sessão de pôster
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Teoria Política 1

terça-feira, 5 de Agosto de 2014 - 18:30

Debatedores

Jean Gabriel Castro da Costa

Apresentações

Skinner e a Liberdade Republicana

Com base nos escritos de Quentin Skinner, a pesquisa busca delinear um estudo de caráter normativo da teoria republicana contemporânea, voltando-se em particular para o significado do conceito de liberdade, um dos principais temas em debate na teoria política hoje. Skinner é filósofo, historiador e colaborou na criação da metodologia atualmente conhecida como Escola de Cambridge. O Objetivo do trabalho é, em primeiro lugar, identificar o surgimento do aspecto normativo na obra do autor e, em segundo lugar, acompanhar a construção conceito de liberdade republicana defendida por Skinner e, ainda, como esse conceito emerge em contraposição ao conceito de liberdade liberal.
Para tanto, a pesquisa percorre cronologicamente as obras teóricas do autor, desde 1978 em The Foundations of Modern Political Thought até os dias atuais, buscando identificar em cada obra (seja ela livro ou artigo) qual o conceito de liberdade defendido por Skinner, ainda, quais são as inflexões conceituais operadas pelo autor entre uma obra e outra.
Assim, ao reconstruir o desenvolvimento do republicanismo e o conceito de liberdade na obra de Skinner, o estudo pretende identificar a contribuição do autor no debate maior entre republicanos e liberais.

Juliana de Souza Oliveira
Apontamentos sobre a concepção de liberdade política na obra de Maquiavel

Fundamental à compreensão dos assuntos que permeiam a vida política, o conceito de liberdade apresentou interpretações variadas ao longo da história. No desenvolvimento tomado por essa questão, é possível perceber as diferentes vertentes que seguem principalmente em duas direções, como foi apontado por Benjamin Constant no discurso Da liberdade dos antigos comparada à dos modernos, proferido em 1819. Se pautando nas insuficiências de ambas as concepções, Quentin Skinner (1986) e Philip Pettit (1997) estabelecem um conceito intermediário que aponta a realização da liberdade na condição de não dominação: no fato de não se estar submetido à vontade arbitrária de outrem. Embora autores contemporâneos discutam esses fenômenos, é importante lembrar que já no século XVI o filósofo Nicolau Maquiavel apresentou uma abordagem dos fatos políticos capaz de relacionar a liberdade política às disputas entre os grupos distintos que compõem os Estados, por ele chamados de “os grandes” e “o povo”. Tal concepção é um marco importante na história do republicanismo, e por isso se mostra fundamental retomá-la nas discussões que cerceiam o âmbito da teoria política.

Nayara Moreira Lacerda da Silva
Corpo político maquiaveliano: uma apropriação da teoria médica renascentista?

O pensamento político de Maquiavel encerra grande quantidade de enunciados sobre ordem política interna que baseiam-se em suposições sobre o funcionamento do corpo humano. A teoria médica do humor, sinônimo de cientificidade na época da Renascença, influenciou os tratados políticos de Maquiavel e outros autores contemporâneos a ele, como Girolano Savonarola e Francesco Guicciardini. Este trabalho investiga o significado da apropriação da teoria humoral por Maquiavel para pensar o corpo político e refletir sobre as instituições políticas.

Christiane Cardoso Ferreira
Continuidade, ruptura e centralização administrativa nas interpretações da Revolução Francesa de Guizot e Tocqueville

O trabalho que se propõe apresentar tem por objeto a comparação das interpretações da Revolução Francesa formuladas por dois pensadores políticos do século XIX: François Guizot e Alexis de Tocqueville. Procura-se, por um lado, explorar os elementos conceituais que a análise de Tocqueville em “État social et politique de la France avant et depuis 1789” e em O Antigo Regime e a Revolução incorpora da elaboração teórica de Guizot a respeito da história da França, sobretudo a noção de que a Revolução Francesa não representou apenas uma ruptura, mas também uma continuidade com a evolução político-social francesa no Antigo Regime. Atenção especial é dada aos debates políticos a partir dos quais emergiu, no período da Restauração, essa compreensão da Revolução Francesa que lhe dá um sentido por meio de sua inserção na temporalidade longa da história da França. Por outro lado, procura-se explorar também as divergências políticas que se notam nas interpretações da Revolução Francesa dos dois autores. Nesse ponto, atenção especial é dada ao modo como cada um dos dois autores encarava a questão da centralização administrativa e a relacionava à Revolução Francesa.

Felipe Freller