sessão de pôster
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Gênero, Democracia e Políticas Públicas 3

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014 - 18:30

Debatedores

Jussara Reis Prá (UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

Apresentações

Identidade de gênero nas igrejas evangélicas, sob a perspectiva política: uma análise do acesso das mulheres paraenses aos espaços de decisão política

O presente trabalho foi um dos resultados do projeto de pesquisa Mulheres na politica: historia de percursos e de práticas - CNPq - Processo 402518/2010-1, GEPEM/UFPA. O tema emergiu a partir da metodologia de entrevistas aplicadas às parlamentares e prefeitas de alguns municípios do Estado do Pará. Observou-se a presença de muitas mulheres exitosas nas eleições de 2008 às câmaras legislativas e às prefeituras no Estado do Pará com práticas religiosas nas igrejas evangélicas. O objetivo do trabalho é visualizar os padrões de comportamento de mulheres políticas nas instituições religiosas e de que forma é construída social e historicamente a sua identidade de gênero. Foi possível verificar que além das igrejas evangélicas utilizarem o espaço físico dos templos para a realização da divulgação de seus candidatos, há um projeto politico nessas instituições religiosas, que visam sensibilizar integrantes que possuem capital político para serem selecionados como candidatos com seus nomes sendo disseminados junto à comunidade evangélica nos dias de culto.

Thais Oliveira Pinheiro
Implicações de Gênero nas Eleições de Maria Luiza Fontenele (1985) e Luizianne Lins (2004)

Analiso comparativamente a participação política de mulheres, a partir de dois contextos políticos distintos: as eleições municipais de Fortaleza, Ceará, em 1985 e em 2004, em que Maria Luiza Fontenele e Luizianne Lins foram eleitas prefeitas, respectivamente. Procuro entender as implicações relativas à situação das duas candidatas ao pleitear cargo majoritário em cada um desses contextos. Em 1985, vivíamos no Brasil uma democracia incipiente, após um longo período de ditadura militar. A candidatura de Maria Luiza à prefeitura de Fortaleza foi considerada pela Revista Veja uma bizarrice, levando em consideração a candidata apresentar em sua trajetória pessoal e política aspectos pouco comuns, tendo se divorciado por duas vezes e ter sido militante estudantil e partidária do Partido dos Trabalhadores (PT), partido pequeno na época. Luizianne Lins vivencia outro contexto político, democracia consolidada, também se candidatou pelo PT, que neste momento assumia a presidência do país. Foi uma eleição conturbada, a candidatura de Luizianne Lins não era unanimidade para o partido, mas ela saiu candidata e foi vitoriosa nas urnas o que levou a ser considerada guerreira pelos meios de comunicação do Ceará.

Rebeca do Nascimento Coelho
O debate parlamentar sobre aborto no Brasil: posições e argumentos

A teoria política frequentemente discute sobre questões da esfera pública como se elas estivessem isoladas do mundo privado. O aborto é tanto experiência pessoal como questão política e diz respeito à autonomia, igualdade e cidadania das mulheres. Neste pôster apresentaremos dados sobre como o aborto vem sendo discutido na Câmara dos Deputados. A pesquisa que gerou esses dados faz parte de um projeto mais amplo, “Direito ao aborto e sentidos da maternidade: atores e posições em disputa no Brasil contemporâneo”, financiada pelo CNPq. O objetivo da pesquisa é mapear as posições dos parlamentares em relação ao aborto, bem como analisar quais argumentos são mobilizados para defender essas posições. Para isso, foram analisados e fichados 860 discursos sobre aborto no período de 1991 a 2013. Foi utilizado o software estatístico sphinx e as respostas estão em fase de análise. No pôster, apresentaremos os primeiros resultados da pesquisa: as posições adotadas pelos parlamentares, os principais argumentos mobilizados para as diferentes posições, bem como a interferência do sexo nas posições e argumentos. Em análise preliminar, constatamos que o argumento mais freqüente foi o da inviolabilidade da vida, seguido pelos argumentos religiosos.

Gabriela Chagas Dornelles
Rayani Mariano dos Santos
O sistema de cotas e a representação feminina no Estado do Piauí nos pleitos eleitorais de 2006 e 2012

O estudo intenciona analisar a efetividade da política de cotas na representação feminina junto ao comportamento das candidatas e dos partidos políticos no Estado do Piauí, considerando as eleições nos pleitos de 2006 e 2012. A literatura, de forma geral, demonstra que há baixa presença feminina nas instâncias políticas do país, situação decorrente do histórico patriarcal, onde o espaço público era atribuído aos homens, entendendo-se o espaço privado como das mulheres, daí o dogma de uma apatia política feminina. Para isso, faz-se necessário um estudo junto à legislação específica, bem como sobre a previsão de cotas partidárias compulsórias e a obrigatoriedade do preenchimento das vagas de mulheres. No Piauí não se verificam estudos sobre a questão do impacto que essa política de cotas pode estar causando sobre a representação feminina na política, em nível das eleições municipais. Pretende-se ainda, ponderar se a política de cotas por gênero vem provocando distorções no sistema eleitoral brasileiro e no caráter democrático de escolha de candidatas a concorrerem aos pleitos eleitorais. O fato é que apesar da Lei de Eleições, pode-se afirmar que as cotas têm tido eficácia limitada.

Silvia Cristina Carvalho Sampaio Santana