ESPECIAL ABCP 5ª edição: Os governos estaduais e as ações de enfrentamento à pandemia no Brasil

Acompanhe a 5ª edição do Especial ABCP "Os governos estaduais e as ações de enfrentamento à pandemia no Brasil", com análises atualizadas sobre o estado das 27 unidades federativas do País no combate à covid-19. Em 27 ensaios, um para cada estado e Distrito Federal, cientistas políticos da ABCP refletem sobre as medidas de contenção das contaminações pelo novo coronavírus a partir das ações locais. 

Acesse, também, a primeirasegundaterceira e quarta edição da série, publicadas, respectivamente, nos meses de maio, junho, julho e agosto de 2020.


ANÁLISES PUBLICADAS NESTA 5ª EDIÇÃO:

ESPECIAL VACINAÇÃO

REGIONAL SUDESTE - São PauloRio de JaneiroEspírito Santo e Minas Gerais

REGIONAL SUL - Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná

REGIONAL CENTRO-OESTE - Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás

REGIONAL NORDESTE - Sergipe, Bahia, Pernambuco, Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Alagoas

REGIONAL NORTE - Amazonas, Rondônia, Pará, Tocantins, Acre, Amapá e Roraima


* Por: Luciana Santana

No próximo dia 26 de fevereiro completamos um ano da confirmação do primeiro caso de infecção causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil. De lá para cá, já acumulamos quase 10 milhões de casos confirmados e ultrapassamos a trágica marca de 230 mil óbitos decorrentes da covid-19. O país ocupa a segunda posição entre número de mortes no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Em número total de contaminados, o país ocupa a terceira posição, atrás apenas dos EUA e da Índia.

Como podemos observar na tabela abaixo, na comparação entre as regiões, Sudeste e Nordeste são as regiões que apresentam o maior número de casos e óbitos em números absolutos. Ao considerar o total de casos e óbitos por mil habitantes, a situação se altera; o Centro-Oeste lidera, seguido pela região Sul e Norte; já em relação à taxa de óbitos por mil habitantes, o Norte apresenta a pior situação; em segundo lugar estão o Centro-Oeste e o Sul. 

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Na análise dos números de casos e óbitos, seja regionalmente ou entre os estados, é possível considerar que a evolução da doença tem se comportado de maneira muito diversa. 

No boletim anterior, publicado em agosto, percebemos que a execução de planos de flexibilização coincidiu, na maioria dos estados, com uma tendência de queda nos números da covid. Mas, desde meados do mês de novembro, o aumento de casos e óbitos diários voltou a chamar a atenção de especialistas e de gestores. Considerando a situação atual, o cientista de dados e coordenador na Rede Análise Covid, Isaac Schrarstzhaupt, elaborou um fio no Twitter no qual analisa a reversão de tendência, aumento da contaminação e mortes pela covid, e apresenta projeções futuras a partir de informações sobre aumento da mobilidade, devido a novas flexibilizações e retornos das aulas . 

Como já temos apresentado em nossos boletins, o enfrentamento da pandemia no país está marcado por muita descoordenação federativa e ausência de liderança nacional. Um estudo coordenado pela pesquisadora Deisy Ventura (USP) demostra, a partir da análise das normas federais relacionadas à pandemia, que a Presidência da República adotou estratégia institucional de propagação do vírus. Ou seja, inviabilizaram e prejudicaram muitas ações de estados e municípios. 

Ante a inação do governo federal e as estratégias institucionais adotadas, estados e municípios são atores estratégicos no enfrentamento da crise. Entretanto, notamos também que as ações e decisões tomadas no âmbito das unidades federativas variaram ao longo do tempo devido a outros fatores, seja por decisões equivocadas, pelo comportamento da doença, por pressões da população ou por eventos/episódios específicos, tais como as eleições municipais, festas de final de ano, discussões sobre vacinação, entre outros.  

Este boletim traz análises contextualizadas da pandemia nos estados e no Distrito Federal, sobre a influência das eleições e de outros eventos ocorridos nos últimos meses na evolução da doença e das ações atuais adotadas pelos governos estaduais. E como todas as atenções estão direcionadas para as vacinas e o início da imunização no país, não poderíamos deixar de tratar deste tema, que também ganha uma análise especial escrita pela pesquisadora Michelle Fernandez (UnB) no texto intitulado “A vacinação contra COVID-19 no Brasil”. 

Agradecemos à Associação Brasileira de Ciência Política pelo espaço, especialmente à ex-presidente Flávia Biroli e à atual presidente Luciana Veiga pelo apoio ao projeto. 

Os comentários e críticas são bem-vindos. Boa leitura. 

* Luciana Santana é coordenadora do Projeto: “Governos estaduais e as ações de enfrentamento à Covid-19 no País”. Doutora em Ciência Política (UFMG), Professora da Universidade Federal de Alagoas e Docente no PPGCP da UFPI. É vice-diretora da Regional Nordeste da ABCP, integra a Rede Análise Covid-19 (https://redeaanalisecovid.wordpress.com/) e a Red Politólogas. E-mail: lucianacfsantana@yahoo.com.br

Comitê editorial: Camila Maria Risso Sales (UFLA/Unifap); Flávia Biroli (UnB); Laís Forti Thomaz (UFG); Luciana Santana (UFAL); Marta Mendes da Rocha (UFJF); Olivia Perez (UFPI)

Como citar o boletim:

SANTANA, Luciana (org). V Série especial ABCP: Os governos estaduais e as ações de enfrentamento à pandemia no Brasil. Site Associação Brasileira de Ciência Política: 08 a 12 de fevereiro de 2021. 

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