Nota de repúdio à exoneração do presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE

A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS), a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), a Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) e a Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) respaldam o Manifesto da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), publicado em 20/07/2019, em apoio ao trabalho desenvolvido pelo INPE no processo de monitoramento do desmatamento da Amazônia Brasileira.

No referido manifesto, a SBPC assinala que a ciência produzida pelo INPE está entre as melhores do mundo na sua área de atuação. Também ressalta as qualidades científicas do diretor do INPE, Ricardo Galvão, reconhecidas tanto no país quanto no contexto internacional, assim como a inconsistência das críticas feitas pelo Governo Federal aos dados de desmatamento produzidos pelo Instituto.

Na sequência do processo da infundada desqualificação do trabalho científico desenvolvido pelo INPE, no dia 2 de agosto, ocorreu a demissão do seu diretor. Este ato perpetrado pelo Governo Federal expressa um grave atentado às atividades científicas realizadas no país. Certamente, os dados produzidos pela ciência em qualquer parte do mundo são suscetíveis de questionamentos, quando advindos de argumentos sólidos e fundamentados em evidências empíricas. Ao contrário disto, a origem do questionamento improcedente do trabalho científico realizado pelo INPE apoiou-se em argumentos ideológicos e no desprezo à atividade científica.

Contestar dados embasados em pesquisa científica, sem fundamentos sólidos, não resolverá uma série de problemas tais como desmatamento da reserva florestal, mudanças climáticas, desemprego, fome, massacres de populações indígenas, violência e outras questões que têm se agravado a cada dia no país. A desqualificação sem fundamentos do trabalho sério e responsável desenvolvido pelo INPE e a consequente exoneração do seu diretor constituem um ato de extrema gravidade que coloca em risco o trabalho desenvolvido pela ciência no país, em diferentes áreas do conhecimento. Este ato irresponsável praticado pelo Governo Federal não apenas atenta contra uma instituição que representa um patrimônio científico nacional, mas também investe de maneira sórdida contra as contribuições da pesquisa para fornecer subsídios para formulação de políticas públicas que enfrentem questões cruciais no Brasil.