Nota da ABCP sobre o falecimento de Hélio Jaguaribe

A Associação Brasileira de Ciência Política recebe com pesar a notícia de falecimento de Hélio Jaguaribe. Oriundo de família proprietária da Cia de Ferro e aço de Vitória e formado em Direito pela PUC-Rio, Hélio Jaguaribe (1923-2018) foi um dos primeiros e mais notórios cientistas políticos do país. Em 1955, o intelectual foi figura chave para a criação Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) e para orientar a política no sentido da ideologia nacional-desenvolvimentista. Ele foi chefe da cadeira de Ciência Política do ISEB até 1959, quando se retirou do Instituto. Suas obras, publicadas enquanto atuou na instituição, demonstram que Jaguaribe montou um aparato teórico original. Inspirado por Joseph Schumpeter, Karl Mannheim, Ortega y Gasset e Oliveira Vianna, o cientista político analisou as peculiaridades do Brasil para lhe propor mudanças que o adequassem ao processo histórico e político por ele observado. O método e as ideias do autor foram adotados pelos demais intelectuais do ISEB e pela Ciência Política que se consolidou no Brasil com sua ajuda. Entre suas proposições, estava a necessidade de uma aliança entre a Burguesia industrial nacional e os setores médios e proletários para criar coletivamente um projeto de desenvolvimento nacional. Entre os intelectuais do ISEB, Hélio Jaguaribe foi o único que se dedicou sistematicamente a analisar e propor soluções para o Brasil no plano das relações internacionais. A partir de perspectiva nacionalista,  esforçou-se por formular uma narrativa que deslocava o eixo das relações internacionais do Leste-Oeste para o Norte-Sul. Embora o ISEB tenha sido oficialmente fechado em 1964, membros do instituto formaram posteriormente o Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), o atual IESP-UERJ. As linhas de pesquisa da pós-graduação em Ciência Política do Instituto demonstram o impacto de Hélio Jaguaribe nas análises desta disciplina, que ele ajudou a fundar.