{"id":283,"date":"2020-08-27T23:10:00","date_gmt":"2020-08-27T23:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tmp.cienciapolitica.org.br\/2020\/08\/27\/especial-abcp-acoes-rio-grande-norte-enfrentamento-2\/"},"modified":"2020-08-27T23:10:00","modified_gmt":"2020-08-27T23:10:00","slug":"especial-abcp-acoes-rio-grande-norte-enfrentamento-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/especial-abcp-acoes-rio-grande-norte-enfrentamento-2\/","title":{"rendered":"ESPECIAL ABCP: As a\u00e7\u00f5es do Rio Grande do Norte no enfrentamento \u00e0 pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o d\u00e9cimo nono texto da 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o do especial &#8220;Os governos estaduais e as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia no Brasil&#8221;, publicado entre os dias 24\u00a0e 28\u00a0de agosto na p\u00e1gina da ABCP. Acompanhe!<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<h4><em>Este \u00e9 o d\u00e9cimo nono texto da 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o do especial &#8220;Os governos estaduais e as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia no Brasil&#8221;, publicado entre os dias 24&nbsp;e 28&nbsp;de agosto na p\u00e1gina da ABCP. Acompanhe!<\/em><\/h4>\n<h4><em>Para ler a an\u00e1lise sobre o Rio Grande do Norte publicada na \u00faltima&nbsp;edi\u00e7\u00e3o, clique&nbsp;<a href=\"https:\/\/tmp.cienciapolitica.org.br\/2020\/07\/16\/especial-abcp-acoes-rio-grande-norte-enfrentamento\/\">aqui<\/a>!<\/em><\/h4>\n<h4><em>Para ter acesso a todas&nbsp;as an\u00e1lises publicadas nesta&nbsp;4\u00aa edi\u00e7\u00e3o, clique&nbsp;<a href=\"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/projetos\/especial-abcp-4a-edicao-governos-estaduais-e-acoes\">aqui<\/a>!<\/em><\/h4>\n<hr \/>\n<p><span><span><span><strong><span><span>Reabrir \u00e9 preciso, viver n\u00e3o \u00e9 preciso? A retomada da economia no Rio Grande do Norte durante a pandemia<\/span><\/span><\/strong><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>Nome da&nbsp;autora&nbsp;e institui\u00e7\u00e3o a que est\u00e1&nbsp;vinculada: Sandra Gomes (Departamento de Pol\u00edticas P\u00fablicas \u2013 UFRN)<\/p>\n<p>Titula\u00e7\u00e3o&nbsp;da&nbsp;autora&nbsp;e institui\u00e7\u00e3o&nbsp;em que a&nbsp;obteve: Doutora em Ci\u00eancia Pol\u00edtica (USP)<\/p>\n<p>Regi\u00e3o: Nordeste<\/p>\n<p>Governador (Partido):&nbsp;F\u00e1tima Bezerra (PT)<\/p>\n<p>Popula\u00e7\u00e3o:&nbsp;3.506.853 (est. 2019)<\/p>\n<p>N\u00famero de munic\u00edpios:&nbsp;167<\/p>\n<p><span><span><span><span><span>Data do registro do primeiro caso no estado:&nbsp;<span>13 de mar\u00e7o de 2020<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span>Data do primeiro \u00f3bito no estado: 28 de mar\u00e7o de 2020<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>Casos confirmados em 25\/08\/2020:&nbsp;<span><span><span><span><span><span>60.161<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00d3bitos confirmados em 25\/08\/2020:&nbsp;<span><span><span><span><span><span>2.192<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>Casos por 100 mil hab.:&nbsp;<span><span><span><span><span><span>1.723,5<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00d3bitos por 100 mil hab.:&nbsp;<span><span><span><span><span><span>63,16<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span>Decreto estadual em vigor no dia 23\/08\/2020: Decreto&nbsp;<span>N\u00b0 29.794, de 30 de junho<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span>\u00cdndice de isolamento social no estado: <a href=\"https:\/\/mapabrasileirodacovid.inloco.com.br\/pt\/\">37,1%<\/a><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>* Por:&nbsp;Sandra Gomes<\/strong><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Ao final de agosto de 2020, a situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica do Rio Grande do Norte (RN) havia se alterado substantivamente desde a \u00faltima publica\u00e7\u00e3o neste boletim da ABCP. De uma taxa de ocupa\u00e7\u00e3o de leitos p\u00fablicos para covid-19 de quase 100% no m\u00eas de maio, ao final de julho, tal taxa havia ca\u00eddo para 67% e para 56% praticamente um m\u00eas depois, isto \u00e9, em 25 de agosto de 2020. As medidas de leitos s\u00e3o consideradas, por diversos governos, como um indicador relevante para as decis\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o ou aprofundamento do isolamento social assim como para a inten\u00e7\u00e3o de reabertura ou retomada das atividades econ\u00f4micas, ainda que parcial.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>De fato, o governo do estado do RN deixa clara sua inten\u00e7\u00e3o de ter um plano de retomada econ\u00f4mica local desde o m\u00eas de maio, mesmo estando longe dos picos de casos e \u00f3bitos do estado, que s\u00f3 ocorreriam em junho. Como j\u00e1 detalhamos em texto anterior publicado aqui no portal da ABCP, o chamado \u201cPlano de Retomada Gradual da Economia\u201d foi apresentado no dia 5 de maio ao Comit\u00ea Cient\u00edfico do Rio Grande do Norte pela Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado (FIERN) e outras associa\u00e7\u00f5es do setor produtivo como Fecomercio, Fetronor, Faern, assim como o Sebrae, isto \u00e9, pelas grandes associa\u00e7\u00f5es representativas de empres\u00e1rios no estado. Como estes anunciavam, se nenhuma medida de retomada da economia no estado&nbsp;fosse tomada, o RN teria um verdadeiro \u201ccolapso econ\u00f4mico\u201d.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Em breve s\u00edntese \u2013 ainda por ser plenamente estudado \u2013, pode-se dizer que tanto a press\u00e3o do empresariado por uma estrat\u00e9gia de reabertura econ\u00f4mica quanto a pr\u00f3pria necessidade de financiamento por meio de arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria do governo do Estado explicam a ado\u00e7\u00e3o de um plano de reabertura mesmo antes de qualquer sinal de queda ou estabilidade da infec\u00e7\u00e3o no RN.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>No momento atual (final de agosto de 2020), h\u00e1 diversas atividades que j\u00e1 retornaram, com restri\u00e7\u00f5es e exig\u00eancias r\u00edgidas de protocolos sanit\u00e1rios, ainda que parcamente fiscalizadas. A maior discuss\u00e3o, em andamento, \u00e9 o retorno presencial ou n\u00e3o das aulas, com especial press\u00e3o das associa\u00e7\u00f5es representativas das escolas privadas e dos pais de alunos dessas escolas. Al\u00e9m do argumento da fal\u00eancia econ\u00f4mica, os pr\u00f3prios pais temem que, sob press\u00e3o de retornar ao trabalho, n\u00e3o tenham com quem deixar os seus filhos. Tal contenda ainda est\u00e1 em lit\u00edgio.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Por outro lado, a disputa entre \u201cquem abre primeiro a economia\u201d entre governo estadual e os prefeitos das cidades de maior porte populacional permanece em a\u00e7\u00e3o assim como j\u00e1 hav\u00edamos apontado em texto anterior. De fato, uma das primeiras medidas de \u201cflexibiliza\u00e7\u00e3o\u201d adotada pelo governo do estado e o governo de Natal, ao final de julho, gera uma corrida da popula\u00e7\u00e3o \u00e0s praias, com aglomera\u00e7\u00f5es e pessoas sem m\u00e1scara (de uso obrigat\u00f3rio) chocando a opini\u00e3o p\u00fablica local. <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>As farpas entre governo do Estado e prefeitura do Natal \u2013 de campos pol\u00edticos rivais \u2013 foram bem aproveitadas. A governadora publica v\u00eddeo em que diz ser inaceit\u00e1vel ver as cenas de aglomera\u00e7\u00e3o nas praias de Natal e que essa fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 de compet\u00eancia \u2013 e, portanto, responsabilidade \u2013&nbsp;do governo municipal. O prefeito, por sua vez, refor\u00e7a sua indigna\u00e7\u00e3o com o epis\u00f3dio e, em seguida, emite novas regulamenta\u00e7\u00f5es para maior fiscaliza\u00e7\u00e3o nas praias de Natal. Outros epis\u00f3dios de aglomera\u00e7\u00e3o em bares de Natal \u2013 ap\u00f3s libera\u00e7\u00e3o controlada pela Prefeitura do Natal \u2013&nbsp;ser\u00e3o, novamente, registrados pela m\u00eddia local.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Duas quest\u00f5es s\u00e3o curiosas nesse epis\u00f3dio. Primeiro, o avan\u00e7o das fases graduais de reabertura de atividades econ\u00f4micas \u2013 tanto pelo governo estadual quanto pelo municipal&nbsp;\u2013claramente deu um sinal \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de que o pior j\u00e1 teria passado. A ineficiente capacidade de comunica\u00e7\u00e3o dos governos associada a um certo cansa\u00e7o (ou descaso) da popula\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao seguimento das regras de isolamento e distanciamento social certamente contribu\u00edram para a sensa\u00e7\u00e3o de volta \u00e0 normalidade. Em segundo lugar, \u00e9 curiosa a pressa em reabrir. As medidas de reabertura econ\u00f4mica s\u00e3o tomadas mesmo quando a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o de leitos cr\u00edticos na regi\u00e3o metropolitana de Natal ainda est\u00e1 num patamar muito elevado, acima de 85%.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Por outro lado, ao final de julho, os dados epidemiol\u00f3gicos come\u00e7am a dar mostras de poss\u00edvel diminui\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia e \u00f3bitos em algumas regi\u00f5es de sa\u00fade do RN. Como se observa na Figura 1, at\u00e9 o momento, parece haver uma tend\u00eancia de queda ou arrefecimento de \u00f3bitos no estado, ainda em observa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"Figura 1. \u00d3bitos por Covid-19 por dia. N\u00fameros absolutos e m\u00e9dias m\u00f3veis. Rio Grande do Norte. Data de refer\u00eancia: 20 de agosto de 2020.\" data-caption=\"Figura 1. \u00d3bitos por Covid-19 por dia. N\u00fameros absolutos e m\u00e9dias m\u00f3veis. Rio Grande do Norte. Data de refer\u00eancia: 20 de agosto de 2020.\" data-entity-type=\"file\" data-entity-uuid=\"5ecd76a7-1ca4-4590-840f-f221ea3ee662\" src=\"\/sites\/default\/files\/imagens\/wysiwyg\/rn.png\" \/><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>N\u00e3o se sabe bem as causas que explicariam tal queda. H\u00e1 quem avente o uso preventivo de medica\u00e7\u00e3o como a ivermectina ou hidroxicloroquina como argumenta o prefeito de Natal; o uso de m\u00e1scaras, que pode ter interrompido a velocidade da transmiss\u00e3o ou, ainda, uma poss\u00edvel imunidade ampliada ap\u00f3s os elevados casos de contamina\u00e7\u00e3o e \u00f3bitos que atingiram seus respectivos picos em junho de 2020. De qualquer modo, os efeitos das aglomera\u00e7\u00f5es registradas pelas m\u00eddias locais na produ\u00e7\u00e3o de novos casos de infec\u00e7\u00e3o&nbsp;ainda ser\u00e3o observados nas pr\u00f3ximas semanas.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>O comit\u00ea cient\u00edfico do governo estadual faz uma an\u00e1lise preliminar, em meados de julho, indicando essa possibilidade, mas com v\u00e1rios apontamentos de cautela. Isto porque, apesar do pico de casos no estado ter ocorrido no dia 9 de junho, momento a partir do qual come\u00e7a a desacelerar, novos picos ainda iriam ocorrer no in\u00edcio de julho, ou seja, quase um m\u00eas depois. Com rela\u00e7\u00e3o aos \u00f3bitos, estes atingem seu pico em 22 de junho e, a partir de ent\u00e3o, observa-se queda continuada no n\u00famero de registros, mas n\u00e3o em todas as regi\u00f5es de sa\u00fade do estado.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>\u00c9 por conta dessa \u201cestabilidade n\u00e3o plenamente verificada\u201d que o comit\u00ea recomenda \u00e0 governadora adiar o in\u00edcio da nova fase de reabertura controlada de atividades, por outros sete dias. Como forma de monitorar a situa\u00e7\u00e3o, o comit\u00ea passa a recomendar que todas as fases seguintes do plano de retomada econ\u00f4mica tenham um intervalo m\u00ednimo de 15 dias para que se possa, de modo mais adequado, mensurar os impactos de cada momento de reabertura nas taxas de infec\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Mas, como em outros estados, h\u00e1 varia\u00e7\u00e3o interna quanto \u00e0 situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica. Como se observa no Mapa 1, em termos de n\u00fameros absolutos de \u00f3bitos confirmados por covid-19, as maiores concentra\u00e7\u00f5es est\u00e3o nas regi\u00f5es mais adensadas em termos populacionais.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"Mapa 1. \u00d3bitos confirmados por Covid-19 e \u00cdndice de Desenvolvimento Humano por munic\u00edpio. Em 24 de julho de 2020. Rio Grande do Norte.\" data-caption=\"Mapa 1. \u00d3bitos confirmados por Covid-19 e \u00cdndice de Desenvolvimento Humano por munic\u00edpio. Em 24 de julho de 2020. Rio Grande do Norte.\" data-entity-type=\"file\" data-entity-uuid=\"73b646e3-f739-422b-bcc3-cce300937210\" src=\"\/sites\/default\/files\/imagens\/wysiwyg\/abcp-rn-2.jpg\" \/><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>As maiores incid\u00eancias est\u00e3o \u00e0 Leste, nos munic\u00edpios que comp\u00f5em a regi\u00e3o metropolitana de Natal, e \u00e0 Noroeste, nos munic\u00edpios do entorno de Mossor\u00f3, segunda maior cidade do Estado.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Natal, a capital, registrou o primeiro caso em 13 de mar\u00e7o de 2020. Mossor\u00f3, por outro lado, \u00e9 o local onde se confirmam as primeiras mortes em 28 de mar\u00e7o de 2020, isto \u00e9, 15 dias depois do primeiro caso no Estado. Ainda assim, \u00e9 poss\u00edvel observar no Mapa 1, a partir dos pontos (c\u00edrculos) em destaque, que mostram a quantidade de \u00f3bitos, que a ocorr\u00eancia de mortes j\u00e1 estava espraiada para praticamente todos os munic\u00edpios do Estado ao final de julho de 2020. Essa tend\u00eancia de interioriza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a fica evidente a partir do final de abril, como j\u00e1 destacamos em texto anterior publicado aqui no portal da ABCP.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Outra maneira de se observar tanto a incid\u00eancia de casos quanto \u00f3bitos \u00e9 agregar as informa\u00e7\u00f5es por regi\u00e3o de sa\u00fade. Essas divis\u00f5es administrativas s\u00e3o relevantes para a pol\u00edtica de sa\u00fade p\u00fablica na medida em que parte significativa dos servi\u00e7os de sa\u00fade, especialmente os de m\u00e9dia e alta complexidade, devem (ou deveriam) ser ofertados em termos regionais ou regionalizados de modo a se ter um sistema de servi\u00e7os capaz de fazer o atendimento de toda a popula\u00e7\u00e3o do Estado.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Como se v\u00ea a partir da Figura 2, a incid\u00eancia de casos ocorre em todas as oito regi\u00f5es de sa\u00fade do estado, por\u00e9m de modo mais intenso (taxa por 100 mil habitantes em 25 de agosto de 2020) na regi\u00e3o de sa\u00fade de Natal e na de Mossor\u00f3.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<img decoding=\"async\" alt=\"rn\" data-entity-type=\"file\" data-entity-uuid=\"14498a9e-cb07-4812-bc21-0d54ac622d56\" src=\"\/sites\/default\/files\/imagens\/wysiwyg\/abcp-rn-3.png\" \/><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Por outro lado, quando se analisa \u00f3bitos (Figura 3), o cen\u00e1rio \u00e9 ligeiramente diferente, isto \u00e9, as diferen\u00e7as de taxa de mortalidade por covid-19 entre as regi\u00f5es s\u00e3o distintas do padr\u00e3o de incid\u00eancia da doen\u00e7a. No caso das mortes, v\u00ea-se que outras regi\u00f5es de sa\u00fade t\u00eam taxas t\u00e3o elevadas quanto as duas maiores do estado, como \u00e9 o caso da regi\u00e3o do A\u00e7u, vizinha a Mossor\u00f3.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>De fato, o cen\u00e1rio atual revela que as regi\u00f5es em situa\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica ainda est\u00e3o no interior, nas regi\u00f5es que fazem divisa com o Cear\u00e1 \u2013 como a regi\u00e3o de Sa\u00fade de Mossor\u00f3 \u2013 e na regi\u00e3o do A\u00e7u. Em alguns munic\u00edpios dessas regi\u00f5es a taxa de \u00f3bitos por covid-19 est\u00e1 bem acima da m\u00e9dia estadual (de 62,5 por mil habitantes), como nos casos de Areia Branca (176,4), cidade de A\u00e7u (89,6) ou mesmo Mossor\u00f3 (71,1).&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Mas \u00e9 ainda curioso que, mesmo Natal tendo apresentando melhoras nos indicadores de taxa de ocupa\u00e7\u00e3o de leitos cr\u00edticos para covid-19 e que o \u00edndice de transmissibilidade (contamina\u00e7\u00e3o) tenha ca\u00eddo significativamente, a taxa de mortalidade no munic\u00edpio ainda permanece acima da m\u00e9dia estadual, em 106,0, valores mais altos, inclusive, que alguns dos munic\u00edpios citados anteriormente. Junto a outros munic\u00edpios vizinhos, permanecem elevados e preocupantes \u00edndices de mortalidade em cidades como Extremoz (105,0), S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante (74,0) dentre outros. Os \u00fanicos dois munic\u00edpios do entorno da cidade do Natal que t\u00eam apresentado mortalidade abaixo da m\u00e9dia estadual s\u00e3o Parnamirim (54,3) e N\u00edsia Floresta (18,1).&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>No momento atual, em suma, a situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica parece estar em estabiliza\u00e7\u00e3o em algumas localidades do RN, ainda que a capacidade de testagem ainda seja insuficiente para esclarecer, por exemplo, os quase 53 mil casos de infec\u00e7\u00e3o por S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (SRAG) sem especifica\u00e7\u00e3o e, portanto, com resultados inconclusivos se s\u00e3o ou n\u00e3o casos de covid-19. Se levarmos em conta que este n\u00famero \u00e9 bastante pr\u00f3ximo ao total de casos por covid-19 j\u00e1 confirmados no Estado (60 mil), n\u00e3o parece haver indica\u00e7\u00f5es de que a tend\u00eancia observada de queda, de fato, permane\u00e7a assim se ou quando esses casos inclusos forem testados.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Um problema cr\u00edtico e sem solu\u00e7\u00e3o \u00e0 vista&nbsp;\u00e9 a baixa taxa de isolamento social no RN, a menor do Nordeste, por volta de 38% no \u00faltimo m\u00eas de acordo com as estimativas do LAIS\/UFRN. Mas, ainda assim, a taxa de Transmissibilidade (Taxa Rt) \u2013 uma estimativa de quantas pessoas podem ser infectadas a partir de uma pessoa doente \u2013&nbsp;estava em 0,87, isto \u00e9, em uma situa\u00e7\u00e3o de relativo controle da epidemia (LAIS\/UFRN). Ainda assim, o comit\u00ea cient\u00edfico do Estado do RN permanece compreendendo que o monitoramento preciso da situa\u00e7\u00e3o \u00e9 crucial para saber se, de fato, esses indicadores confirmam uma queda da contamina\u00e7\u00e3o ou se, na verdade, a insuficiente testagem em massa pode estar ocultando a real situa\u00e7\u00e3o do Estado.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o d\u00e9cimo nono texto da 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o do especial &#8220;Os governos estaduais e as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia no Brasil&#8221;, publicado entre os dias 24\u00a0e 28\u00a0de agosto na p\u00e1gina da ABCP. Acompanhe!<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-283","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/283","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=283"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/283\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}