{"id":2676,"date":"2024-02-22T18:58:17","date_gmt":"2024-02-22T18:58:17","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/?p=2676"},"modified":"2024-02-22T19:14:23","modified_gmt":"2024-02-22T19:14:23","slug":"nota-de-pesar-luiz-jorge-werneck-vianna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/nota-de-pesar-luiz-jorge-werneck-vianna\/","title":{"rendered":"Nota de pesar \u2013 Luiz Jorge Werneck Vianna"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"2676\" class=\"elementor elementor-2676\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7df2ec7a e-flex e-con-boxed wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no wpr-equal-height-no e-con e-parent\" data-id=\"7df2ec7a\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-300a9f7f elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"300a9f7f\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><\/p>\n<p><span style=\"color: var( --e-global-color-text ); font-family: var( --e-global-typography-text-font-family ), Sans-serif; font-size: var( --e-global-typography-text-font-size ); font-weight: var( --e-global-typography-text-font-weight ); text-align: var(--text-align);\">Faleceu na tarde da \u00faltima quarta-feira, aos 85 anos, Luiz Jorge Werneck Vianna, personagem central das Ci\u00eancias Sociais brasileiras, respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o de algumas gera\u00e7\u00f5es de cientistas sociais ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, al\u00e9m de intelectual p\u00fablico marcante na defesa da democracia.<\/span><br><\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Werneck foi professor e pesquisador do antigo Instituto de Pesquisas Universit\u00e1rias do Rio de Janeiro (IUPERJ), da PUC-Rio, e coordenador do Centro de Estudos Direito e Sociedade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Era graduado em Ci\u00eancias Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1967), e em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1962), tendo cursado o doutorado em Sociologia na Universidade de S\u00e3o Paulo (1976). Foi presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Ci\u00eancias Sociais (ANPOCS) e membro do Conselho Consultivo do Departamento de Pesquisas Judici\u00e1rias, do Conselho Nacional de Justi\u00e7a. Ao longo da sua trajet\u00f3ria como professor e pesquisador, desenvolveu pesquisas na \u00e1rea de Sociologia, com \u00eanfase em Fundamentos da Sociologia, atuando principalmente nos temas da democracia, judicializa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e das rela\u00e7\u00f5es sociais, sindicalismo, corporativismo, intelectuais e pensamento social brasileiro.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Publicou, dentre outros, de \u201cLiberalismo e sindicato no Brasil\u201d, obra fruto de sua tese de doutoramento, escrita no contexto particular da d\u00e9cada de 1970, que figura hoje como um dos cl\u00e1ssicos de interpreta\u00e7\u00e3o do Brasil; \u201cA revolu\u00e7\u00e3o passiva: iberismo e americanismo no Brasil\u201d, obra que recebeu o pr\u00eamio Sergio Buarque de Holanda, da Biblioteca Nacional; co-autor de \u201cJudicializa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e das rela\u00e7\u00f5es sociais no Brasil\u201d e \u201cCorpo e alma da magistratura brasileira\u201d, ambos respons\u00e1veis pela consolida\u00e7\u00e3o dos estudos sobre as rela\u00e7\u00f5es entre o judici\u00e1rio e a democracia; al\u00e9m de vasta produ\u00e7\u00e3o na an\u00e1lise da conjuntura, artigos em peri\u00f3dicos especializados e jornais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Por suas reflex\u00f5es acerca do papel do Judici\u00e1rio na democracia contempor\u00e2nea e sua atua\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o de magistrados no pa\u00eds, Werneck recebeu a Comenda do M\u00e9rito do Judici\u00e1rio do Trabalho, concedida pelo Tribunal Superior do Trabalho; a Medalha do M\u00e9rito Judici\u00e1rio, da Associa\u00e7\u00e3o dos Magistrados Brasileiros; e o Colar do M\u00e9rito Judici\u00e1rio, do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Al\u00e9m do retrato p\u00fablico do intelectual, Werneck era um professor por excel\u00eancia. As gera\u00e7\u00f5es que por ele passaram atestam a vivacidade de um intelectual apaixonante, apaixonado, dedicado ao cont\u00ednuo processo de forma\u00e7\u00e3o de jovens cientistas sociais, ministrando aulas das quais poucos passaram inc\u00f3lumes. Ao lado disso, conservou o empenho na orienta\u00e7\u00e3o dos estudantes, sendo respons\u00e1vel pela defesa de in\u00fameras teses e disserta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Decerto uma das maiores li\u00e7\u00f5es do professor Luiz Werneck Vianna aos seus estudantes era falar do Brasil com paix\u00e3o, com o empenho de quem acredita que ele pode ser feito.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em 2010 a Universidade Federal de Juiz de Fora organizou, em homenagem ao Werneck, um semin\u00e1rio que discutiu os temas abordados em sua obra, como parte integrante da C\u00e1tedra que leva o seu nome. Foi uma semana instigante, encerrada com uma confer\u00eancia do pr\u00f3prio Werneck.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na confer\u00eancia, ele se dizia surpreso com a homenagem: o fato de ter se tornado nome de C\u00e1tedra universit\u00e1ria. Sua gera\u00e7\u00e3o, engajada com a luta pela democracia num momento sombrio da nossa hist\u00f3ria, imaginava tudo, menos isso. Werneck disse \u00e0 \u00e9poca que para ele <em>\u201ca vida ordin\u00e1ria era um insulto,<\/em> [ele]<em> queria ser um tribuno da plebe\u201d<\/em>. Essa declara\u00e7\u00e3o, e muitas outras ouvidas naquela noite, reverberaram por algum tempo nos que estavam presentes.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Todavia, nesse momento de tristeza pela sua partida, importa lembrar que Werneck conformou n\u00e3o apenas a teoria sociol\u00f3gica e o pensamento social brasileiro; mas, de alguma forma, o que muitos de n\u00f3s compreendemos como o papel do cientista social na vida p\u00fablica e a tarefa dos intelectuais no mundo contempor\u00e2neo, se deve a ele.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Werneck, melhor do que ningu\u00e9m, soube tornar extraordin\u00e1rio o lado ordin\u00e1rio da vida acad\u00eamica.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"has-text-align-right\">Sentiremos saudades, professor.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Diogo Tourino de Sousa<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"has-text-align-right\">Departamento de Ci\u00eancias Sociais \u2013 UFJF<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"has-text-align-right\">22 de fevereiro de 2024<\/p>\n<p><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faleceu na tarde da \u00faltima quarta-feira, aos 85 anos, Luiz Jorge Werneck Vianna, personagem central das Ci\u00eancias Sociais brasileiras, respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o de algumas gera\u00e7\u00f5es de cientistas sociais ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, al\u00e9m de intelectual p\u00fablico marcante na defesa da democracia. Werneck foi professor e pesquisador do antigo Instituto de Pesquisas Universit\u00e1rias do Rio de Janeiro (IUPERJ), da PUC-Rio, e coordenador do Centro de Estudos Direito e Sociedade. Era graduado em Ci\u00eancias Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1967), e em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1962), tendo cursado o doutorado em Sociologia na Universidade de S\u00e3o Paulo (1976). Foi presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Ci\u00eancias Sociais (ANPOCS) e membro do Conselho Consultivo do Departamento de Pesquisas Judici\u00e1rias, do Conselho Nacional de Justi\u00e7a. Ao longo da sua trajet\u00f3ria como professor e pesquisador, desenvolveu pesquisas na \u00e1rea de Sociologia, com \u00eanfase em Fundamentos da Sociologia, atuando principalmente nos temas da democracia, judicializa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e das rela\u00e7\u00f5es sociais, sindicalismo, corporativismo, intelectuais e pensamento social brasileiro. Publicou, dentre outros, de \u201cLiberalismo e sindicato no Brasil\u201d, obra fruto de sua tese de doutoramento, escrita no contexto particular da d\u00e9cada de 1970, que figura hoje como um dos cl\u00e1ssicos de interpreta\u00e7\u00e3o do Brasil; \u201cA revolu\u00e7\u00e3o passiva: iberismo e americanismo no Brasil\u201d, obra que recebeu o pr\u00eamio Sergio Buarque de Holanda, da Biblioteca Nacional; co-autor de \u201cJudicializa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e das rela\u00e7\u00f5es sociais no Brasil\u201d e \u201cCorpo e alma da magistratura brasileira\u201d, ambos respons\u00e1veis pela consolida\u00e7\u00e3o dos estudos sobre as rela\u00e7\u00f5es entre o judici\u00e1rio e a democracia; al\u00e9m de vasta produ\u00e7\u00e3o na an\u00e1lise da conjuntura, artigos em peri\u00f3dicos especializados e jornais. Por suas reflex\u00f5es acerca do papel do Judici\u00e1rio na democracia contempor\u00e2nea e sua atua\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o de magistrados no pa\u00eds, Werneck recebeu a Comenda do M\u00e9rito do Judici\u00e1rio do Trabalho, concedida pelo Tribunal Superior do Trabalho; a Medalha do M\u00e9rito Judici\u00e1rio, da Associa\u00e7\u00e3o dos Magistrados Brasileiros; e o Colar do M\u00e9rito Judici\u00e1rio, do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro. Al\u00e9m do retrato p\u00fablico do intelectual, Werneck era um professor por excel\u00eancia. As gera\u00e7\u00f5es que por ele passaram atestam a vivacidade de um intelectual apaixonante, apaixonado, dedicado ao cont\u00ednuo processo de forma\u00e7\u00e3o de jovens cientistas sociais, ministrando aulas das quais poucos passaram inc\u00f3lumes. Ao lado disso, conservou o empenho na orienta\u00e7\u00e3o dos estudantes, sendo respons\u00e1vel pela defesa de in\u00fameras teses e disserta\u00e7\u00f5es. Decerto uma das maiores li\u00e7\u00f5es do professor Luiz Werneck Vianna aos seus estudantes era falar do Brasil com paix\u00e3o, com o empenho de quem acredita que ele pode ser feito. Em 2010 a Universidade Federal de Juiz de Fora organizou, em homenagem ao Werneck, um semin\u00e1rio que discutiu os temas abordados em sua obra, como parte integrante da C\u00e1tedra que leva o seu nome. Foi uma semana instigante, encerrada com uma confer\u00eancia do pr\u00f3prio Werneck. Na confer\u00eancia, ele se dizia surpreso com a homenagem: o fato de ter se tornado nome de C\u00e1tedra universit\u00e1ria. Sua gera\u00e7\u00e3o, engajada com a luta pela democracia num momento sombrio da nossa hist\u00f3ria, imaginava tudo, menos isso. Werneck disse \u00e0 \u00e9poca que para ele \u201ca vida ordin\u00e1ria era um insulto, [ele] queria ser um tribuno da plebe\u201d. Essa declara\u00e7\u00e3o, e muitas outras ouvidas naquela noite, reverberaram por algum tempo nos que estavam presentes. Todavia, nesse momento de tristeza pela sua partida, importa lembrar que Werneck conformou n\u00e3o apenas a teoria sociol\u00f3gica e o pensamento social brasileiro; mas, de alguma forma, o que muitos de n\u00f3s compreendemos como o papel do cientista social na vida p\u00fablica e a tarefa dos intelectuais no mundo contempor\u00e2neo, se deve a ele. Werneck, melhor do que ningu\u00e9m, soube tornar extraordin\u00e1rio o lado ordin\u00e1rio da vida acad\u00eamica. Sentiremos saudades, professor. Diogo Tourino de Sousa Departamento de Ci\u00eancias Sociais \u2013 UFJF 22 de fevereiro de 2024<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2680,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-2676","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2676","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2676"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2676\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2683,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2676\/revisions\/2683"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2680"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2676"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2676"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2676"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}