{"id":175,"date":"2020-07-12T02:43:15","date_gmt":"2020-07-12T02:43:15","guid":{"rendered":"https:\/\/tmp.cienciapolitica.org.br\/2020\/07\/12\/especial-abcp-acoes-rio-grande-sul\/"},"modified":"2020-07-12T02:43:15","modified_gmt":"2020-07-12T02:43:15","slug":"especial-abcp-acoes-rio-grande-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/especial-abcp-acoes-rio-grande-sul\/","title":{"rendered":"ESPECIAL ABCP: As a\u00e7\u00f5es do Rio Grande do Sul no enfrentamento \u00e0 pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o primeiro texto da s\u00e9rie de an\u00e1lises contextualizadas de cada um dos estados brasileiros, no especial &#8220;Os governos estaduais e as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia no Brasil&#8221;, publicado entre os dias 8 e 12 de junho na p\u00e1gina da ABCP. Acompanhe!<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<h4><em>Este \u00e9 o primeiro texto da s\u00e9rie de an\u00e1lises contextualizadas de cada um dos estados brasileiros, no especial &#8220;<a href=\"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/noticias\/2020\/06\/especial-abcp-governos-estaduais-e-acoes-enfrentamento\">Os governos estaduais e as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia no Brasil<\/a>&#8220;, publicado entre os dias 8 e 12 de junho na p\u00e1gina da ABCP. Acompanhe!<\/em><\/h4>\n<hr \/>\n<p><strong>Rio Grande do Sul: sistemas de bandeiras em meio \u00e0&nbsp;expans\u00e3o da pandemia<\/strong><\/p>\n<p>Nome do(a)&nbsp;autor(a):Rodrigo Mayer<\/p>\n<p>Institui\u00e7\u00f5es \u00e0s quais&nbsp;o&nbsp;autor&nbsp;est\u00e1&nbsp;vinculado:&nbsp;Universidade Estadual de Ponta Grossa<\/p>\n<p>Titula\u00e7\u00e3o:&nbsp;Doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul<\/p>\n<p>Regi\u00e3o:&nbsp;Sul<\/p>\n<p>Governador (Partido):&nbsp;Eduardo Leite (PSDB)<\/p>\n<p>Popula\u00e7\u00e3o:&nbsp;11.377.239<\/p>\n<p>N\u00famero de munic\u00edpios:&nbsp;497<\/p>\n<p>Casos confirmados em 05\/06\/2020:&nbsp;9.919<\/p>\n<p>\u00d3bitos confirmados em 05\/06\/2020:&nbsp;302<\/p>\n<p>Casos por 100 mil hab.:&nbsp;101.80853<\/p>\n<p>\u00d3bitos por 100 mil hab.:&nbsp;0.0238<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>* Por:&nbsp;Rodrigo Mayer<\/strong><\/p>\n<p>O estado do Rio Grande do Sul foi um dos primeiros a flexibilizar o distanciamento social no come\u00e7o de maio e a adotar um sistema de bandeiras para classificar os n\u00edveis de cont\u00e1gio e capacidade&nbsp; do sistema de sa\u00fade no enfrentamento da pandemia.<\/p>\n<p>Todavia, a abertura do Estado n\u00e3o foi acompanhada pela diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de casos ou de interna\u00e7\u00f5es conforme o gr\u00e1fico abaixo:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\" N\u00famero de casos e \u00f3bitos por Covid-19 no Rio Grande do Sul\" data-caption=\"N\u00famero de casos e \u00f3bitos por Covid-19 no Rio Grande do Sul (Fonte: Site da Secretaria de Sa\u00fade do Rio Grande do Sul, 2020)\" data-entity-type=\"file\" data-entity-uuid=\"af5df84a-212b-4f7f-8c5a-cf6a6110f477\" src=\"\/sites\/default\/files\/imagens\/wysiwyg\/rio%20grande.png\" \/><\/p>\n<p>Da mesma forma que, nos demais estados da federa\u00e7\u00e3o, a velocidade de cont\u00e1gio e \u00f3bitos no Rio Grande do Sul apresenta grande crescimento a partir de maio. O aumento foi acompanhado pelo relaxamento do distanciamento social e pelo deslocamento do centro da pandemia de Porto Alegre para o interior, mais precisamente para a cidade de Lajeado que apresenta 1329 casos da doen\u00e7a e 19 \u00f3bitos.<\/p>\n<p>A flexibiliza\u00e7\u00e3o do distanciamento social ocorreu a partir de um sistema de classifica\u00e7\u00e3o semanal da capacidade de atendimento e propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus por meio de bandeiras (amarela, laranja, vermelha e preta). Os munic\u00edpios ga\u00fachos foram divididos em vinte regi\u00f5es e sete macrorregi\u00f5es de acordo com sua capacidade do sistema de sa\u00fade, al\u00e9m de cada uma contar com um hospital de refer\u00eancia com leitos de UTI para Covid-19.<\/p>\n<p>Nas avalia\u00e7\u00f5es de maio, as regi\u00f5es ga\u00fachas encontraram-se majoritariamente entre baixo risco (amarelo) e risco moderado (laranja), com somente uma regi\u00e3o&nbsp;classificada como de alto risco (vermelho), a regi\u00e3o dos Vales, principalmente pela expans\u00e3o dos casos em Lajeado devido \u00e0 alta quantidade de casos entre funcion\u00e1rios do ramo frigor\u00edfico. No entanto, mesmo com o grande crescimento de casos e \u00f3bitos, os dados apresentados pelo governo apresentam um cen\u00e1rio de relativo controle da gravidade da pandemia no Estado no m\u00eas de maio, com o crescimento de regi\u00f5es com baixo risco e a aus\u00eancia de classifica\u00e7\u00f5es de alto risco (vermelho) e alt\u00edssimo risco (preto) nos \u00faltimos boletins.<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico acima mostrou crescimento cont\u00ednuo e acelerado dos casos de Covid-19 no Rio Grande do Sul. Como mesmo com o avan\u00e7o da doen\u00e7a em solo ga\u00facho a classifica\u00e7\u00e3o apresentou tend\u00eancia de baixo risco? A resposta do governo para isso vem da estabilidade da ocupa\u00e7\u00e3o dos leitos de UTI em torno de setenta por cento e do uso de respiradores em aproximadamente trinta e sete por cento. \u00c9 importante salientar que os indicadores de capacidade do sistema e de sua mudan\u00e7a t\u00eam um peso maior no c\u00e1lculo, o que leva a uma impress\u00e3o de controle, mesmo com o avan\u00e7o da pandemia.<\/p>\n<p>Mesmo com essa relativa estabilidade do sistema de sa\u00fade do estado, o crescimento do n\u00famero de casos preocupa e levanta questionamentos sobre a abertura parcial precoce do com\u00e9rcio local, a capacidade hospitalar, a fiscaliza\u00e7\u00e3o e se o governador ter\u00e1 for\u00e7a pol\u00edtica para decretar isolamentos mais r\u00edgidos.<\/p>\n<p>Por que mesmo com a expans\u00e3o do n\u00famero de casos e a n\u00e3o diminui\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o dos leitos a flexibiliza\u00e7\u00e3o foi adotada? Simplificando, as medidas foram tomadas pela ina\u00e7\u00e3o deliberada do governo federal no aux\u00edlio aos entes, o que levou a uma situa\u00e7\u00e3o de estrangulamento da capacidade dos estados em lidar com a pandemia e a press\u00f5es dos prefeitos e de grupos econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao segundo ponto, inicialmente a press\u00e3o por parte dos prefeitos e do empresariado ga\u00facho se deu pela expans\u00e3o do n\u00famero de servi\u00e7os considerados essenciais e, ap\u00f3s, por regras de reabertura do com\u00e9rcio e demais atividades.<\/p>\n<p>O sistema de monitoramento traz alguns desafios de coopera\u00e7\u00e3o para o governo do estado e munic\u00edpios ga\u00fachos. O primeiro trata&nbsp;da integra\u00e7\u00e3o dos dados hospitalares (quantidade e ocupa\u00e7\u00e3o de leitos e UTI) e do avan\u00e7o da pandemia na cidade e na regi\u00e3o. O segundo envolve a aplica\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o das medidas de reabertura. Neste ponto, \u00e9 bom lembrar que as prefeituras tamb\u00e9m t\u00eam autonomia \u2013 respeitando a legisla\u00e7\u00e3o estadual \u2013 para definir regras de reabertura do com\u00e9rcio.&nbsp;<\/p>\n<p>O problema da fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9&nbsp;anterior \u00e0&nbsp;flexibiliza\u00e7\u00e3o do isolamento social. No entanto, o avan\u00e7o da pandemia em maio apontou dificuldades de inspe\u00e7\u00e3o e que provavelmente a reabertura foi prematura.<\/p>\n<p>Os casos que mais exemplificam as dificuldades de cumprimento das normas sanit\u00e1rias se referem \u00e0 atividade frigor\u00edfica. O setor de carnes foi considerado desde o come\u00e7o da pandemia como essencial, por\u00e9m, seus funcion\u00e1rios apresentaram altos \u00edndices de infec\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s o relaxamento, o n\u00famero de funcion\u00e1rios de frigor\u00edficos infectados pela Covid-19&nbsp;representa 30% dos casos no Estado.<\/p>\n<p>A alta incid\u00eancia de casos em cidades com frigor\u00edficos \u2013 e outras localidades que abrigam os trabalhadores destas empresas \u2013 vem de problemas de seguran\u00e7a sanit\u00e1ria destas empresas, que, segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT), apresentaram aglomera\u00e7\u00f5es de funcion\u00e1rios, falta de circula\u00e7\u00e3o de ar, poucos testes, grande n\u00famero de funcion\u00e1rios assintom\u00e1ticos, entre outros fatores.&nbsp;<\/p>\n<p>Os problemas no setor de carnes levantam quest\u00f5es sobre o funcionamento do sistema de bandeiras, pois este n\u00e3o foi acompanhado de um sistema de testagem em massa (apesar do aumento do n\u00famero de testes no estado), al\u00e9m das dificuldades para fiscaliza\u00e7\u00e3o e a aplica\u00e7\u00e3o das normas sanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>O sistema de bandeiras para determinar o grau de distanciamento em cada regi\u00e3o do estado apresenta vantagens como&nbsp;integrar os sistemas de sa\u00fade e&nbsp;desenhar pol\u00edticas p\u00fablicas de acordo com os problemas de cada regi\u00e3o. Um problema do sistema vem da capacidade do governo estadual em lidar com as press\u00f5es de empres\u00e1rios e prefeitos caso haja necessidade de maior distanciamento. O sistema adotado pode atenuar os problemas, pois, ao classificar em regi\u00f5es, o avan\u00e7o em um munic\u00edpio \u00e9 \u201ccompensado\u201d pela diminui\u00e7\u00e3o ou estabilidade em outra, mantendo a classifica\u00e7\u00e3o em n\u00edveis de baixo ou moderado risco e, portanto, atenuando a necessidade de medidas de controle mais dr\u00e1sticas.<\/p>\n<p>O Rio Grande do Sul foi pioneiro no processo de abertura controlada das atividades comerciais. No entanto, o avan\u00e7o da pandemia em seu territ\u00f3rio levanta questionamentos se essa n\u00e3o ocorreu cedo demais e se o governador conseguir\u00e1 endurecer as medidas, caso o cen\u00e1rio piore.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o primeiro texto da s\u00e9rie de an\u00e1lises contextualizadas de cada um dos estados brasileiros, no especial &#8220;Os governos estaduais e as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia no Brasil&#8221;, publicado entre os dias 8 e 12 de junho na p\u00e1gina da ABCP. 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