sessão de pôster
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Pensamento Político Brasileiro

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014 - 18:30

Debatedores

Marcelo Sevaybricker Moreira (Universidade Federal de Lavras)

Apresentações

A Primeira República e questão da educação no debate político Brasileiro

A questão da educação perpassa o debate brasileiro em todas as épocas e em todos os seus níveis, mas, em um período político, em especial, esse debate lançou as bases para a constituição de um conjunto de ideias que pautou reformas e mudanças em momentos posteriores. Na virada do séc. XIX-XX observamos um contingente populacional crescente, com acesso limitado à educação (e essa, sem diretrizes nacionais) que somado ao período dos “intérpretes” coloca a pauta da educação em lugar de destaque pois essa, possuiria a forma política desejável para “a solução do problema brasileiro”. O período da Primeira República é marcado pela composição de ideários que transitam entre atores e que se relaciona com o cenário político então vigente. Esse mosaico que se forma impacta no período posterior (com destaque para o governo Vargas) como reformas nos diversos níveis da educação. Três grupos de ideias serão enfocados nesse trabalho, a saber: a) Nacionalista; b) Católico e; c) Escola nova. Nessa perspectiva, apresentaremos as características de cada grupo ideário bem como, no período, as relações de convergência e de divergência entre eles e com o contexto político.

Aline Vanessa Zambello
Azevedo Amaral e a Recepção da Teoria Revolucionária Leninista

Apesar de situado entre os principais nomes do pensamento autoritário nacional, Azevedo Amaral é um autor ainda pouco estudado na área de Pensamento Político Brasileiro. Podemos dizer, que entre esses Amaral é aquele que apresenta uma teoria política mais sólida e objetiva sobre a questão do desenvolvimento nacional brasileiro. Refutando a perspectiva evolucionista como método eficaz de análise histórico-político, presente tanto na corrente liberal clássica do século XIX quanto no marxismo de Karl Marx, Amaral afirma ser a combinação simultânea da esfera política e do método revolucionário o meio adequado para fornecer uma análise e uma intervenção coesa sobre realidade social brasileira. Entretanto, mesmo sendo o autor mais sistemático da corrente autoritária nacional, é possível ouvir os ecos da formulação teórica do pensador russo Vladimir Ilitch Lenin nas obras de Amaral. Dessa forma o objetivo desse trabalho é analisar as rupturas e as continuidades presentes entre o pensamento de Azevedo Amaral e as formulações teóricas de Lenin do “Que Hácer” e a partir disso, apontar as implicações dessa “influência” na proposta de Amaral sobre o meio adequado para as ações inovadoras necessárias ao desenvolvimento nacional brasileiro.

Tamyres Ravache Alves de Marco
O dialogo entre Florestan Fernandes e Karl Mannheim

Este trabalho pretende apontar para os principais aspectos do diálogo entre Florestan Fernandes e a obra de Karl Mannheim. Utilizando basicamente dois tipos de fontes (documentais, através de pesquisa no acervo Florestan Fernandes situado na UFSCar; e bibliográficas) indicaremos as principais modalidades de circulação e recepção da obra do pensador húngaro-alemão por Florestan. Tomando como referencial a obra deste último, começaremos a análise pelos manuais de sociologia elaborados por Florestan chegando até meados dos anos 1970 com a publicação de “A Revolução Burguesa no Brasil”. Este movimento de análise nos permite compreender tanto os deslocamentos de área (antropologia, sociologia, política) ou temáticos como também os reposicionamentos do diálogo com a obra de Mannheim ao longo desta trajetória. Resgatar esta faceta da produção intelectual de Florestan Fernandes, ainda que não esgotando o assunto, permite preencher uma lacuna nos estudos de pensamento político brasileiro sobre a obra deste proeminente intelectual

Thiago Pereira da Silva Mazucato
Pensamento militar e ascensão ao poder: uma perspectiva do ano de 1964 através da revista “A defesa Nacional”

O trabalho se propõe a examinar a perspectiva dos militares, a cerca do regime ditatorial instituído em 1964 através da revista A Defesa Nacional. Este periódico criado em 1913, por um grupo de jovens oficiais do Exército mantendo suas edições até hoje. Na análise levantamos a seguinte questão: o periódico A Defesa Nacional funcionou como um canal de expressão do pensamento militar no contexto de 1964? A nossa hipótese é a de que os textos contidos na revista representam um segmento social de elevado grau intelectual e/ou de comando no Exército, atuando como instrumento de formação e informação, caracterizando a revista como um canal institucional do Exército, que expressa à maneira de pensar da Instituição. Assim, a investigação procede uma análise de conteúdo dos textos contidos no periódico no ano de 1964, com o objetivo de interpretar a visão dos militares em meio aqueles acontecimentos. Os resultados obtidos apontam que os textos reproduzidos na revista, colocam os militares como garantidores da ordem interna e das instituições no país diante do perigo comunista, mas principalmente, revelam a salvaguarda da instituição militar diante da possível fragilização de seus princípios basilares: a hierarquia e a disciplina.

Áureo Luiz da Rocha