{"id":297,"date":"2020-11-26T13:36:12","date_gmt":"2020-11-26T13:36:12","guid":{"rendered":"https:\/\/tmp.cienciapolitica.org.br\/2020\/11\/26\/webinario-4-crimes-e-ilegalidades-amazonia-demandam-olhar\/"},"modified":"2020-11-26T13:36:12","modified_gmt":"2020-11-26T13:36:12","slug":"webinario-4-crimes-e-ilegalidades-amazonia-demandam-olhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/webinario-4-crimes-e-ilegalidades-amazonia-demandam-olhar\/","title":{"rendered":"Webin\u00e1rio 4 &#8211; Crimes e ilegalidades na Amaz\u00f4nia demandam olhar para o territ\u00f3rio e resposta complexa"},"content":{"rendered":"<p>A quarta edi\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie de webin\u00e1rios promovidos pela Brazilian Political Science Review (BPSR) recebeu, na quarta-feira (25), a&nbsp;Procuradora da Rep\u00fablica no Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e Coordenadora da For\u00e7a-Tarefa Amaz\u00f4nia&nbsp;<strong>Ana Carolina Haliuc Bragan\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n<p>Ela apontou que a Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 um grande espa\u00e7o vazio. \u201c\u00c9 preciso desconstruir esta ideia para reconhecer o que acontece neste territ\u00f3rio\u201d, disse. Ana Carolina Bragan\u00e7a falou sobre as diversas tipologias&nbsp;de crimes na Amaz\u00f4nia: o desmatamento e a minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro, apontando que cada tipo tem caracter\u00edsticas distintas no que diz respeito \u00e0 estrutura\u00e7\u00e3o dos grupos, \u00e0 rede de delitos associada e \u00e0 an\u00e1lise de cada fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>\u201cOs processos de coloniza\u00e7\u00e3o foram fundados na ideia de que o desenvolvimento vinha por meio da ocupa\u00e7\u00e3o e do desmatamento para fins agropecu\u00e1rios. Isso fica encrustado de forma forte nas popula\u00e7\u00f5es locais, em especial as dos&nbsp;<em>hotspots<\/em>&nbsp;do desmatamento. Por isso, os crimes n\u00e3o s\u00e3o percebidos como crimes. Mas, hoje, sabemos que a floresta cumpre um papel na estabilidade clim\u00e1tica no continente e o desmatamento \u00e9 a principal fonte de emiss\u00e3o de g\u00e1s de efeito estufa no Brasil. 44% das emiss\u00f5es foram relacionadas a mudan\u00e7as de uso do solo, basicamente compostas pelo desmatamento\u201d.<\/p>\n<p>Em di\u00e1logo com a Dra Ana Carolina, o&nbsp;professor da Universidade do Estado do Amazonas\/UEA,&nbsp;<strong>Pedro Rapozo<\/strong>,&nbsp;afirmou que \u201ch\u00e1 uma complexidade por tr\u00e1s destas rela\u00e7\u00f5es. Precisamos olhar para os mercados il\u00edcitos, a vulnerabilidade territorial, os conflitos e a viol\u00eancia e talvez pensar tamb\u00e9m sobre como a pandemia incide na quest\u00e3o. Os povos origin\u00e1rios nunca estiveram alheios \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o da economia capitalista mundial e a Amaz\u00f4nia passou e passa pelos &#8216;surtos de nacionaliza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento&#8217;&nbsp;econ\u00f4mico. A Amaz\u00f4nia \u00e9 pensada como \u00faltima fronteira a ser ocupada. E se ignoram saberes, rela\u00e7\u00f5es, sistemas de organiza\u00e7\u00e3o destes povos com os territ\u00f3rios. Os impactos historicamente vivenciados t\u00eam sido evidentes e t\u00eam expressado a inefici\u00eancia de pol\u00edticas de aten\u00e7\u00e3o, cuidado e preven\u00e7\u00e3o a qualquer movimento que ameace a vida na Amaz\u00f4nia, entendendo a vida de um ponto de vista socioambiental. Trata-se de uma vasta economia de pr\u00e1ticas que envolve uma trama de explora\u00e7\u00e3o de brechas e margens da legalidade e ilegalidade\u201d.<\/p>\n<p>A Dra&nbsp;<strong>Ana Carolina Haliuc Bragan\u00e7a<\/strong>&nbsp;explicou que \u201ca g\u00eanese da criminalidade \u00e9 mais profunda do que a op\u00e7\u00e3o deliberada pelo crime. Ela tem ra\u00edzes hist\u00f3ricas. Antigamente, se incentivava como atividade econ\u00f4mica o que hoje \u00e9 tipificado pelo c\u00f3digo penal como crime. Mudar a percep\u00e7\u00e3o jur\u00eddica a respeito da realidade que elas vivem \u00e9 muito dif\u00edcil. No mundo do Direito, desenvolvemos uma percep\u00e7\u00e3o de que o problema requer respostas complexas. N\u00e3o entendemos que vai se resolver o desmatamento processando criminalmente ou responsabilizando criminalmente todo mundo, porque muitas vezes o crime \u00e9 aceito como meio de vida, porque \u00e9 a atividade econ\u00f4mica local. Nesse sentido, tamb\u00e9m \u00e9 papel do Estado construir alternativas que sejam amplas e complexas que ataquem o fen\u00f4meno por diversas perspectivas. O resultado implica a prote\u00e7\u00e3o da floresta, mas tamb\u00e9m a valoriza\u00e7\u00e3o das suas popula\u00e7\u00f5es, em especial dos povos tradicionais\u201d.<\/p>\n<p>Os convidados tamb\u00e9m reagiram \u00e0s quest\u00f5es colocadas pelos espectadores. Assista&nbsp;abaixo, na \u00edntegra, o debate, que est\u00e1 dispon\u00edvel no canal da ABCP no YouTube.<\/p>\n<p><iframe allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xOhb1i0VnHQ\" width=\"560\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Sobre os webin\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Esta s\u00e9rie de webin\u00e1rios \u00e9 uma iniciativa da&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/brazilianpoliticalsciencereview.org\/\">Brazilian Political Science Review<\/a>&nbsp;<\/em>(peri\u00f3dico da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ci\u00eancia Pol\u00edtica), que marca&nbsp;o lan\u00e7amento da nova se\u00e7\u00e3o no peri\u00f3dico: o&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/brazilianpoliticalsciencereview.org\/article-section\/forum\/\">BPSR<\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/brazilianpoliticalsciencereview.org\/article-section\/forum\/\">Forum<\/a><\/em>.<\/p>\n<p>Junto a artigos originais, avan\u00e7os de pesquisa, balan\u00e7os bibliogr\u00e1ficos e resenhas de livros, a&nbsp;<strong>BPSR F\u00f3rum&nbsp;<\/strong>veicula artigos dedicados ao diagn\u00f3stico de problemas do presente informados pelo conhecimento especializado de pesquisadoras e pesquisadores com trajet\u00f3rias de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento na \u00e1rea correspondente.<\/p>\n<p>&gt;&gt; Saiba mais sobre&nbsp;<a href=\"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/projetos\/webinars-brazilian-political-science-review\">este projeto<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quarta edi\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie de webin\u00e1rios promovidos pela Brazilian Political Science Review (BPSR) recebeu, na quarta-feira (25), a&nbsp;Procuradora da Rep\u00fablica no Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e Coordenadora da For\u00e7a-Tarefa Amaz\u00f4nia&nbsp;Ana Carolina Haliuc Bragan\u00e7a. Ela apontou que a Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 um grande espa\u00e7o vazio. \u201c\u00c9 preciso desconstruir esta ideia para reconhecer o que acontece neste territ\u00f3rio\u201d, disse. Ana Carolina Bragan\u00e7a falou sobre as diversas tipologias&nbsp;de crimes na Amaz\u00f4nia: o desmatamento e a minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro, apontando que cada tipo tem caracter\u00edsticas distintas no que diz respeito \u00e0 estrutura\u00e7\u00e3o dos grupos, \u00e0 rede de delitos associada e \u00e0 an\u00e1lise de cada fen\u00f4meno. \u201cOs processos de coloniza\u00e7\u00e3o foram fundados na ideia de que o desenvolvimento vinha por meio da ocupa\u00e7\u00e3o e do desmatamento para fins agropecu\u00e1rios. Isso fica encrustado de forma forte nas popula\u00e7\u00f5es locais, em especial as dos&nbsp;hotspots&nbsp;do desmatamento. Por isso, os crimes n\u00e3o s\u00e3o percebidos como crimes. Mas, hoje, sabemos que a floresta cumpre um papel na estabilidade clim\u00e1tica no continente e o desmatamento \u00e9 a principal fonte de emiss\u00e3o de g\u00e1s de efeito estufa no Brasil. 44% das emiss\u00f5es foram relacionadas a mudan\u00e7as de uso do solo, basicamente compostas pelo desmatamento\u201d. Em di\u00e1logo com a Dra Ana Carolina, o&nbsp;professor da Universidade do Estado do Amazonas\/UEA,&nbsp;Pedro Rapozo,&nbsp;afirmou que \u201ch\u00e1 uma complexidade por tr\u00e1s destas rela\u00e7\u00f5es. Precisamos olhar para os mercados il\u00edcitos, a vulnerabilidade territorial, os conflitos e a viol\u00eancia e talvez pensar tamb\u00e9m sobre como a pandemia incide na quest\u00e3o. Os povos origin\u00e1rios nunca estiveram alheios \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o da economia capitalista mundial e a Amaz\u00f4nia passou e passa pelos &#8216;surtos de nacionaliza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento&#8217;&nbsp;econ\u00f4mico. A Amaz\u00f4nia \u00e9 pensada como \u00faltima fronteira a ser ocupada. E se ignoram saberes, rela\u00e7\u00f5es, sistemas de organiza\u00e7\u00e3o destes povos com os territ\u00f3rios. Os impactos historicamente vivenciados t\u00eam sido evidentes e t\u00eam expressado a inefici\u00eancia de pol\u00edticas de aten\u00e7\u00e3o, cuidado e preven\u00e7\u00e3o a qualquer movimento que ameace a vida na Amaz\u00f4nia, entendendo a vida de um ponto de vista socioambiental. Trata-se de uma vasta economia de pr\u00e1ticas que envolve uma trama de explora\u00e7\u00e3o de brechas e margens da legalidade e ilegalidade\u201d. A Dra&nbsp;Ana Carolina Haliuc Bragan\u00e7a&nbsp;explicou que \u201ca g\u00eanese da criminalidade \u00e9 mais profunda do que a op\u00e7\u00e3o deliberada pelo crime. Ela tem ra\u00edzes hist\u00f3ricas. Antigamente, se incentivava como atividade econ\u00f4mica o que hoje \u00e9 tipificado pelo c\u00f3digo penal como crime. Mudar a percep\u00e7\u00e3o jur\u00eddica a respeito da realidade que elas vivem \u00e9 muito dif\u00edcil. No mundo do Direito, desenvolvemos uma percep\u00e7\u00e3o de que o problema requer respostas complexas. N\u00e3o entendemos que vai se resolver o desmatamento processando criminalmente ou responsabilizando criminalmente todo mundo, porque muitas vezes o crime \u00e9 aceito como meio de vida, porque \u00e9 a atividade econ\u00f4mica local. Nesse sentido, tamb\u00e9m \u00e9 papel do Estado construir alternativas que sejam amplas e complexas que ataquem o fen\u00f4meno por diversas perspectivas. O resultado implica a prote\u00e7\u00e3o da floresta, mas tamb\u00e9m a valoriza\u00e7\u00e3o das suas popula\u00e7\u00f5es, em especial dos povos tradicionais\u201d. Os convidados tamb\u00e9m reagiram \u00e0s quest\u00f5es colocadas pelos espectadores. Assista&nbsp;abaixo, na \u00edntegra, o debate, que est\u00e1 dispon\u00edvel no canal da ABCP no YouTube. Sobre os webin\u00e1rios Esta s\u00e9rie de webin\u00e1rios \u00e9 uma iniciativa da&nbsp;Brazilian Political Science Review&nbsp;(peri\u00f3dico da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ci\u00eancia Pol\u00edtica), que marca&nbsp;o lan\u00e7amento da nova se\u00e7\u00e3o no peri\u00f3dico: o&nbsp;BPSR&nbsp;Forum. Junto a artigos originais, avan\u00e7os de pesquisa, balan\u00e7os bibliogr\u00e1ficos e resenhas de livros, a&nbsp;BPSR F\u00f3rum&nbsp;veicula artigos dedicados ao diagn\u00f3stico de problemas do presente informados pelo conhecimento especializado de pesquisadoras e pesquisadores com trajet\u00f3rias de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento na \u00e1rea correspondente. &gt;&gt; Saiba mais sobre&nbsp;este projeto.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-297","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/297","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=297"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/297\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}