Nova diretoria da ABCP é eleita

Tomou posse na última quinta-feira, dia 2 de agosto, a chapa concorrente às eleições da ABCP de 2018. Os membros da nova gestão serão responsáveis pela direção da associação pelos próximos dois anos, podendo ser reconduzidos ao cargo por mais dois.

A nova gestão foi eleita por 179 votos, dos quais 168 votos foram a favor da chapa, 7 votos foram em branco, 2 nulos e 2 votos foram invalidados por não terem sido realizados por associados com poder de voto. Os membros eleitos fizeram uma breve apresentação com um discurso de posse proferido pela nova presidenta da ABCP, Flávia Biroli. A íntegra do discurso pode ser lida abaixo:

Diretoria 2018-2020 ABCP

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer, em meu nome e no da chapa eleita para a direção nacional da ABCP, pela votação e pelo apoio que temos recebido. É uma honra assumir a presidência da nossa Associação, embora seja também um grande desafio. O apoio de associadas e associados e as qualidades do grupo de colegas que, comigo, estarão à frente da ABCP pelos próximos dois anos tornam esse desafio também uma alegria. Gostaria de ressaltar que trabalhamos para compor uma chapa que expressasse a pluralidade da Ciência Política brasileira, regionalmente e nas suas áreas e abordagens. E que houve, desde o início, um esforço para compor essa chapa com pessoas com disposição para trabalhar pelo fortalecimento da ABCP, engajando-se em diferentes projetos e frentes de trabalho que, amadurecidas conjuntamente, foram propostas em nosso programa. Faço, portanto, um agradecimento público especial às e aos colegas que compõem a chapa.

Gostaria, ainda, de agradecer pelo diálogo que tivemos nos últimos meses com colegas de diferentes instituições e, em especial, com aquelas e aqueles que estão hoje à frente das diretoriais regionais Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Norte. Ajudaram-nos, sem dúvida, a compreender melhor as questões que se colocam hoje para o fortalecimento da ABCP e da área de Ciência Política no Brasil, em suas diferentes dimensões. Neste  momento, renovo a essas pessoas e ao conjunto das associadas e associados nosso pedido de apoio e nossa disposição para o diálogo e trabalho conjunto.

Agradeço também à atual diretoria nacional pelo trabalho realizado nos últimos dois anos. Analisando as informações disponíveis sobre a história de construção institucional da ABCP e dos nossos encontros, é possível perceber que cada nova diretoria tem herdado uma Associação mais fortalecida pelo trabalho de colegas da diretoria anterior. Ao fortalecer e ampliar a ABCP, em um contexto de expansão significativa da área de Ciência Política no Brasil, legam-nos novos desafios.

Nosso objetivo é prosseguir nesse trabalho de fortalecimento institucional e colaborar para os debates sobre a área em um momento de ampliação, diversificação e qualificação da pós-graduação e da pesquisa. Como mostra o último Documento
apresentado pela coordenação da área de Ciência Política e Relações Internacionais na Capes, tem havido desde o início dos anos 2000 um crescimento contínuo no número de Programas de Pós-Graduação e nos números de estudantes e de titulações. Nesse sentido, uma de nossas propostas, o projeto editorial “Ciência Política no Brasil Hoje”, além de ser uma continuidade em relação a projetos anteriores para a construção da memória da área e da Associação, pretende ser um esforço de reflexão sobre uma área em crescimento e suas características atuais. Pretendemos, também, tornar sistemático o debate, no âmbito da Associação, sobre os periódicos acadêmicos da área, em esforços conjuntos com a representação na Capes e o Fórum de coordenadoras/es, além de fortalecer a Brazilian Political Science Review, hoje bem estruturada graças ao trabalho de sua editora e editores associados e aos esforços da diretoria atual e das que a precederam.

A expansão da área, que mencionava há pouco, pode ser percebida também na programação dos nossos eventos nacionais. Temos hoje 16 Áreas de Trabalho, às quais se soma agora mais uma, voltada para a temática das relações raciais, aprovada nesta Assembleia. Em cada um dos últimos encontros, de 2018 e 2016, as 16 ATs receberam conjuntamente mais de 800 submissões de trabalhos. Aqui em Curitiba, nesta semana, o Fórum das Regionais, em sua primeira edição, confirma a importância da atenção conferida à configuração regional da área pela atual diretoria. Nossa disposição para apoiar eventos intermediários e promover cursos de metodologia e iniciativas para ampliar a circulação de pesquisadoras/es nacionais e estrangeiros insere-se nessa frente de fortalecimento da Ciência Política nas diferentes regiões do país e poderá colaborar para aumentar a capilaridade da ABCP. Numa área que cresce, mas o faz ainda desigualmente, a dimensão regional tem especial relevância. A proposta que fazemos de 
discutir regras de alternância na coordenação das ATs inclui essa preocupação e parte de um entendimento de que o crescimento da nossa Associação torna necessária uma atenção ainda maior à institucionalização, com a adoção de regras pactuadas e de amplo conhecimento. 

Do mesmo modo, há ainda muito a fazer para reduzir as disparidades de gênero e raça na área, evitando que a diversidade existente seja neutralizada por hierarquias.
Pretendemos colaborar para a produção de conhecimento sobre a posição das mulheres, seu trabalho e os obstáculos para a igualdade de gênero e racial na Ciência Política brasileira. Além do projeto editorial “Mulheres na Ciência Política Brasileira”, que consta no nosso programa, conversas com colegas e estudantes da área reforçam meu entendimento de que seria importante constituirmos na ABCP um Comitê de Gênero, Raça e Diversidade Sexual, nos moldes do que tem ocorrido em associações estrangeiras, isto é, focado na agregação e produção de informações que possam fundamentar iniciativas para a promoção da igualdade na área.

Aproveito a menção a associações estrangeiras para registrar também nossa proposta de fortalecimento da dimensão internacional da ABCP, por meio de parcerias institucionais com associações de outros países e internacionais, visando o diálogo acadêmico e o fortalecimento de redes de pesquisa. No momento delicado em que vivemos, parece-nos, ainda, particularmente relevante ampliar a cooperação com outras associações da área de Ciências Sociais no Brasil, como ABA, SBS e ABRI.
Associadas e associados têm nos trazido, ainda, o entendimento de que é preciso um olhar mais detido para questões relativas à profissão e à inserção de profissionais que não seguem a carreira acadêmica, tema para o qual pedimos a colaboração de vocês, com a intenção de ampliar o engajamento da ABCP nesse debate e em eventuais alternativas para o fortalecimento da profissão e dos nossos cursos de graduação e pós-graduação. É um tema que já vem sendo discutido por pesquisadoras e pesquisadores da área, com os quais gostaríamos de contar para essa reflexão. O Fórum Brasileiro de Pós-Graduação em Ciência Política, que já teve 5 edições e realizará sua próxima edição na Universidade Federal do Pará em 2019 também nos parece ser uma parceria necessária nessa e em outras frentes.

A todos esses desafios, de que tratei aqui muito brevemente, somam-se aqueles que são próprios a um contexto político crítico de redução de investimentos na educação e na ciência e tecnologia. Por isso, finalizo expressando um compromisso claro com a valorização da pesquisa, com a defesa da pluralidade e da liberdade de cátedra e crítica, com o ensino público de qualidade e com a democracia.