{"id":298,"date":"2021-02-08T14:30:13","date_gmt":"2021-02-08T14:30:13","guid":{"rendered":"https:\/\/tmp.cienciapolitica.org.br\/2021\/02\/08\/especial-abcp-vacinacao-contra-covid-19-brasil\/"},"modified":"2021-02-08T14:30:13","modified_gmt":"2021-02-08T14:30:13","slug":"especial-abcp-vacinacao-contra-covid-19-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/especial-abcp-vacinacao-contra-covid-19-brasil\/","title":{"rendered":"ESPECIAL ABCP: A vacina\u00e7\u00e3o contra COVID-19 no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>An\u00e1lise especial escrita pela pesquisadora Michelle Fernandez (UnB).<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p><strong>A vacina\u00e7\u00e3o contra COVID-19 no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Nome da&nbsp;autora&nbsp;e institui\u00e7\u00e3o a que est\u00e1 vinculada: Michelle Fernandez &#8211; Universidade de Bras\u00edlia (UnB)<\/p>\n<p>Titula\u00e7\u00e3o da&nbsp;autora e institui\u00e7\u00e3o em que a obteve: <span><span><span><span><span>Doutora em Ci\u00eancia Pol\u00edtica<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>* Por:&nbsp;Michelle Fernandez<\/strong><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Ao longo das \u00faltimas tr\u00eas&nbsp;d\u00e9cadas, o Brasil foi refer\u00eancia em vacina\u00e7\u00e3o para o mundo por meio da implementa\u00e7\u00e3o do seu Plano Nacional de Imuniza\u00e7\u00e3o (PNI). O PNI foi criado em 1973 e foi fortalecido ao longo dos anos, gra\u00e7as \u00e0&nbsp;implanta\u00e7\u00e3o do SUS nos anos 1990, conseguindo atingir coberturas superiores a 95% da popula\u00e7\u00e3o-alvo, num pa\u00eds continental e extremamente desigual.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>O PNI \u00e9 coordenado nacionalmente pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, mas sua execu\u00e7\u00e3o \u00e9 descentralizada e depende da atua\u00e7\u00e3o das secretarias municipais de sa\u00fade, com o apoio das secretarias estaduais de sa\u00fade. Boa parte da implementa\u00e7\u00e3o do PNI \u00e9 coordenada por equipes de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica e \u00e9 realizada no \u00e2mbito da Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria \u00e0 Sa\u00fade (APS) por meio das Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade (UBS) e das equipes da Estrat\u00e9gia Sa\u00fade da Fam\u00edlia (ESF). A coordena\u00e7\u00e3o do PNI pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a atua\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o municipal, o di\u00e1logo entre gest\u00e3o municipal e gest\u00e3o estadual e a expans\u00e3o do n\u00famero de equipes de sa\u00fade da fam\u00edlia, portanto, foram fatores centrais para a consolida\u00e7\u00e3o da alta efetividade do PNI e das campanhas nacionais de vacina\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>\u00c0 primeira vista, ter\u00edamos uma estrutura consolidada para a vacina\u00e7\u00e3o e, portanto, estar\u00edamos diante de uma conjuntura favor\u00e1vel para a imuniza\u00e7\u00e3o contra covid-19&nbsp;no Brasil. No entanto, depois de quase tr\u00eas&nbsp;semanas do inicio da campanha de vacina\u00e7\u00e3o, somente pouco mais de 1% da popula\u00e7\u00e3o foi vacinada. Mesmo se analisarmos apenas o primeiro grupo priorit\u00e1rio, menos da metade dos profissionais de sa\u00fade foram vacinados e cerca de 80% dos idosos ainda esperam por sua vez de receber a vacina. Por que estamos nessa situa\u00e7\u00e3o, mesmo com toda expertise que temos em vacina\u00e7\u00e3o?<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Em uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o ao problema, podemos afirmar que pelo menos tr\u00eas fatores dificultam a celeridade da vacina\u00e7\u00e3o no Brasil: pequeno n\u00famero de doses dispon\u00edveis; defici\u00eancia na implementa\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o que gera lentid\u00e3o na aplica\u00e7\u00e3o das doses que j\u00e1 est\u00e3o acess\u00edveis aos munic\u00edpios e ao Distrito Federal; e excessivo controle gerado pelos epis\u00f3dios de \u201cfura-fila\u201d no in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>O Brasil ficou para tr\u00e1s na corrida por doses de vacina contra covid-19. Diante de uma gest\u00e3o err\u00e1tica por parte do governo federal, deixamos de negociar a compra da vacina ainda em 2020. Al\u00e9m disso, em fun\u00e7\u00e3o do discurso do presidente da Rep\u00fablica, vivemos disputas diplom\u00e1ticas e colecionamos d\u00favidas sobre a aquisi\u00e7\u00e3o das vacinas. Em 5 de fevereiro de 2021, o Brasil tinha a sua disposi\u00e7\u00e3o apenas cerca de 11 milh\u00f5es de doses. O n\u00famero reduzido de doses inviabiliza a implementa\u00e7\u00e3o adequada de um plano de vacina\u00e7\u00e3o em um pa\u00eds com cerca de 220 milh\u00f5es de habitantes como o Brasil. Como a efic\u00e1cia de um plano de vacina\u00e7\u00e3o depende da imuniza\u00e7\u00e3o coletiva, vacinar apenas uma parcela da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o controla a pandemia.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Mas, como foi mencionado anteriormente, a lentid\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o no Brasil n\u00e3o se deve somente ao n\u00famero limitado de doses. Ainda que a vacina\u00e7\u00e3o contra covid-19&nbsp;j\u00e1 fosse um evento esperado, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, estados e munic\u00edpios n\u00e3o prepararam uma estrutura adequada para a vacina\u00e7\u00e3o. A APS continuou respons\u00e1vel por implementar o plano de vacina\u00e7\u00e3o contra o coronav\u00edrus em um momento de sobrecarga desse n\u00edvel de aten\u00e7\u00e3o, que atende, em sua demanda regular, pacientes com covid-19 e pacientes com s\u00edndrome p\u00f3s-covid. Isso, naturalmente, gera lentid\u00e3o no processo de imuniza\u00e7\u00e3o. Neste momento, \u00e9 fundamental criar uma estrutura paralela com profissionais de sa\u00fade treinados.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Por fim, a demora na vacina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi fomentada pelo excesso de controle gerado pelos epis\u00f3dios de \u201cfura-fila\u201d no in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o. Na chegada das vacinas aos munic\u00edpios, a sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio, emo\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a rapidamente deu lugar \u00e0 apreens\u00e3o. Por um lado, houve a dificuldade de estabelecer quem eram os priorit\u00e1rios dentro do grupo priorit\u00e1rio; por outro, houve uma s\u00e9rie&nbsp;de relatos de desvios de vacinas. Com as doses disponibilizadas, apenas uma pequena parcela do grupo priorit\u00e1rio seria vacinada e, em fun\u00e7\u00e3o disso, gerou-se um ambiente temer\u00e1rio frente a amea\u00e7a de uso inadequado das vacinas. Assim, nos primeiros dias de vacina\u00e7\u00e3o, foi registrado o uso das escassas doses em pessoas que n\u00e3o estavam no grupo priorit\u00e1rio. Desde ent\u00e3o, foi estabelecido um ambiente de maior controle das doses aplicadas, que acabou gerando uma menor celeridade no processo de vacina\u00e7\u00e3o em muitos munic\u00edpios.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>\u00c9 fundamental controlar a pandemia: evitar mais mortes, retomar atividades econ\u00f4micas de forma plena, minimizar as perdas na educa\u00e7\u00e3o, retomar minimamente a normalidade perdida. Para isso, precisamos investir em um processo de vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 que conte com vacina para todos e celeridade na aplica\u00e7\u00e3o das doses adquiridas. N\u00e3o podemos nos contentar com cerca de 2% da popula\u00e7\u00e3o vacinada nos estados num momento de subida da curva de casos e mortes na maior parte do pa\u00eds. Garantir a vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 salvar vidas.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>An\u00e1lise especial escrita pela pesquisadora Michelle Fernandez (UnB).<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-298","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=298"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/298\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}