Novo coordenador da Área de CP/RI da CAPES concede entrevista à ABCP

Em entrevista concedida à Secretária Executiva da ABCP, Cristina Buarque de Hollanda, o novo coordenador da área de CP/RI da CAPES, Luis Rebelo Fernandes, disse que a atual crise de financiamento do sistema nacional de ciência e tecnologia foi sua principal motivação para aceitar a indicação ao cargo.

[Você pode conferir a íntegra desta entrevista na transcrição em PDF para download no link ao final da matéria, bem como entender as funções de um Coordenador de Área também em link disponível para seção correspondente no site da CAPES]

[+ Luis Fernandes Rebelo é convidado da ABCP no XI Encontro, onde apresentará a conferência "Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia: Sistemas de Avaliação" no dia 2 de agosto, às 18h15.]

- Nós estamos vivendo uma crise no sistema de fomento e a possibilidade da áreas de Ciências Sociais e Humanas ser fortemente afetada pela realidade de recursos curtíssimos, e a preocupação com o destino da nossa área, foi a principal motivação para colocar meu nome para indicação - afirmou.

Durante cerca de uma hora, Fernandes também respondeu e apontou uma série de questões sobre o papel da CAPES e a história da agência de fomento, o processo em curso de revisão de seu sistema de avaliação, e sobre a perspectiva da área de CP/RI para as mudanças futuras, entre outros temas.

Segundo o coordenador, há grande convergência entre as 49 áreas de avaliação nas discussões e sugestões preliminares sobre a revisão do sistema. Dentre elas, Fernandes destacou duas: a primeira, seria a necessidade de maior equilíbrio entre as dimensões quantitativas e qualitativas nas avaliações dos cursos de pós-graduação. Atualmente, critérios quantitativos têm maior peso na avaliação. A segunda proposta, que aparece com alguma relevância nas discussões, seria a incorporação de exames de impactos econômicos e sociais - a níveis regionais e nacional - dos programas. Para ele, esse é um "filão" que a área de CP/RI poderia aproveitar.

- Seria muito positivo para nós, pelo nosso papel de apoio a formulação, monitoramento, subsídio de composição e avaliação de políticas públicas. É uma vantagem comparativa que pode ser realçada no sistema de avaliação ao destacar a necessidade de valorizar impactos sociais e econômicos da atuação dos programas de pós-graduação, além de ser uma competência da nossa área que é reconhecida pelas demais. Ela serve, inclusive, como canal para mitigar ou suplantar eventuais preconceitos que existam no sistema de outras áreas em relação à nossa - disse Fernandes.

Questionado sobre como os impactos sociais e econômicos poderiam ser transformados em indicador e sobre quais mudanças seriam implementadas, considerando que há um quadriênio de avaliação corrente, bem como sobre o tempo necessário para que as primeiras medidas sejam incorporadas, Fernandes foi taxativo: "tudo será discutido".

- É um debate que nós ainda iremos enfrentar. E nós vamos enfrentar quando discutirmos os documentos da área. O timing disso é - consolidadas as propostas de mudança, nós teremos que revisitar esses documentos. Pessoalmente, e eu vou defender isso ao longo do processo, nós não poderemos fazer mudanças mais profundas no meio do período de avaliação. O que podemos fazer de imediato é uma complementação de critérios e indicadores. Qualquer mudança que seja mais profunda ou que possa ter impactos mais estruturantes deverá esperar o início de um novo processo. O compromisso que eu assumi desde o início é de que, primeiro, tudo será discutido. Meu estilo de trabalhar é tentar produzir convergências em torno de propostas, e não de impor critérios à área - isso envolve uma ampla discussão com o fórum dos coordenadores dos programas e também com as associações científicas.

O coordenador também assinalou que essa revisão passa pelo sentido de estruturar o sistema de ciência e tecnologia à luz do desenvolvimento nacional. Dessa forma, ele vê como necessária a existência de critérios de avaliação mais diferenciados para ajudar a consolidação de programas em regiões com IDH mais baixo, que não tenham ainda uma tradição de pesquisa, algo que, segundo ele, também foi comentado nas reuniões do Conselho Técnico-Científico de Educação Superior (CTC-ES). Entretanto, como esses critérios seriam incorporados ao sistema é ainda ponto de debate.

Luis Fernandes também reforçou que embora a área de CP/RI tenha tido um crescimento expressivo nos últimos anos, o que gerou programas com distintas vocações, a diversidade da área deve ser usada como fator de força para mostrar sua relevância dentro do sistema nacional de pós-graduação.

- A minha preocupação como coordenador é com o fortalecimento da área, sem pretensões pessoais. O que eu vou tentar é produzir convergências, construindo a partir do patamar que já está montado. - concluiu.

Perfil

*Com informações do site DefesaNet.

Luis Manuel Rebelo Fernandes, nascido em 1958, é graduado em Relações Internacionais pela Georgetown University, mestre em Ciência Política (Ciência Política e Sociologia) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – IUPERJ, e doutor em Ciência Política (Ciência Política e Sociologia) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro - IUPERJ.

Atualmente, é professor do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e professor adjunto da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Como gestor público, exerceu as funções de Secretário Executivo do Ministério do Esporte (de 2012 a 2015) e Coordenador do Grupo Executivo da Copa do Mundo 2014 (GECOPA), Presidente da Finep (de 2007 a 2011), Secretário Executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia (de 2004 a 2007) e Diretor Científico da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro - FAPERJ (de 1999 a 2002). Sua atividade de pesquisa concentra-se em temas de Economia Política das Relações Internacionais, com destaque para os Desafios da Inovação e do Desenvolvimento na Era do Conhecimento, as Transformações nos Estados Socialistas e Ex-Socialistas, e a Reconfiguração das Relações de Poder no Sistema Internacional Pós-Guerra Fria.

 

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