sessão de pôster
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Cultura política e democracia 1

terça-feira, 5 de Agosto de 2014 - 18:30

Debatedores

Julian Borba (UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina)

Apresentações

Aportes sobre tolerância política no Brasil: resgates, aplicações e limites prático-conceituais

Este trabalho propõe um exame do conceito de tolerância política aplicado ao Brasil, analisado em suas aplicações e limitações. Procura-se estudar este padrão atitudinal sob uma visão culturalista, com a necessidade de explicar a ocorrência de tensões intergrupos por uma ótica comportamental, que prioriza modelos de ethos e distinções intergrupos. A tolerância política possui ligações incontestáveis com o próprio ideal liberal-democrático, cujo baluarte sempre foi a liberdade de discurso e expressão, e, entendida como um padrão atitudinal, possui um viés inclusivo: ser capaz de tolerar a existência de um grupo significa ser capaz de tolerar sua expressão política. Utilizando a teoria sobre tolerância, o objetivo da pesquisa é adequar esses aportes ao caso brasileiro. Sabe-se que as temáticas e grupos-alvo podem divergir de outros regimes, mas o caso brasileiro merece atenção pela diversidade de grupos e motivações latentes. A discussão que se faz neste trabalho procura testar o pressuposto teórico de que os padrões cognitivos das atitudes políticas são os menos maleáveis, inserir o modelo tradicional na análise da realidade brasileira e apontar novos caminhos para o estudo da tolerância política no país.

Nathália França Figuerêdo Porto
Juventude e Participação Política no Brasil: Efeitos de Ciclo de Vida ou Geração?

Nos últimos anos a ciência política tem se debruçado sobre as diferenças encontradas na participação política existente entre jovens e adultos. Diversos estudos tem procurado explicar as clivagens encontradas nos repertórios de ação política sob diferentes perspectivas. Têm se destacado pesquisas com um enfoque nos efeitos geracionais, originados nas diferenças vivenciadas nos processos de socialização primárias de diferentes coortes etárias, que permitem reconhecer diferentes estratos de gerações. Outra abordagem defende que a diferença na participação política encontrada nos grupos etários está relacionada com a vivência das diferentes etapas do ciclo de vida.
Este trabalho tem por objetivo verificar a aplicabilidade destas duas perspectivas para explicar o ativismo político do jovem brasileiro. Utilizando dados provenientes do projeto Latinobarômetro e modelos que consideram efeitos de geração, período e ciclo de vida, encontramos resultados que apontam a necessidade de uma abordagem multidimensional para explicar o fenômeno da participação juvenil. No caso brasileiro a diferença encontrada na participação política entre jovens e adultos está, de fato, relacionada a incidência de efeitos de período, ciclo de vida e geração.

Lucas Toshiaki Archangelo Okado
Participação partidária no Brasil: análise longitudinal de indicadores e condicionantes

A literatura recente sobre participação política tem demonstrado a ocorrência de refluxos no engajamento nas instituições clássicas da democracia representativa, como partidos, sindicatos, e crescimento de formas alternativas de participação, como ao protesto político. Tais mudanças nos padrões de engajamento cívico dos cidadãos ainda é relativamente incerto, e ainda são precárias as avaliações sobre seus efeitos a democracia, como a diminuição do comportamento eleitoral, e a fluidez nas opiniões dos eleitores. Diante desse cenário, o presente trabalho discute o relacionamento entre o eleitorado e os partidos políticos, analisando longitudinalmente os dados referentes ao engajamento partidário no Brasil.
A metodologia utilizada para atingir os objetivos aqui propostos são os dados produzidos pelas organizações Word Valeus Survey (WVS), ano de 1997 e 2006, e ESEB ano de 2002. Inicialmente procuramos identificar a tendência evolutiva do ativismo partidário a partir de estatísticas descritivas e, posteriormente, focalizamos apenas a última onda de dados, adotamos procedimentos bivariados para analisar a relação entre o partidismo e atributos demográficas, e atitudinais dos cidadãos nacionais.

Danilo César Macri Lazare
Cultura política e credibilidade da gestão pública: a perspectiva das beneficiárias do Programa Bolsa Família

A expressão da democracia na relação Estado-Sociedade é influenciada pela cultura política dos indivíduos e instrumentalizada pelas instituições. Por sua vez, as instituições funcionam como cenário legitimo para participação social, podendo ser favorável ou não a democracia. O objetivo do trabalho consiste em identificar aspectos da cultura política das beneficiárias do Programa Bolsa Família e analisar sua relação com a credibilidade das instituições que gerenciam o programa. Utilizou-se a abordagem qualitativa, através de entrevistas semiestruturadas com 40 beneficiárias, em cinco municípios do Ceará; e da técnica de análise de conteúdo. Constatou-se como componentes culturais: desconfiança, divinização do ex-presidente e da atual presidente, participação limitada e individualismo. Há um alto de grau de desconfiança em relação às prefeituras, uma vez que existe o medo de perder o benefício e a crença na corrupção e no clientelismo. De forma inversa, as beneficiárias mostram forte confiança na presidência por subserviência à idealização e manutenção do programa. No que diz respeito à participação social, identificou-se que está limitada a reclamações sobre bloqueio ou diminuição do benefício, sempre de caráter individual.

Karine Sousa Julião
Eduardo Soares Parente
Copacalama: quando os Outros estão nus
Marcel Vidal de Albuquerque
“A Politica não é um jogo de futebol": Conscientização Politica para os jovens do Maciço de Baturité
Felipe Gadelha Rocha