{"id":177,"date":"2020-07-12T03:13:17","date_gmt":"2020-07-12T03:13:17","guid":{"rendered":"https:\/\/tmp.cienciapolitica.org.br\/2020\/07\/12\/especial-abcp-acoes-parana-enfrentamento\/"},"modified":"2020-07-12T03:13:17","modified_gmt":"2020-07-12T03:13:17","slug":"especial-abcp-acoes-parana-enfrentamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/especial-abcp-acoes-parana-enfrentamento\/","title":{"rendered":"ESPECIAL ABCP: As a\u00e7\u00f5es do Paran\u00e1 no enfrentamento \u00e0 pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o terceiro texto da s\u00e9rie de an\u00e1lises contextualizadas de cada um dos estados brasileiros, no especial &#8220;Os governos estaduais e as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia no Brasil&#8221;, publicado entre os dias 8 e 12 de junho na p\u00e1gina da ABCP. Acompanhe!<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<h4><em>Este \u00e9 o terceiro texto da s\u00e9rie de an\u00e1lises contextualizadas de cada um dos estados brasileiros, no especial &#8220;<a href=\"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/noticias\/2020\/06\/especial-abcp-governos-estaduais-e-acoes-enfrentamento\">Os governos estaduais e as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia no Brasil<\/a>&#8220;, publicado entre os dias 8 e 12 de junho na p\u00e1gina da ABCP. Acompanhe!<\/em><\/h4>\n<hr \/>\n<p><strong>O Paran\u00e1 e a covid-19: na encruzilhada dos n\u00fameros<\/strong><\/p>\n<p>Nome dos(as)&nbsp;autores(as)&nbsp;e respectivas institui\u00e7\u00f5es \u00e0s quais est\u00e3o vinculados(as):<\/p>\n<p>Luiz Fernando Vasconcellos de Miranda (UNILA); Rodrigo Rossi Horochovski (UFPR) e&nbsp;Maiane Bittencourt (UFPR)<\/p>\n<p>Titula\u00e7\u00e3o dos autores e institui\u00e7\u00e3o em que a obteve:&nbsp;Luiz Fernando Vasconcellos de Miranda &#8211;&nbsp;Doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica (UFF);&nbsp;Rodrigo Rossi Horochovski &#8211; Doutor em Sociologia Pol\u00edtica &#8211;&nbsp;(UFSC);&nbsp;Maiane Bittencourt \u2013 Mestranda em Ci\u00eancia Pol\u00edtica (UFPR)<\/p>\n<p>Regi\u00e3o:&nbsp;Sul<\/p>\n<p>Governador (Partido):&nbsp;Ratinho J\u00fanior (PSD)<\/p>\n<p>Popula\u00e7\u00e3o:&nbsp;11.433.957 (est. IBGE, 01\/07\/2019)<\/p>\n<p>N\u00famero de munic\u00edpios:&nbsp;399<\/p>\n<p>Casos confirmados em 06\/06\/2020:&nbsp;6604<\/p>\n<p>\u00d3bitos confirmados em 06\/06\/2020:&nbsp;232<\/p>\n<p>Casos por 100 mil hab.:&nbsp;48<\/p>\n<p>\u00d3bitos por 100 mil hab.:&nbsp;1,9<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>* Por: Luiz Fernando Vasconcellos de Miranda,&nbsp;Rodrigo Rossi Horochovski&nbsp;e&nbsp;Maiane Bittencourt<\/strong><\/p>\n<p>Com um IDH-M de 0,792, o Paran\u00e1 ocupa a quinta posi\u00e7\u00e3o em desenvolvimento humano entre as unidades federativas do Brasil. Seus indicadores de expectativa de vida \u2013 77,7 anos, sexta maior do pa\u00eds \u2013 e mortalidade infantil \u2013 taxa de 8,9 \u2030, segunda menor \u2013 s\u00e3o melhores que as m\u00e9dias nacionais (respectivamente, 76 anos e 12,4 a cada mil nascidos vivos, segundo o IBGE) e podem ser tomados como <em>proxies<\/em> das condi\u00e7\u00f5es sociais e sanit\u00e1rias do estado. Esta breve caracteriza\u00e7\u00e3o permite-nos entender melhor como a infraestrutura e os indicadores sociais do estado auxiliam o enfrentamento da atual pandemia do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Neste relat\u00f3rio, usamos dados da Secretaria de Sa\u00fade do Paran\u00e1 (SESA\/PR) e not\u00edcias oficiais do governo do estado e da m\u00eddia. As an\u00e1lises t\u00eam dois enfoques: o primeiro s\u00e3o os n\u00fameros oficiais da Covid-19; o segundo discute, mediante outros indicadores, at\u00e9 que ponto tais n\u00fameros espelham o que efetivamente acontece no estado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia. Al\u00e9m disso, quando necess\u00e1rio, nos remetemos \u00e0 cronologia recente do problema.<\/p>\n<p>Quando olhamos o retrato atual, o Paran\u00e1 se sai bem (gr\u00e1ficos 1 e 2). O estado est\u00e1 entre os menos afetados pelo coronav\u00edrus, seja no n\u00famero de casos, seja de \u00f3bitos, mormente quando os n\u00fameros s\u00e3o relacionados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"N\u00famero absoluto de Casos e \u00d3bitos por UF (6\/6\/2020)\" data-caption=\"N\u00famero absoluto de Casos e \u00d3bitos por UF (6\/6\/2020)\" data-entity-type=\"file\" data-entity-uuid=\"3678fa7c-26de-4666-a0b2-8773610666ee\" height=\"556\" src=\"\/sites\/default\/files\/imagens\/wysiwyg\/parana.png\" width=\"695\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"N\u00famero de casos e \u00f3bitos por cem mil habitantes (6\/6\/2020)\" data-caption=\"N\u00famero de casos e \u00f3bitos por cem mil habitantes (6\/6\/2020)\" data-entity-type=\"file\" data-entity-uuid=\"a6c5eb44-113e-4c5d-af90-8428c0051694\" height=\"559\" src=\"\/sites\/default\/files\/imagens\/wysiwyg\/parana%201.png\" width=\"697\" \/><\/p>\n<p>Constata\u00e7\u00e3o semelhante adv\u00e9m quando analisamos o estado isoladamente. Considerando a trajet\u00f3ria da covid-19 em uma perspectiva temporal, entre os primeiros casos e \u00f3bitos, registrados em mar\u00e7o, at\u00e9 a segunda quinzena de abril, o Paran\u00e1 vinha tendo um bom desempenho no controle da pandemia e de seu avan\u00e7o. Isso pode ser observado no gr\u00e1fico 3.<\/p>\n<p>A disposi\u00e7\u00e3o dos dados em escala logar\u00edtmica permite vislumbrar tr\u00eas tend\u00eancias: crescimento acentuado at\u00e9 6 de abril; at\u00e9 16 de maio, redu\u00e7\u00e3o do ritmo de aumento, tendente \u00e0 desejada estabiliza\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros que antecede a melhoria do cen\u00e1rio e com o chamado achatamento da curva; e, desse dia em diante, a curva ascendente come\u00e7a a se acentuar lentamente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"N\u00fameros absolutos de casos e \u00f3bitos \u2013 Paran\u00e1 (em escala logar\u00edtmica)\" data-caption=\"N\u00fameros absolutos de casos e \u00f3bitos \u2013 Paran\u00e1 (em escala logar\u00edtmica)\" data-entity-type=\"file\" data-entity-uuid=\"25cb070d-00c2-489e-ac61-642c48bf6b05\" height=\"558\" src=\"\/sites\/default\/files\/imagens\/wysiwyg\/parana%203.png\" width=\"697\" \/><\/p>\n<p>Como se chegou a esta situa\u00e7\u00e3o? O estado tomou provid\u00eancias importantes antes mesmo de registrar \u00f3bitos. As duas primeiras mortes no estado aconteceram em 27 de mar\u00e7o. Duas semanas antes, no dia 12, quando o primeiro caso foi registrado, medidas come\u00e7aram a ser tomadas, como a assinatura, pelo governador Ratinho Junior, de decreto proibindo eventos culturais e autorizando o trabalho remoto para parte dos servidores p\u00fablicos. No dia seguinte, novo decreto suspendeu aulas nas escolas e nas universidades do estado. No dia 20 de mar\u00e7o, o governo decretou estado de emerg\u00eancia, regulamentando atividades essenciais e determinando o fechamento do com\u00e9rcio. As principais cidades paranaenses, especialmente a capital, Curitiba, seguiram inicialmente a mesma linha de a\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<p>Em suma, \u00e9 poss\u00edvel dizer que em mar\u00e7o e at\u00e9 meados de abril o Paran\u00e1 agiu na contram\u00e3o do pr\u00f3prio governo federal, conseguiu antecipar-se e evitou o quadro mais agudo que se instalou em outros estados. Como seria de se esperar, o estado busca capitalizar politicamente este bom desempenho. Como exemplo disso, no dia 19 de maio, a Ag\u00eancia Estadual de Not\u00edcias, \u00f3rg\u00e3o oficial de comunica\u00e7\u00e3o do governo do estado, publicou mat\u00e9ria sob o t\u00edtulo \u201cParan\u00e1 tem menor taxa de crescimento da Covid-19 do Brasil\u201d.<\/p>\n<p>At\u00e9 aqui nos baseamos nos dados oficiais sobre a Covid-19. H\u00e1 elementos, por\u00e9m, que sinalizam os limites desta an\u00e1lise. Destacamos dois: o primeiro \u00e9 a baixa testagem. Embora o estado tenha anunciado que iria ampliar significativamente o n\u00famero de testes de detec\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus, os n\u00fameros seguem t\u00edmidos e, at\u00e9 o dia 4 de junho, foram realizados 3.082 testes\/milh\u00e3o de habitantes, segundo o Informe Epidemiol\u00f3gico da Secretaria de Sa\u00fade do Paran\u00e1 (SESA\/PR). \u00c9 muito aqu\u00e9m dos pa\u00edses que mais testam no mundo (Portugal e Espanha, por exemplo, testam cerca de 50 mil\/milh\u00e3o).<\/p>\n<p>Os indicadores gerais de mortalidade tamb\u00e9m s\u00e3o importantes nesta an\u00e1lise. Entre abril de 2019 e abril de 2020, houve um crescimento de 2.162 \u00f3bitos, fen\u00f4meno que acontece em todo o pa\u00eds, a despeito do isolamento social, que levaria a uma tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o de certos tipos de \u00f3bitos, especialmente os provocados por causas externas (homic\u00eddios, acidentes de tr\u00e2nsito e trabalho, entre outros).&nbsp;<\/p>\n<p>Outro indicador sugere que os n\u00fameros da covid-19 podem estar sendo subestimados no Paran\u00e1: os \u00f3bitos registrados como de S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (SRAG). O gr\u00e1fico 4 traz a compara\u00e7\u00e3o entre iguais per\u00edodos de 2019 e 2020.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"COMPARATIVO DE MORTES SARG 2019 X 2020\" data-caption=\"COMPARATIVO DE MORTES SARG 2019 X 2020\" data-entity-type=\"file\" data-entity-uuid=\"2fb67247-2ca7-49a9-bc9c-26af113fdb9f\" height=\"511\" src=\"\/sites\/default\/files\/imagens\/wysiwyg\/parana%204.png\" width=\"639\" \/><\/p>\n<p>O problema da din\u00e2mica de combate ao Covid-19 \u00e9 que agentes p\u00fablicos paranaenses, principalmente nos executivos estadual e municipal, podem estar tomando decis\u00f5es baseadas em n\u00fameros que n\u00e3o retratam fielmente a situa\u00e7\u00e3o no Paran\u00e1. Nas \u00faltimas semanas, ocorreram v\u00e1rios movimentos de flexibiliza\u00e7\u00e3o do isolamento social e de reabertura do com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Houve reuni\u00f5es do governador com o empresariado para discutir regras de retomada e a\u00e7\u00f5es paulatinas de reabertura, como o estabelecimento de protocolos para cultos religiosos. \u00c9 a resposta que os governos v\u00eam dando a press\u00f5es tanto do governo federal, quanto de grupos e organiza\u00e7\u00f5es representando setores econ\u00f4micos. Resta saber se este caminho \u00e9 o correto. Para isso, os n\u00fameros oficiais teriam de espelhar a real situa\u00e7\u00e3o da covid-19 no Paran\u00e1. Os dados que analisamos aqui sugerem que isso pode n\u00e3o estar acontecendo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o terceiro texto da s\u00e9rie de an\u00e1lises contextualizadas de cada um dos estados brasileiros, no especial &#8220;Os governos estaduais e as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia no Brasil&#8221;, publicado entre os dias 8 e 12 de junho na p\u00e1gina da ABCP. 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