{"id":265,"date":"2020-08-24T02:30:26","date_gmt":"2020-08-24T02:30:26","guid":{"rendered":"https:\/\/tmp.cienciapolitica.org.br\/2020\/08\/24\/especial-abcp-acoes-parana-enfrentamento-pandemia\/"},"modified":"2020-08-24T02:30:26","modified_gmt":"2020-08-24T02:30:26","slug":"especial-abcp-acoes-parana-enfrentamento-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/especial-abcp-acoes-parana-enfrentamento-pandemia\/","title":{"rendered":"ESPECIAL ABCP: As a\u00e7\u00f5es do Paran\u00e1 no enfrentamento \u00e0 pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o primeiro texto da 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o do especial &#8220;Os governos estaduais e as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia no Brasil&#8221;, publicado entre os dias 24\u00a0e 28\u00a0de agosto na p\u00e1gina da ABCP. Acompanhe!<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<h4><em>Este \u00e9 o primeiro texto da 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o do especial &#8220;Os governos estaduais e as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia no Brasil&#8221;, publicado entre os dias 24&nbsp;e 28&nbsp;de agosto na p\u00e1gina da ABCP. Acompanhe!<\/em><\/h4>\n<h4><em>Para ler a an\u00e1lise sobre o Paran\u00e1 publicada na \u00faltima&nbsp;edi\u00e7\u00e3o, clique <a href=\"https:\/\/tmp.cienciapolitica.org.br\/2020\/07\/12\/especial-abcp-acoes-parana-enfrentamento\/\">aqui<\/a>!<\/em><\/h4>\n<h4><em>Para ter acesso a todas&nbsp;as an\u00e1lises publicadas nesta&nbsp;4\u00aa edi\u00e7\u00e3o, clique <a href=\"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/projetos\/especial-abcp-4a-edicao-governos-estaduais-e-acoes\">aqui<\/a>!<\/em><\/h4>\n<hr \/>\n<p><span><span><span><strong><span><span>Paran\u00e1: cinco meses de pandemia<\/span><\/span><\/strong><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>Nome dos(as)&nbsp;autores(as)&nbsp;e respectivas institui\u00e7\u00f5es \u00e0s quais est\u00e3o vinculados(as):<\/p>\n<p>Rodrigo Rossi Horochovski (UFPR); Luiz Fernando Vasconcellos de Miranda (UNILA);&nbsp;e&nbsp;Maiane Bittencourt (UFPR)<\/p>\n<p>Titula\u00e7\u00e3o dos autores e institui\u00e7\u00e3o em que a obteve:&nbsp;Rodrigo Rossi Horochovski &#8211; Doutor em Sociologia Pol\u00edtica &#8211;&nbsp;(UFSC);&nbsp;Luiz Fernando Vasconcellos de Miranda &#8211;&nbsp;Doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica (UFF); e&nbsp;Maiane Bittencourt \u2013 Mestranda em Ci\u00eancia Pol\u00edtica (UFPR)<\/p>\n<p>Regi\u00e3o:&nbsp;Sul<\/p>\n<p>Governador (Partido):&nbsp;Ratinho Junior (PSD)<\/p>\n<p>Popula\u00e7\u00e3o:&nbsp;11.433.957 (est. IBGE, 01\/07\/2019)<\/p>\n<p>N\u00famero de munic\u00edpios:&nbsp;399<\/p>\n<p><span><span><span><span><span>Data do registro do primeiro caso no estado:<\/span><\/span><strong><span><span>&nbsp;<\/span><\/span><\/strong><span><span><span>12\/03\/2020<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span>Data do primeiro \u00f3bito no estado:<\/span><\/span><strong><span><span>&nbsp;<\/span><\/span><\/strong><span><span><span>23\/03\/2020<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>Casos confirmados em 21\/08\/2020:&nbsp;<span><span><span><span><span><span>122.245<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00d3bitos confirmados em 21\/08\/2020: <span><span><span><span><span><span>2.891<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>Casos por 100 mil hab.: <span><span><span><span><span><span>982<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00d3bitos por 100 mil hab.: <span><span><span><span><span><span>25,28<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span>Decreto estadual em vigor no dia 23\/08\/2020:&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span>4230\/2020&nbsp;(dispon\u00edvel <a href=\"http:\/\/www.cedca.pr.gov.br\/arquivos\/File\/2020\/DecretoEstadual4230_COVID19.pdf\">aqui<\/a>)<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span>Indice de isolamento social no estado:&nbsp;<a href=\"https:\/\/mapabrasileirodacovid.inloco.com.br\/pt\/\"><span>40,5%<\/span><\/a><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>* Por: Rodrigo Rossi Horochovski; Luiz Fernando Vasconcellos de Miranda&nbsp;e&nbsp;Maiane Bittencourt<\/strong><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>O estado do Paran\u00e1 foi um dos \u00faltimos a ver o crescimento de casos e \u00f3bitos por covid-19 se acelerar. Quando se observam as curvas de casos e \u00f3bitos nota-se que, a partir do dia 5 de abril, h\u00e1 um crescimento acentuado da curva at\u00e9 cerca do dia 15 do mesmo m\u00eas, quando ela perde for\u00e7a. Esses dias n\u00e3o foram suficientes para fazer o n\u00famero absoluto de casos crescer significativamente no per\u00edodo. A partir daquele momento, o Paran\u00e1 passa a ter uma curva mais suavizada, que vem crescendo em escala logar\u00edtmica com tend\u00eancia a suaviza\u00e7\u00e3o paulatina.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>A rea\u00e7\u00e3o inicial do governo do estado frente \u00e0&nbsp;pandemia foi quase de todo positiva. P\u00f4de-se ver o governo emitir uma s\u00e9rie de decretos para regular o isolamento social, bem como se&nbsp;utilizar&nbsp;de algumas de suas empresas estatais \u2013 por exemplo, de saneamento (Sanepar), de energia (Copel) e&nbsp;de habita\u00e7\u00e3o (Cohapar) para oferecer tarifas sociais e at\u00e9 suspens\u00e3o de cobran\u00e7as de financiamento. Ratinho Junior (PSD) tamb\u00e9m se esfor\u00e7ou para aumentar o n\u00famero de leitos de enfermaria e de UTIs, uma das necessidades urgentes de combate \u00e0 covid daquele momento. Vimos, portanto, um aumento da infraestrutura hospitalar do estado.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>\u00c9 tamb\u00e9m naquele momento que surgem as press\u00f5es empresariais para a diminui\u00e7\u00e3o das regras de isolamento, ou mesmo sua suspens\u00e3o. A rea\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio Igua\u00e7u foi a de sentar para negociar com os v\u00e1rios ramos empresariais e ofertar compensa\u00e7\u00f5es com perdas de arrecada\u00e7\u00e3o, suspens\u00e3o de d\u00edvidas e prorroga\u00e7\u00e3o de prazos de precat\u00f3rios. Esta disputa por interesses divergentes, a qual ainda tem embates atualmente, teve como desfecho parcial, em abril, a decis\u00e3o do governador Ratinho Junior de delegar a palavra final sobre o isolamento social \u00e0s prefeituras, essas muito mais sens\u00edveis a press\u00f5es empresariais locais e regionais.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>No m\u00eas de maio ainda encontramos o estado numa situa\u00e7\u00e3o de relativo&nbsp;controle sobre a doen\u00e7a. O n\u00famero de casos e \u00f3bitos vinha subindo, mas o Paran\u00e1 era um dos estados menos afetados pela covid. At\u00e9 o dia 16 de maio havia uma tend\u00eancia de achatamento ligeiro da curva e, depois, um ritmo de crescimento um pouco alto, mas o estado ainda apresentava n\u00fameros absolutos pequenos (pouco mais de dois mil casos e 200 mortes registradas). <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Um dado que poderia estar camuflando esse cen\u00e1rio seria a baixa testagem entre a popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o somente o estado do Paran\u00e1, o Brasil como um todo&nbsp;carecia de verifica\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de cont\u00e1gio entre a popula\u00e7\u00e3o. A ideia de uma testagem em massa vem com o princ\u00edpio sanit\u00e1rio que, conjugado com o isolamento social, permitiria identificar mais precisamente os infectados para, num segundo momento, rastrear os contatos destas pessoas e isolar os outros infectados. <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Assim, se conseguiria fazer uma reabertura segura e a economia e a vida social poderiam se restabelecer sob um n\u00edvel controlado. Isto foi exatamente o que n\u00e3o fizemos. A testagem continua baixa no Paran\u00e1 e nos outros estados brasileiros. O que podemos afirmar sobre esse per\u00edodo \u00e9 que o Paran\u00e1 provavelmente se beneficiou dos decretos sanit\u00e1rios assinados pelo governador at\u00e9 meados de abril. O que come\u00e7a a acontecer, naquele momento, mas que s\u00f3 se ver\u00e1 com mais for\u00e7a no m\u00eas de julho&nbsp;\u00e9 um <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><em><span>turning point<\/span><\/em><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span>. Se o estado vinha se beneficiando de medidas sanit\u00e1rias adequadas, com o fim de uma pol\u00edtica um pouco mais austera de controle do isolamento social e as reaberturas precoces de alguns dos munic\u00edpios, vira o jogo da pandemia que o estado parecia estar ganhando.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>O m\u00eas de junho consolida a tend\u00eancia de crescimento de casos e \u00f3bitos no estado do Paran\u00e1, tend\u00eancia observada em todos os estados da Regi\u00e3o Sul e em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, na Regi\u00e3o Centro-Oeste. A impress\u00e3o que se tem \u00e9 a de que, em se tratando exclusivamente do Paran\u00e1, a for\u00e7a para manter as medidas sanit\u00e1rias corretas se esgotou e o que passamos a ver \u00e9 um cen\u00e1rio em que as recomenda\u00e7\u00f5es da OMS n\u00e3o s\u00e3o cumpridas [1]<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span>. Abaixo encontram-se os mapas dos casos e \u00f3bitos confirmados por covid-19, no dia 24 de julho. Eles come\u00e7am a retratar parte dessa revers\u00e3o de cen\u00e1rio.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"Mapa 1 \u2013 Casos Confirmados de Covid-19 no Paran\u00e1 em 24\/07\/20\" data-caption=\"Mapa 1 \u2013 Casos Confirmados de Covid-19 no Paran\u00e1 em 24\/07\/20\" data-entity-type=\"file\" data-entity-uuid=\"bb3bb038-616a-403d-b785-048993a4fff6\" src=\"\/sites\/default\/files\/imagens\/wysiwyg\/abcp-parana%201.png\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"Mapa 2 \u2013 \u00d3bitos Confirmados por Covid-19 no Paran\u00e1 em 24\/07\/20\" data-caption=\"Mapa 2 \u2013 \u00d3bitos Confirmados por Covid-19 no Paran\u00e1 em 24\/07\/20\" data-entity-type=\"file\" data-entity-uuid=\"93295d0c-6583-4465-8313-1abd0294c179\" src=\"\/sites\/default\/files\/imagens\/wysiwyg\/abcp-parana%202.png\" \/><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>O que j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel verificar, numa an\u00e1lise inicial dos mapas, \u00e9 que a pandemia j\u00e1 havia se espalhado por boa parte dos munic\u00edpios do estado, mas se concentrava, principalmente, na regi\u00e3o litor\u00e2nea, metropolitana, norte e oeste. Estes dados parecem corroborar, por sua vez, o mapa sobre \u2018Vetores Rodovi\u00e1rios da covid-19 no estado do Paran\u00e1\u2019, que mostra como os eixos rodovi\u00e1rios s\u00e3o fortes fatores explicativos para a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus [2]<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span>. Se seguirmos nossa an\u00e1lise e compararmos o Paran\u00e1 com os outros estados da federa\u00e7\u00e3o veremos, entretanto, que o n\u00famero absoluto de casos e \u00f3bitos, e n\u00fameros proporcionais por cem mil, continua relativamente baixo.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"GR\u00c1FICO 1 \u2013 N\u00famero absoluto de Casos e \u00d3bitos por UF (21\/08\/20)\" data-caption=\"GR\u00c1FICO 1 \u2013 N\u00famero absoluto de Casos e \u00d3bitos por UF (21\/08\/20)&lt;br \/&gt;\n&amp;nbsp;\" data-entity-type=\"file\" data-entity-uuid=\"28cf064c-f4c3-4528-ba81-e1d6fade0338\" height=\"544\" src=\"\/sites\/default\/files\/imagens\/wysiwyg\/abcp-parana%203.png\" width=\"679\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"GR\u00c1FICO 2 \u2013 N\u00famero de casos e \u00f3bitos por cem mil habitantes (21\/08\/20)\" data-caption=\"GR\u00c1FICO 2 \u2013 N\u00famero de casos e \u00f3bitos por cem mil habitantes (21\/08\/20)\" data-entity-type=\"file\" data-entity-uuid=\"cfedafa7-6680-4b2b-9d7c-69e870ecd555\" src=\"\/sites\/default\/files\/imagens\/wysiwyg\/abcp-parana%204.png\" \/><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Malgrado n\u00e3o temos ainda uma resposta de por que o Paran\u00e1, mesmo&nbsp;alavancando o n\u00famero de casos e \u00f3bitos, n\u00e3o tem curvas t\u00e3o acentuadas quanto a de outros estados, sabemos que as medidas sanit\u00e1rias previamente tomadas provavelmente retardaram a subida das curvas. E, uma vez que os casos e \u00f3bitos permane\u00e7am crescendo em escala logar\u00edtmica, faz-se necess\u00e1rio dar aten\u00e7\u00e3o redobrada ao problema. O que nos cabe perguntar, neste momento, ainda que s\u00f3 tenhamos algumas pistas, \u00e9 por que os agentes pol\u00edticos, nomeadamente governador e prefeitos, sabedores da necessidade de um isolamento social mais r\u00edgido, cederam \u00e0s press\u00f5es econ\u00f4micas. Dito isto, podemos apresentar as curvas atualizadas de casos e \u00f3bitos, em escala logar\u00edtmica, no estado do Paran\u00e1.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"GR\u00c1FICO 3 \u2013 Crescimento do casos e \u00f3bitos no Paran\u00e1 (27\/03\/20 a 21\/08\/20)\" data-caption=\"GR\u00c1FICO 3 \u2013 Crescimento do casos e \u00f3bitos no Paran\u00e1 (27\/03\/20 a 21\/08\/20)\" data-entity-type=\"file\" data-entity-uuid=\"0cf5f190-a390-4632-9cde-29c49845cf3d\" src=\"\/sites\/default\/files\/imagens\/wysiwyg\/abcp-parana%205.png\" \/><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Apesar de vermos pequenas oscila\u00e7\u00f5es de crescimento, ora com maior angula\u00e7\u00e3o, ora com menor, nos encontramos num momento da pandemia no estado em que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar se seguiremos crescendo em casos e \u00f3bitos ou se a quantidade de pessoas contaminadas que desenvolveram anticorpos, somada a uma parcela da popula\u00e7\u00e3o que \u00e9 naturalmente imune \u00e0 doen\u00e7a, j\u00e1 teria constru\u00eddo uma barreira natural de imunidade.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>O que nos parece preocupante \u00e9 o fato da descoordena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre governo federal, governo do Paran\u00e1 e prefeituras resultar numa cess\u00e3o aos interesses econ\u00f4micos sobre os interesses de sa\u00fade coletiva. Ao contr\u00e1rio, n\u00e3o nos parece que interesses econ\u00f4micos e interesses sanit\u00e1rios sejam, de fato, divergentes. An\u00e1lises preliminares indicam que a arrecada\u00e7\u00e3o estadual est\u00e1 negativamente associada ao n\u00famero de casos [3]<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span>. Este dado emp\u00edrico tem respaldo num racioc\u00ednio econ\u00f4mico pelo qual se deduz que o aumento de casos conduz a um desaquecimento do mercado de trabalho, da produ\u00e7\u00e3o e da renda, e que pode conduzir a uma recess\u00e3o econ\u00f4mica caso a pandemia n\u00e3o seja contida.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Uma vez que pol\u00edtica e economia, na pr\u00e1tica, s\u00e3o indissoci\u00e1veis, a quest\u00e3o do momento \u00e9 a reabertura das escolas.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><strong><span><span> <\/span><\/span><\/strong><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span>J\u00e1 que pais e m\u00e3es de alunos precisam retornar aos seus trabalhos, ou simplesmente ter um espa\u00e7o para trabalhar e que as escolas privadas se veem em risco de fecharem suas portas por abandono de seus alunos, come\u00e7amos a ver um movimento de articula\u00e7\u00e3o que visa ao retorno das aulas presenciais. \u00c9 claro que a economia n\u00e3o pode ficar indefinidamente estacionada e que quanto mais parada maior a chance de uma grande recess\u00e3o. <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>I<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span>sto \u00e9 um fato ineg\u00e1vel. Com esta justificativa n\u00e3o se deve, entretanto, fazer movimentos de reabertura sem amparo cient\u00edfico. O que vemos na pr\u00e1tica \u00e9 que a ansiedade do governo federal, de setores econ\u00f4micos e de uma parcela da popula\u00e7\u00e3o para voltar a uma normalidade, invi\u00e1vel diga-se de passagem, tem-nos imposto, na pr\u00e1tica, uma pandemia mais alongada do que se tiv\u00e9ssemos imprimido uma quarentena mais dura de dois meses quando o cononav\u00edrus aterrissou no Brasil.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/p>\n<p><em>[1]&nbsp;<span><span><span><span><span><span>Maiores detalhes em: <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span>PATHERICK, Anna; GOLDSZMIDT, Rafael; KIRA, Beatriz; BARBERIA, Lorena (2020). \u2018As medidas governamentais adotadas em resposta ao Covid-19 no Brasil atendem aos crit\u00e9rios da OMS para flexibiliza\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es?\u2019 <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span>BSG Working Papper Series<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span>.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span><span><span><span><span><span>[2]&nbsp;Maiores detalhes em: <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span><span>MONTEIRO, Ricardo; ANGELOTTI, Rangel; LAUTERT, Luiz Fernando; ANGELIN, Paulo <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span>Eduardo<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span><span> e PORTES, Jo\u00e3o (2020). \u201cRodov\u00edrus\u201d ou \u201cCaronav\u00edrus\u201d? Mapas da Distribui\u00e7\u00e3o do Covid-19 na Regi\u00e3o Sul do Brasil: Ind\u00edcios da contamina\u00e7\u00e3o por rodovias.&nbsp;<\/span>Confins. Revue franco-br\u00e9silienne de g\u00e9ographie\/Revista franco-brasilera de geografia<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span><span>, (45). Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/confins\/28246\"><span><span><span><span><span><span><span><span>https:\/\/journals.openedition.org\/confins\/28246<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/a><span><span><span><span><span><span>&gt;. Acesso em 22\/08\/2020.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span><span><span><span><span><span>[3]&nbsp;Maiores detalhes em: FERNANDEZ, Michelle; BERTHOLINI, Frederico; SANTANA, Luciana; PEDROZA, Marcos, PEREIRA, Let\u00edcia (2020). \u201cEstados diante da pandemia de covid-19: uma dioscuss\u00e3o sobre distanciamento social e baixa <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span>arrecada\u00e7\u00e3o<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span>\u201d. <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span>Jota, 19 de agosto. <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span>Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/artigos\/estados-diante-da-pandemia-de-covid-19-19082020?fbclid=IwAR2DdAqbQVDK-ymbPHinxRGsVqZvFgOlA6Fpzn0vgFnK0JE7Iu0PfzJTZEs\"><span><span><span><span><span><span>https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/artigos\/estados-diante-da-pandemia-de-covid-19-19082020?fbclid=IwAR2DdAqbQVDK-ymbPHinxRGsVqZvFgOlA6Fpzn0vgFnK0JE7Iu0PfzJTZEs<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/a><span><span><span><span><span><span>&gt;. Acesso em 22\/08\/20.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o primeiro texto da 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o do especial &#8220;Os governos estaduais e as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia no Brasil&#8221;, publicado entre os dias 24\u00a0e 28\u00a0de agosto na p\u00e1gina da ABCP. Acompanhe!<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-265","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=265"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}