionais (RI). Trata-se do Exame Nacional de Desempenho do Estudante (ENADE), que integra o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (SINAES). Uma análise comparada de ambas as provas, seja em termos de conteúdos formais exigidos, seja em termos do formato das questões e, por conseguinte, o tipo de conhecimento que é demandado do estudante, permite-nos identificar diferenças significativas entre elas e que serão objeto da presente investigação. Em outras palavras, o presente artigo sustenta que muito embora os Padrões de Qualidade do Ministério da Educação (MEC) para os Curso de Graduação em RI, denominados Padreli, mas também o perfil desejado do egresso de RI, também esmiuçado pelo MEC, mantenham-se os mesmos e sejam os dois grandes instrumentos de referência para o funcionamento adequado dos cursos de bacharelado em RI no Brasil, cada uma das duas provas aplicadas pode acabar por indicar para uma narrativa distinta da área de RI, impactando, diretamente, no processo de ensino-aprendizagem dos estudantes brasileiros e na gestão cotidiana e estratégica de tais cursos.

Cláudia Alvarenga Marconi
David Almstadter Mattar de Magalhaes
Marilia Carolina Barbosa de Souza
Os cursos de bacharelado em Ciência Política no Brasil: refletindo sobre a questão da docência

Em 1989, a UnB criou o primeiro curso de bacharelado em Ciência Política no Brasil, com uma proposta diferente da formação de cientistas políticos dentro da linha de formação das ciências sociais. Desde então, foram criados 16 cursos dessa natureza. A justificativa é: formação/qualificação de cientistas políticos para o mercado de trabalho fora da academia. Para tanto, buscou-se reflexões a respeito da docência destes cursos: debates em Grupos de Trabalho; das nossas pesquisas sobre a relação do campo científico (ciência política), acadêmico (ensino de ciência política) e mercadológico (mercado da política) e, em mesas temáticas em congressos de Ciência Política.

A metodologia empregada utilizou o banco de dados do Grupo de Pesquisa e Análise de Conteúdo, obtendo três resultados: a diferença entre a linha de formação em Ciência Política; a identificação da natureza dos cursos e os objetivos quanto à formação/qualificação.

A importância deste trabalho consiste na apresentação da estrutura, dos objetivos e da natureza dos cursos de bacharelado em Ciência Política no Brasil para que se possa pensar no perfil do corpo docente mais adequado para cursos dessa natureza.

Luiz Fernando Nunes Moraes
Ana Paula Ferraz Krueger
Audren Azolin
Bruna Tays Silva
Estranhamento da Ciência Política nos cursos de Direito

Desde épocas mais remotas, a Ciência Política e suas ramificações eram estudadas no curso de Direito como disciplinas essenciais à formação de um jurista, haja vista a importância da teoria política e da sua relação com questões jurídicas cotidianas. Ocorre que, nos dias atuais, a disciplina de Ciência Política tornou-se mero compromisso de expediente para os graduandos de Direito, que não se importam com a matéria e veem seus professores a menosprezá-la.

Necessário fazer uma crítica à realidade do ensino no Brasil, que veem formando profissionais generalistas, de pouco conteúdo, com preferência em estudar por manuais a fim de estarem “preparados” para ingressar no tão sonhado funcionalismo público. E a discussão teórica e metodológica vem perdendo espaço, vista com preconceito pelos estudantes, e, se tornando cada vez mais desprestigiada.

Anne Caroline Ataide de Araujo
O Processo de Formação Continuada Do/Discente e as Relações de Ensino/Aprendizagem da Ciência Política nos Cursos da ESPM/PMERJ

Dentre as disciplinas que constituem as grades curriculares dos Cursos regulares da Escola Superior de Polícia Militar da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (ESPM/PMERJ) é possível visualizar a disciplina “Estado Contemporâneo, Democracia e Polícia”, ministrada tanto no Curso de Aperfeiçoamento de Oficias dos Quadros de Oficiais Policial Militar, Auxiliares e Especialistas, quanto no Curso Superior de Polícia do QOPM e do Quadro de Oficiais da Saúde.
Neste trabalho, procurar-se-á apresentar os currículos oficiais e ocultos destes Cursos e relatar as experiências vivenciadas durante o período de 2012 a 2014 na disciplina supracitada, por meio do processo de formação continuada do/discente e das relações de ensino/aprendizagem da Ciência Política, que, além de estabelecer articulações entre noções de Estado, Democracia e Polícia, assumem, dentre os objetivos gerais e específicos, (a) desenvolver a capacidade de reflexão, análise e crítica da vida em sociedade; (b) ressaltar os fatores político-institucionais e socioeconômicos, com suas respectivas naturezas conjuntural e estrutural, em interface com a segurança pública e (c) pensar, criticamente, a cidadania no Brasil, particularmente, no Estado do Rio de Janeiro.

Charlles da Fonseca Lucas

SAT 76 | Implicações da escolha metodológica sobre o conteúdo da pesquisa

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014 - 16:30

Coordenadores

Maria Magna Ignácio

Debatedores

Maria Magna Ignácio
André de Mello e Souza (IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada)

Apresentações

Aproximações metodológicas para um censo administrativo do legislativo municipal no Brasil

Desde a elevação dos municípios ao status de entes federativos houve um aumento considerável de pesquisas sobre o processo de governo local. No entanto, as informações e dados produzidos concentram-se no executivo e na implantação de políticas públicas. A única base de dados que cobre quase a totalidade das câmaras municipais é o censo do legislativo, realizado em 2005 pelo Interlegis. Esta fonte de dados, porém, apresenta limitações em termos das estratégias de coleta de dados e da consistência das informações. Neste trabalho pretende-se realizar uma avaliação metodológica das principais fontes de informações sobre o legislativo municipal no Brasil e seus membros assim como propor um procedimento metodológico para a geração de um censo do legislativo municipal no Brasil. Argumenta-se que modelos híbridos de censo podem ser aplicados no Brasil para descrever o funcionamento das câmaras municipais. Este trabalho tem como objetivo realizar uma análise da qualidade das fontes de dados existentes e de como elas poderiam compor um censo híbrido das câmaras municipais. Além disso, apresenta os resultados de uma primeira versão de tal censo do legislativo.

Rodrigo Rodrigues-silveira
Marta Mendes da Rocha
Qualitative Comparative Analysis (QCA): usos, possibilidades e limites para a análise da dinâmica da competição eleitoral no Brasil pós-1994

Este paper tem como objetivo central discutir o uso, as possibilidades e os limites da aplicação de Qualitative Comparative Analysis (QCA) para análise de fenômenos políticos ao nível subnacional. Tradicionalmente empregado para análise comparativa entre países, nós argumentamos que a QCA tende a ser um importante recurso para das variações regionais no federalismo brasileiro. Voltada fundamentalmente para a comparação de variáveis qualitativas em pesquisas com número médio de casos, a QCA é uma importante ferramenta metodológica para análise comparativa que tem se desenvolvido na literatura internacional e que foi, até o presente momento praticamente ignorada pela literatura nacional. Para ilustrar o argumento, nós aplicamos QCA à análise da lógica de formação de coligações eleitorais no Brasil para as eleições presidenciais entre 1994 e 2010 e demonstramos como, a despeito das variações regionais, há uma estratégia que guia os principais partidos na disputa, pautada pelo cálculo dos custos e benefícios envolvidos na multiplicação de votos em contextos com competitividade variada.

Vitor Eduardo Veras de Sandes Freitas
Fernando Augusto Bizzarro Neto
Classificando ocupações em estudos parlamentares: uma tipologia histórica

A história social da classe política brasileira contraria, à primeira vista, a tendência observada nas democracias consolidadas, cuja marca é a substituição do notável pelo político profissional. Estudos constataram que os senadores no Brasil tendem cada vez mais a serem recrutados no mundo dos negócios privados, possuindo carreiras políticas menos extensas e menos estruturadas. No caso dos deputados federais, já se demonstrou que no fim do século XX havia mais outsiders na Câmara Baixa do que políticos experientes. Duas explicações para o que está ocorrendo com o perfil dos representantes podem ser mobilizadas: 1) que o Brasil é um caso atípico de ‘desprofissionalização’ da classe política; ou 2) que os achados dessas pesquisas refletem uma imagem distorcida, produto de mensuração equivocada dos atributos sociais dos agentes. Nossa hipótese é que se trata de um problema de parâmetros de análise. O objetivo deste trabalho é propor uma tipologia alternativa para dar conta desse problema que é a classificação de profissões nos estudos de Ciência Política. Testamos o nosso modelo para ver sua coerência e sua capacidade de captar as transformações históricas da elite senatorial em mais de um século (de 1889 a 2010).

Luiz Domingos Costa
Adriano Nervo Codato
Lucas Massimo Tonial Antunes de Souza
Análise de Conteúdo de Discurso: interpretando a política externa brasileira na fala de seus líderes políticos

O artigo tem por finalidade contribuir para a utilização de novas análises interpretativas sobre a própria política externa brasileira por meio da criação de um extenso banco de dados dos discursos dos presidentes brasileiros. A criação de um banco de discursos tem como objetivo utilizar a análise de discurso como método para investigar (inicialmente) as mudanças na política externa brasileira em diferentes tópicos da política externa. A principal contribuição, contudo, é a categorização de padrões de análise que serão de grande utilidade para estudos futuros. Ao criar o banco de discursos, tem-se a intenção de tornar pública a ação e/ou intenção dos governos, sobretudo por meio de análise da atuação governamental, bem como facilitar e estimular o uso da interpretação dos discursos para fins de pesquisa acadêmica.

Danielle Costa da Silva
Renata Albuquerque Ribeiro
Tássia Camila de Oliveira Carvalho
O que é, para que serve e como se faz uma meta-análise?

O principal objetivo desse trabalho é apresentar uma breve introdução a técnica de meta-análise. Nosso público alvo são estudantes de graduação e pós-graduação em Ciências Sociais em geral e Ciência Política em particular. Metodologicamente, apresentamos a origem histórica dessa técnica e descrevemos o passo a passo de sua utilização. Com esse artigo esperamos facilitar não só a compreensão, mas também a utilização da técnica de meta-análise. Em termos substantivos, esperamos contribuir para que as revisões de literatura sejam realizadas de forma sistemática, favorecendo a acumulação do conhecimento científico.

Enivaldo Rocha
Dalson Britto Figueiredo Filho