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Estudos de Política Externa

Resumo

Esta AT acolhe trabalhos sobre diferentes aspectos (determinantes, objetivos, processos decisórios e ações efetivamente realizadas) da política externa de governos específicos (nacionais, subnacionais e também de arranjos supranacionais) em diferentes dimensões (política; econômico-comercial; ambiental; cultural). A utilização do instrumental teórico-conceitual da subdisciplina Análise de Política Externa é bem-vinda, mas não indispensável. São temas potenciais desta AT: política externa brasileira (história e momento atual); política externa em perspectiva comparada; política externa das grandes potências e das potências médias; política externa e multilateralismo; política externa e integração regional; política externa e globalização; política externa e desenvolvimento.

 

Justificativa

Os Estudos de Política Externa constituem uma parcela considerável da produção em Relações Internacionais em todo o mundo e particularmente no Brasil. Embora aberta às contribuições das ciências sociais em geral, espera-se que esta AT reúna sobretudo trabalhos provenientes da subárea Análise de Política Externa, um campo com vocação transdisciplinar mas com fortes raízes na Ciência Política e na Análise de Políticas Públicas, e em diálogo permanente com as perspectivas sistêmicas das Relações Internacionais e da Política Internacional.

SAT 04 | Atores e fatores domésticos na política externa

terça-feira, 5 de Agosto de 2014 - 14:15

Coordenadores

Ricardo Alaggio Ribeiro (UFPI - Universidade Federal do Piauí)

Debatedores

Maria Izabel Valadão de Carvalho (UnB - Universidade de Brasília)

Apresentações

Brasil e Índia junto ao OSC(OMC): o papel dos fatores domésticos

O sistema de solução de disputas do OSC baseia-se em conjunto de regras formais que normatiza o processo de litígio entre os estados partes. Estudos defendem que a presença de tais regras tornam os países em desenvolvimento mais bem equipados para enfrentar os contenciosos com estados poderosos Por um lado, as regras são efetivamente relevantes já que universalizam o tratamento dado aos estados partes; por outro lado, a colocação de uma causa junto ao OSC e o seu acompanhamento envolvem o dispêndio de recursos econômicos, administrativos e de expertise elevados, não acessíveis a grande maioria dos países em desenvolvimento. Tendo estes condicionamentos como pano de fundo, enfoca-se, neste artigo, o desempenho do Brasil e Índia junto ao OSC. Tais países destacam-se entre um conjunto de seis países em desenvolvimento que mais usam o OSC como demandante e demandado. Na primeira seção do trabalho, o comportamento do Brasil e da Índia é analisado a partir de dados quantitativos. Na segunda, fatores domésticos que explicam o desempenho destes países junto ao OSC são investigados.

Maria Izabel Valadão de Carvalho
Elites, Processos de Integração Regional e Política Externa: um estudo teórico

O principal objetivo deste trabalho é provocar uma discussão teórica sobre o papel das elites na integração regional. No trabalho são analisadas as teorias clássicas tanto das elites, quanto dos processos de integração regional, para evidenciar a relevância das elites nos processos de integração regional. Visto que a política externa envolve as políticas do Estado para a integração regional, o estudo indaga a importância e influência das elites na política externa.
Reconhecer a importância, a influência e atuação das elites na Política Externa e Integração Regional, corrobora para a relevância do estudo sobre a percepção destes atores sobre as relações internacionais.
O estudo das elites é uma constante na ciência política, sendo incorporada gradativamente nos estudos das relações internacionais. Por sua vez, embora a literatura de integração regional analisada seja referência, carecem estudos amplos que possam ser aplicados aos diferentes processos integrativos e suas variáveis, bem como dedicados a entender participação das elites na Política Externa.

Regiane Nitsch Bressan
O papel dos partidos na formulação da política externa estadunidense

Nosso trabalho teve como objetivos definir e delimitar o papel dos partidos estadunidenses em relação à formulação de sua política externa e demonstrar que este não é um assunto inadequado para discussão nas eleições. Metodologicamente, empreendemos uma análise qualitativa, combinando fontes secundárias – exame da literatura produzida acerca da relação entre partidos estadunidenses e política externa – e primárias: análise do texto constitucional e das plataformas de campanha presidenciais no período 1992 a 2012. Nossos resultados indicam que embora as regras formais e informais restrinjam um papel mais propositivo dos partidos estadunidenses em relação à formulação da política externa, suas atuações não são de todo irrelevantes. Na arena eleitoral os partidos posicionam-se através de suas plataformas sobre as temáticas de política externa. Ademais, o legislativo dispõe de mecanismos de controle que podem restringir o alcance das propostas do Executivo. Delimitar o espaço em que os partidos podem influenciar a formulação da agenda de política externa torna-se, assim, uma tarefa extremamente relevante, considerando-se também que esta questão tem sido pouco tratada pelas literaturas de partidos políticos e relações internacionais.

Flávio Contrera
Comportamento Legislativo e Política Externa na América Latina

Este artigo analisa o comportamento legislativo em temas de política externa em seis países latinoamericanos: Argentina, Brasil, Chile, México, Paraguay y Perú. O seguinte trabalho oferece uma contribuição empírica para compreender como votam os legisladores da região nas temáticas internacionais. Testa-se a hipótese da especificidade da política externa produzir um comportamento legislativo unificado no plenario, contrastado a uma acentuada polarização no âmbito doméstico. Para averiguar tal pressuposto, estimamos os pontos ideais dos legisladores latinoamericanos en temas de política externa e comparamos nossos resultados com estudos da literatura que examinam o comportamento legislativo na política doméstica. As conclusiones sugerem a similaridade entre o comportamento legislativo em ambas as temáticas, indicando como principais fatores explicativos do voto na política externa a ideologia partidária e o pertencimento ou não do legislador na coalizão de governo.

Pedro Feliú Ribeiro
Os think tanks como atores da política externa americana: visões do populismo na América latina

Este trabalho busca entender o papel dos principais Think Tanks americanos como atores na formulação da agenda e do debate em torno da política externa norte-americana para a América latina. De forma mais especifica visa analisar como se dá a influência destes institutos de pesquisa em relação a sensível questão do que é entendido na área da ciência política norte-americana como "populismo". O trabalho primeiramente, define populismo nas suas diversas óticas e em um segundo momento dirige-se a estrutura dos principais think tanks - mostrando o alinhamento partidário e ideológico hoje existente. A seguir, apresenta-se a posição destes institutos em relação aos regimes considerados populistas. Por último, é feita uma análise do impacto destas avaliações, considerando o papel dos think tanks como suporte intelectual; como elemento legitimador da política externa;como espaço de debate e como espaço de formação de quadros da burocracia do Departamento de Estado e de outras agências governamentais norte-americanas.

Ricardo Alaggio Ribeiro

SAT 19 | Dimensões da política externa brasileira

terça-feira, 5 de Agosto de 2014 - 16:30

Coordenadores

Rubens de S. Duarte

Debatedores

Marcelo Fernandes de Oliveira (UNESP - Universidade Estadual Paulista)

Apresentações

Capacidade e coerência: uma análise da política de cooperação internacional para o desenvolvimento entre o Brasil e o Reino Unido em Moçambique

Esse trabalho destinar-se-á a um estudo que contraste a política de cooperação internacional para o desenvolvimento (CID) feita pelo Reino Unido em Moçambique com a da Brasil no mesmo país africano.
O artigo, portanto, tem como objetivo interpretar a atualidade da CID, contrastando a política de cooperação de dois países que se encontram em situações distintas na arquitetura internacional de assistência para o desenvolvimento.

Rubens de S. Duarte
Colaboração Sul-Sul em propriedade intelectual: algumas considerações sobre a estratégia brasileira

O objetivo desse trabalho é analisar um elemento fundamental da estratégia brasileira para fazer avançar suas demandas em matéria de propriedade intelectual – a colaboração com os grandes parceiros do Sul. O Brasil é historicamente um importante ator global nas negociações em propriedade intelectual, acentuando sua importância a partir de 2004 quando assumiu caráter de protagonista nas negociações para implementação da Agenda do Desenvolvimento na Organização Mundial de Propriedade Intelectual. Essa agenda, de forma geral, pretendia, por um lado, barrar uma agenda maximalista em matéria de proteção à propriedade intelectual conduzida por alguns países desenvolvidos e, por outro, fortalecer as exceções e limitações a direitos. Para conduzir uma agenda propositiva dessa natureza, que se contrapõe às demandas por principais players globais, o Brasil busca estreitar laços de colaboração com importantes países do Sul, especialmente Índia e China. Nesse paper analisamos esse componente estratégico da política brasileira para avançar nas negociações em propriedade intelectual condizentes com as percepções e demandas nacionais.

Henrique Zeferino de Menezes
Inserção Internacional do Brasil e Política Externa Brasileira na Construção da Ordem Ambiental Internacional: desenvolvimento com sustentabilidade?

A Inserção Internacional do Brasil tem-se constituído como tema de grande relevância acadêmica. Nesse contexto, a definição de Política Externa sofreu questionamentos nos últimos anos, tentando analisar e compreender as mudanças envolvidas nas relações Internacionais e abarcar a discussão sobre politica externa como política pública. Isso engloba as ações não só do estado, mas também de outros atores influentes no processo decisório. A construção do ideal de desenvolvimento defendido pelo Brasil na construção da Ordem Ambiental Internacional é um típico exemplo de politica externa que engloba outros atores, pois acabou por conjugar interesses de empresas, organizações internacionais entre outros que influenciaram na construção de um modelo de desenvolvimento que prioriza o progresso econômico em detrimento do desenvolvimento sustentável. A proposta deste trabalho é traçar a trajetória e analisar a conformação dessa ordem, destacando a atuação brasileira neste processo e, por meio do software NVIVO, explorar os discursos oficiais proferidos pelo Brasil nos debates ambientais multilaterais para identificar as contradições entre os discursos e os atores invisibilizados por trás destes processos.

Tássia Camila de Oliveira Carvalho
Renata Albuquerque Ribeiro
Política Externa Brasileira de Direitos Humanos: analisando a trajetória dos direitos humanos após a redemocratização por meio da Análise de Conteúdo de Discurso

O artigo explana sobre o desenvolvimento da posição mais aberta e ativa do Estado brasileiro em relação aos direitos humanos na política externa brasileira após a democratização do país, analisando o impacto da dimensão doméstica na política externa do Brasil, utilizando a visão oficial, a história e a ciência política. O diferencial dessa pesquisa está na utilização da análise dos discursos dos presidentes, em especial aqueles que mencionam ou tem como tema principal os direitos humanos, verificando as diferenças e/ou similaridades da temática dos direitos humanos defendida pelos governos, os tipos de direitos humanos abordados e os resultados das posições dos presidentes para a política de direitos humanos, focando no contexto doméstico para compreender a política externa.

Danielle Costa da Silva
Democratização e política externa de direitos humanos: um estudo comparativo entre Brasil e África do Sul

Nossa proposta de pesquisa será investigar a relevância da temática dos direitos humanos na agenda de política externa de potências regionais que passaram por processos de democratização no final do século XX e buscam protagonismo internacional no século XXI - mais especificamente, Brasil e África do Sul. Qual é a relação entre a história de formação das identidades nacionais que os Estados brasileiro e sul-africano promoveram no decorrer do século passado e os novos projetos que esses países formulam para o século vigente? O projeto de revisionismo da identidade nacional de Brasil e África do Sul é fruto dos processos de democratização e busca pela renovação das credenciais diplomáticas no sistema internacional após regimes de exceção em ambos os países. O epicentro desse revisionismo encontra-se na temática dos direitos humanos e, mais particularmente, na questão racial. Acreditamos que o estudo da política externa de direitos humanos de Brasil e África do Sul, em perspectiva comparada, vai nos prover os instrumentos para a análise mais ampla do projeto de inserção internacional de potências regionais que almejam protagonismo e formulam propostas alternativas à vigente governança global.

Pablo de Rezende Saturnino Braga

SAT 34 | Opinião Pública e Política Externa

quarta-feira, 6 de Agosto de 2014 - 14:15

Coordenadores

Maria Isabel Meunier Ferraz (UFPE - Universidade Federal de Pernambuco)

Apresentações

A Sofisticação da Opinião Pública em Política Externa: multilateralismo versus unilateralismo na percepção dos brasileiros

Este artigo tem como objetivo analisar o grau de sofisticação política da opinião pública brasileira a diferentes tipos de política externa. Identificamos em survey realizado em 2010 (IRI-USP/CIDE, 2010) certa sofisticação política dos respondentes no que tange ao apoio a temas de política externa. Mais especificamente, observamos um apoio maior a uma atuação internacional do Brasil de cunho multilateralista e de resultados pouco tangíveis do que um apoio a ações unilateralistas e de resultados concretos. Essa é uma tendência contrária aquilo encontrado nos estudos de opinião pública e política externa nos EUA (PEW, 2011, 2013) e próximo daquilo identificado em surveys semelhantes realizados no México, Equador e Peru (CIDE, 2010 e 2012). Além disso, nossos resultados são contrários ao encontrado em surveys sobre apoio dos brasileiros a outras políticas públicas (saúde, segurança, educação, etc.) nos quais se observa um apoio maior a ganhos concretos e específicos (REIS e CASTRO, 1992; TURGEON e RENNÓ, 2010; RENNÓ, 2006 e 2007; PEREIA, 2013; CASTRO, 1994).

Feliciano de Sá Guimarães
Opinião pública em política externa: uma análise exploratória das percepções sobre integração regional na América do Sul

Dentro do marco analítico da Análise de Política Externa, o artigo proposto visa a realizar um mapeamento quantitativo exploratório sobre a opinião pública em política exterior na América do Sul, particularmente sobre a integração regional. Partindo de uma revisão da literatura sobre o tema, busca ampliá-la ao examinar dados de survey aplicados nos países latino-americanos pela organização Latinobarômetro entre 1995-2010. Desta forma, objetiva expandir uma literatura que é fortemente voltada ao caso dos Estados Unidos, enriquecendo-a com particularidades de outras realidades, bem como contribuir para os estudos sobre a integração regional do subcontinente. Sem descuidar de uma análise qualitativa das conjunturas nas quais estão insertos os dados, o artigo testa hipóteses específicas sobre a relação entre a aprovação da integração regional pelos cidadãos e suas percepções de determinados aspectos da política doméstica, especialmente o posicionamento na escala esquerda-direita, assim como suas características individuais. Dentre as conclusões avançadas, sugere que não haveriam diferenças entre a dinâmica da opinião pública em política externa e interna.

Maria Isabel Meunier Ferraz
O peso da ideologia na atitude de países latino-americanos em relação aos Estados Unidos

Há uma expectativa de que a posição ideológica dos partidos governantes na América Latina preveja a atitude das suas administrações em relação aos Estados Unidos. Nesse sentido, governos de esquerda seriam hostis aos norte-americanos, enquanto governos de direita seriam simpáticos. A proposta do artigo é utilizar dados sobre a coincidência de votos dos Estados Unidos com 17 países latino-americanos (Argentina, Brasil, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Chile, Equador, Guatemala, El Salvador, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela) na Assembleia Geral da ONU, em contraste com a posição do partido governante na escala esquerda-direita a cada período, segundo a avaliação de parlamentares de outros partidos em cada país. A partir desses dados, o trabalho emprega a análise estatística e verifica se há correlação entre as variáveis, como forma de responder à expectativa sobre o peso da ideologia na atitude de países latino-americanos em relação aos Estados Unidos.

João Carlos Amoroso Botelho
Diplomacia pública, ¿de la teoría a la práctica?: El caso de la Unión Europea en Brasil

El entusiasmo académico por la diplomacia pública no se refleja en una atención específica a la misma en las estrategias de política exterior de la Unión Europea (UE). Sin embargo, su presencia se revela en múltiples iniciativas en las que los agentes no gubernamentales tienen un papel clave como receptores o actores: actividades de cooperación, de intercambio, informativas. La diplomacia pública es una actividad diplomática y de comunicación política internacional que busca influenciar a públicos extranjeros con el fin de contribuir al logro de objetivos de política exterior y/o generar una imagen positiva. Funciona como una herramienta efectiva para movilizar recursos de poder blando, un poder basado en la atracción y la persuasión que se produce de modo indirecto cuando los actores políticos movilizan recursos como la cultura, los valores y las estrategias de política exterior. Pese a la crisis económica, la UE conserva un gran potencial de poder blando. Por eso, y dada la relevancia de Brasil como socio prioritario en la región latinoamericana, este artículo investiga qué diplomacia pública ha desarrollado la UE en este país los últimos tres años, así como su correspondencia con el cuerpo teórico sobre esta actividad.

María Luisa Azpíroz Manero

SAT 50 | Política externa brasileira contemporânea

quarta-feira, 6 de Agosto de 2014 - 16:30

Coordenadores

Marcelo Fernandes de Oliveira (UNESP - Universidade Estadual Paulista)

Debatedores

Miriam Gomes Saraiva (UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Apresentações

A Política Externa Brasileira no Governo Lula (2003-2010): Um exercício de Autonomia pela Assertividade?

O objetivo central é analisar a política externa do governo Lula. Nesse governo o exercício da política externa pautou-se na premissa de defesa dos interesses brasileiros de maneira assertiva. O contexto sistêmico dessa possibilidade foi o multipolarismo compreendido como um movimento amplo em busca da desconcentração e regulação de novos pólos de poder no mundo. Nessa direção, caberia ao país aderir aos princípios e normas internacionais por meio da formação de alianças estratégicas, a priorização da América do Sul e a preferência pelo eixo Sul-Sul nas relações externas. A dimensão prática esteve presente na formação do G-4; na criação dos G-20 (agrícola e financeiro); na aproximação com países africanos e árabes; na questão da segurança internacional; na desconstrução da ALCA; na criação do Fórum IBAS e BRICS; na busca de liderança sul americana; etc. Esses fatores indicam que a construção do conceito de autonomia pela assertividade passa pela recuperação das ideias prevalecentes no Brasil e no mundo e em conhecimento empírico acumulado, com base social histórica, considerando os vínculos existentes entre política interna, ambiente externo e política externa no governo Lula.

Marcelo Fernandes de Oliveira
Análise de Política Externa Brasileira: questões conceituais e metodológicas de um campo em afirmação

Há uma crescente literatura sobre o que se considera um processo de “horizontalização” da política externa brasileira. No presente texto, busca-se discutir algumas bases dessa tese de modo a contribuir para o adensamento teórico e metodológico do campo de estudos.

Haroldo Ramanzini Junior
Rogério de Souza Farias
As relações Executivo-Legislativo na produção da Política Exterior do Brasil

A proposta que aqui se desenvolve tem por objetivo analisar a participação do Poder Legislativo na construção da Política Exterior do Brasil. Ainda pouco mencionado nos estudos produzidos sobre o tema, o papel dos legisladores brasileiros nesse campo é desconhecido por eles mesmos. Em entrevistas recentemente realizadas com deputados e senadores, membros das Comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional das suas respectivas casas legislativas, ao serem questionados sobre o papel do Legislativo brasileiro na Política Externa do país, estes, recorrentemente, responderam que o Congresso Nacional não possuía função alguma na produção da mesma. O atento exame da Constituição Federal e dos códigos infraconstitucionais – regimentos internos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal – indicam, entretanto, que o Congresso Nacional Brasileiro possui caminhos institucionais a serem trilhados para que este participe ativamente do processo de produção da Política Externa do país. Por meio da observação dos fluxos informacionais existentes entre os Poderes, acerca dos assuntos de Política Exterior do país, buscar-se-á compreender a forma e a intensidade que o Legislativo brasileiro tem participado da produção da sua Política Externa.

Christopher Bahia Mendonça
Política Externa Brasileira: dilemas e perspectivas da integração regional

O estudo analisa a política externa brasileira recente propondo o seguinte pergunta: esta política tem favorecido a integração regional ou não? Para tanto se desenvolve um desdobramento sobre as ações brasileiras na cena internacional a partir de dois conceitos: selective engagement de J. Art e soft power de Joseph Nye Jr.
A hipótese do trabalho é que a política externa brasileira tem trafegado entre a tentativa de contrabalançar atores centrais na cena internacional selecionando as ocasiões com o objetivo de maximizar sua posição relativa - caracterizando assim uma política externa de cunho realista – e por outro lado, sem abdicar de uma agenda voltada ao contexto regional promovendo uma integração sul-americana pautada num projeto que estrategicamente utiliza a ideia do soft power .
No caminho desta análise propomos então o debate se as posições brasileiras com base nesses dois conceitos e para tanto tomamos a análise do Conselho Sul americano de Defesa como objeto de teste da hipótese. Em suma o artigo propõe uma visada sobre a política externa brasileira recente e em qual medida esta favorece, ou não a integração regional.

Marcial Suarez
Política exterior de Brasil: liderazgo en la Cooperación Sur-Sur

Los objetivos específicos de este trabajo están centrados en descubrir de qué manera y para qué finalidad Brasil hace cooperación.
Es clave también plantearse qué lugar ocupa la Cooperación Sur-Sur (CSS) en el diseño de política exterior brasileña. Y,además, lo que se intenta averiguar es cuál de las variables antes citadas -identidades, valores e intereses- prevalecen en la actuación de la CSS brasileña
La hipótesis en la que se basa toda la investigación es que la Cooperación Sur-Sur de Brasil responde al interés del país de proyectarse como global player, y se podría afirmar, exagerándolo un poco, que la imagen de “potencia buena” ayudará a la ascensión de Brasil como líder del Sur, agregando una silla (en este caso en el Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas) a la mesa de los considerados tradicionalmente potencias.
Al mismo tiempo, se analiza la política exterior de Brasil durante el periodo de Ignacio Lula da Silva porque es propiamente a partir de su primer mandato, en el 2003, cuando se empieza a dar mucha importancia a la CSS, al multilateralismo y a desarrollar relaciones más estrechas con los otros países en desarrollo.

Marta Ranucci

SAT 78 | A política externa brasileira em relação a países e

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014 - 16:30

Coordenadores

Pedro Andrade Matos

Debatedores

Leticia Pinheiro (PUC-Rio - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

Apresentações

A "política africana” do Brasil

No período da Politica Externa Independente (1961-1964), formula-se a “política africana” do Brasil. A “política africana” do Brasil se apresenta de forma singular na história da diplomacia brasileira, já que não existe, ou raramente é tratada pela literatura, outra política de dimensão continental. Por exemplo, raro se escuta falar de “política asiática” do Brasil, ou, “política latina americana” do Brasil, dentre outras. Assim, pessoas não familiarizadas com o tema, pensaria que existia (existe) somente uma politica externa do Brasil para África. Destarte, tal política não apresentaria variação entre os principais países do continente.
Neste contexto, surge a proposta do artigo que é analisar o que significa a política africana do Brasil. E, se realmente existe uma politica africana do Brasil; se não, como se pode entender a sua formulação? A hipótese do artigo é que a “política africana” do Brasil corresponde a um arquétipo desenhando a partir da década de 1960 que ilustrava a imprecisão da política externa brasileira tanto aos problemas que assolavam os países africanos, quanto ao lugar destes países na política externa do país. O período analisado é de 1960 a 2012. E, a metodologia será qualitativa.

Pedro Andrade Matos
Brazil and Turkey: today’s partners, allies for the future?

When Turkey and Brazil joined forces to broker a fuel-swap deal with Iran, in May 2010, many analysts promptly understood it as a new partnership in the context of South-South politics, one that would challenge the U.S. led global order. This paper sheds light on the nature of this cooperation and on the reasons that have brought the two countries close to each other in recent times. We discuss two theoretical approaches to Brazil-Turkey relations, one centred on the concept of collective identity, and other which relies on the explanatory power of soft balancing. While it is still too soon to tell whether identities will play a more central role in shaping this partnership, or ties will be built in a less systematic and more instrumental fashion, relations between Brazil and Turkey have gained momentum and may continue to prosper in the coming years.

Guilherme Stolle Paixão e Casarões
Os limites da parceria estratégica Brasil-União Europeia no plano multilateral

Qual é o sentido da dimensão multilateral da parceria estratégica entre o Brasil e a União Europeia na ordem internacional do Século 21? O prinipal objetivo do paper é analisar o lugar que a União Europeia ocupa na política externa brasileira desde 2007, levando em conta convergências e divergências de suas respectivas agendas nos foruns multilaterais e regionais. Em termos metodológicos, com vistas a responder às questões levantadas, o paper fará uma breve exposição das expectativas criadas no governo de Cardoso em relação à UE e apresentará características da política externa implementada durante os governos de Lula e de Dilma Rousseff para, em seguida, concentrar-se no lugar que a parceria estratégica Brasil-UE ocupa nos marcos da política externa brasileira, em uma ordem global em processo de transformação. A análise será focada principalmene nas dimensões de ações em foruns globais e frente a temas multilaterais da América do Sul com o objetivo de identificar os êxitos e as limitações da parceria estratégica.

Miriam Gomes Saraiva
Política externa brasileira (PEB) para o Norte da África e Oriente Médio (MENA)

A PEB atua limitadamente no MENA com comércio bilateral, cooperação cultural/científica e política internacional. Tal quadro é consistente com o fato de que a PEB relaciona-se prioritariamente com Estados em que as oportunidades econômicas e o interesse nacional brasileiros resultem consensuais face à opinião pública, ao empresariado e às elites políticas. A escolha do Iraque como parceiro preferencial, a partir de 1973, embora necessária e compreensível para a época, tornou-se inconveniente, considerando os desdobramentos da política internacional iraquiana desde 1980 (do conflito com o Irã até a ocupação do país em 2003). O Brasil enfrentou dificuldades com as alterações e crises daquela região, a partir de 1979, concomitantes com as profundas mudanças mundiais da década de 1980 até o fim da Guerra Fria e a invasão do Kuwait em 1990. A política da era Bush marcada pelo unilateralismo e pela busca de mudança de regime como diretrizes da política externa, sob a influência neoconservadora, o fortalecimento da extrema direita revisionista em Israel e de sua articulada atuação com lobby israelense nos EUA. dificuldades com os desdobramentos da primavera árabe na Líbia, Egito e Síria e afastamento do Irã e Turquia na questão nuclear.

José Cauby Soares Monteiro