{"id":303,"date":"2021-02-08T23:35:14","date_gmt":"2021-02-08T23:35:14","guid":{"rendered":"https:\/\/tmp.cienciapolitica.org.br\/2021\/02\/08\/especial-abcp-acoes-rio-grande-sul-enfrentamento-2\/"},"modified":"2021-02-08T23:35:14","modified_gmt":"2021-02-08T23:35:14","slug":"especial-abcp-acoes-rio-grande-sul-enfrentamento-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/especial-abcp-acoes-rio-grande-sul-enfrentamento-2\/","title":{"rendered":"ESPECIAL ABCP: As a\u00e7\u00f5es do Rio Grande do Sul no enfrentamento \u00e0 pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o sexto texto da 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o do especial &#8220;Os governos estaduais e as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia no Brasil&#8221;, publicado entre os dias 8 e 12 de fevereiro na p\u00e1gina da ABCP. Acompanhe!<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<h4><em>Este \u00e9 o sexto texto da 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o do especial &#8220;Os governos estaduais e as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia no Brasil&#8221;, publicado entre os dias 8 e 12 de fevereiro na p\u00e1gina da ABCP. Acompanhe!<\/em><\/h4>\n<h4><em>Para ler a an\u00e1lise sobre o Rio Grande do Sul&nbsp;publicada na \u00faltima&nbsp;edi\u00e7\u00e3o, clique&nbsp;<a href=\"https:\/\/tmp.cienciapolitica.org.br\/2020\/08\/24\/especial-abcp-acoes-rio-grande-sul-enfrentamento\/\">aqui<\/a>!<\/em><\/h4>\n<h4><em>Para ter acesso a todas&nbsp;as an\u00e1lises publicadas nesta 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o, clique&nbsp;<a href=\"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/projetos\/especial-abcp-5a-edicao-governos-estaduais-e-acoes\">aqui<\/a>!<\/em><\/h4>\n<hr \/>\n<p><strong><span><span><span><span><span><span>Rio Grande do Sul: das elei\u00e7\u00f5es em Porto Alegre ao come\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p>Nome do(a)&nbsp;autor(a): Rodrigo Mayer<\/p>\n<p>Institui\u00e7\u00f5es \u00e0s quais&nbsp;o&nbsp;autor&nbsp;est\u00e1&nbsp;vinculado:&nbsp;Universidade Estadual de Ponta Grossa<\/p>\n<p>Titula\u00e7\u00e3o:&nbsp;Doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul<\/p>\n<p>Regi\u00e3o:&nbsp;Sul<\/p>\n<p>Governador (Partido):&nbsp;Eduardo Leite (PSDB)<\/p>\n<p>Popula\u00e7\u00e3o:&nbsp;11,4 milh\u00f5es<\/p>\n<p>N\u00famero de munic\u00edpios:&nbsp;497<\/p>\n<p>Casos confirmados em 01\/02\/2021:&nbsp;<span><span><span><span><span>548.062<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00d3bitos confirmados em 01\/02\/2021:&nbsp;<span><span><span><span><span>10.715<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>Casos por 100 mil hab.:&nbsp;<span><span><span><span><span>4.817,2<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00d3bitos por 100 mil hab.:&nbsp;<span><span><span><span><span>94,2<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>Data de in\u00edcio do Plano de vacina\u00e7\u00e3o:&nbsp;18\/01\/2021<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/saude.rs.gov.br\/upload\/arquivos\/202101\/20161256-plano-estadual-de-vacinacao-contra-covid19-do-rs-atualizado-20012021-v1.pdf\">Acesse aqui o&nbsp;Plano de vacina\u00e7\u00e3o do estado<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>* Por:&nbsp;Rodrigo Mayer<\/strong><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>A campanha eleitoral de Porto Alegre foi marcada desde o come\u00e7o pela oposi\u00e7\u00e3o entre a candidatura de Manuela d\u2019\u00c1vila e a direita, inicialmente fragmentada. Isso n\u00e3o significa&nbsp;que n\u00e3o houvesse outras candidaturas de esquerda, mas sim que a candidata comunista despontou como o principal nome progressista. No campo conservador, a direita se dividiu em tr\u00eas candidaturas: a do prefeito Marchezan (PSDB), buscando a reelei\u00e7\u00e3o (mas com alta rejei\u00e7\u00e3o), a do ex-prefeito Jorge Fortunati (PTB) e a de Sebasti\u00e3o Melo (MDB), ex-vice de Fortunati.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>A fragmenta\u00e7\u00e3o da direita nas elei\u00e7\u00f5es foi resolvida ainda no primeiro turno, com&nbsp;Fortunati desistindo da candidatura devido \u00e0 impugna\u00e7\u00e3o da candidatura de seu vice, fato que beneficiou a candidatura de Melo. Este se&nbsp; posicionou como o principal competidor contra a esquerda e no segundo turno angariou apoio dos demais candidatos conservadores, do governador do Estado e do presidente da Rep\u00fablica.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Desde o inicio, a campanha eleitoral foi fortemente marcada pela grande quantidade de <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><em><span>fake news<\/span><\/em><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span> contra Manuela. As noticias falsas continuaram no segundo turno, demonstrando a baixa capacidade do TRE em lidar com elas de modo eficaz. Dentre as in\u00fameras <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><em><span>fake news<\/span><\/em><\/span><\/span><\/span><\/span><span><span><span><span><span><span> destaco duas: a primeira se deu com apoiadores de Melo percorrendo a cidade em um carro de som, falando que, se candidata comunista ganhasse, o munic\u00edpio se transformaria em uma Venezuela; a segunda foi a divulga\u00e7\u00e3o de uma pesquisa falsa na v\u00e9spera do segundo turno do pleito eleitoral.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia, os dois candidatos ocuparam polos opostos. Manuela defendeu o distanciamento social, cr\u00e9dito para micro e pequenas empresas e a compra de vacinas pelo munic\u00edpio. Melo se posicionou a favor da abertura do com\u00e9rcio e maior flexibiliza\u00e7\u00e3o dos protocolos, para que a economia pudesse reagir. O prefeito eleito tamb\u00e9m defendeu a compra da vacina por parte do munic\u00edpio, desde que o governo federal n\u00e3o comprasse. No entanto, o partid\u00e1rio do MDB defende que a mesma n\u00e3o seja obrigat\u00f3ria. Ao individualizar a vacina\u00e7\u00e3o, o prefeito eleito ignora que a mesma \u00e9 um pacto social para que a doen\u00e7a seja controlada.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Uma das primeiras medidas de Sebasti\u00e3o Melo como prefeito foi relaxar as medidas de controle da pandemia. O governante argumenta que o antigo prefeito se guiava mais pela pol\u00edtica do que pela ci\u00eancia, no entanto, neste primeiro m\u00eas intensificou a distribui\u00e7\u00e3o do chamado \u201ckit covid\u201d (hidroxicloroquina, cloroquina, ivermectina, azitromicina) defendido pelo governo federal (e n\u00e3o recomendado pelo governo estadual), na rede municipal de sa\u00fade. O kit, sem efic\u00e1cia comprovada e n\u00e3o recomendado pela SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), \u00e9 distribu\u00eddo conforme prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e assinatura de um termo de consentimento do paciente, que deve assumir os riscos.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>A distribui\u00e7\u00e3o dos rem\u00e9dios sem efic\u00e1cia contra a covid-19 consiste, em certa medida, em uma estrat\u00e9gia populista por parte do prefeito. Ele busca uma solu\u00e7\u00e3o simples \u2013 mesmo ineficaz \u2013 frente a um problema complexo que exige a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Ainda na quest\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas, a distribui\u00e7\u00e3o dos rem\u00e9dios do kit pode levar \u00e0 explos\u00e3o de problemas de sa\u00fade causados pelos efeitos colaterais dos rem\u00e9dios, tais como problemas hep\u00e1ticos, renais, card\u00edacos, aumento de resist\u00eancia de bact\u00e9rias, entre outros.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>O per\u00edodo ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es foi marcado pelo recrudescimento da pandemia no Rio Grande do Sul. No come\u00e7o de outubro, os indicadores de novas hospitaliza\u00e7\u00f5es e \u00f3bitos apresentaram melhorias, levando ao reaparecimento de regi\u00f5es classificadas com a bandeira amarela (baixo risco) no estado. Entretanto, j\u00e1 no final de outubro os indicadores voltaram a crescer e ocorreu o aumento de classifica\u00e7\u00f5es de risco alto (bandeira vermelha). Em 14 de dezembro foi atribu\u00edda bandeira preta para duas regi\u00f5es (Bag\u00e9 e Pelotas), por\u00e9m a classifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o indica a necessidade de lockdown, mas sim de maiores cuidados. Nas semanas seguintes, somente as bandeiras laranja e vermelha foram atribu\u00eddas.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"rs\" data-caption=\"&lt;strong&gt;Gr\u00e1fico 1 \u2013 N\u00famero de casos por Covid-19 no Rio Grande do Sul&lt;\/strong&gt;&lt;br \/&gt;\n&lt;br \/&gt;\nFonte:&amp;nbsp;Site da Secretaria de Sa\u00fade do Rio Grande do Sul, 2021\" data-entity-type=\"file\" data-entity-uuid=\"8533b2ce-a937-47f9-9961-ad96ca4591cb\" src=\"\/sites\/default\/files\/imagens\/wysiwyg\/rs-1_2.png\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"Gr\u00e1fico 2 \u2013 N\u00famero de \u00f3bitos por Covid-19 no Rio Grande do Sul  Fonte: Site da Secretaria de Sa\u00fade do Rio Grande do Sul, 2021.\" data-caption=\"&lt;strong&gt;Gr\u00e1fico 2 \u2013 N\u00famero de \u00f3bitos por Covid-19 no Rio Grande do Sul&lt;\/strong&gt;&lt;br \/&gt;\n&lt;br \/&gt;\nFonte: Site da Secretaria de Sa\u00fade do Rio Grande do Sul, 2021.\" data-entity-type=\"file\" data-entity-uuid=\"59a83f53-22d1-4c28-bec1-0732d730ebfb\" src=\"\/sites\/default\/files\/imagens\/wysiwyg\/rs-3.png\" \/><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>O crescimento do n\u00famero de casos \u00e9 consequ\u00eancia de uma serie de fatores. Primeiro, durante o per\u00edodo eleitoral houve um aumento de aglomera\u00e7\u00f5es causadas pelas campanhas. O segundo ponto foi a cont\u00ednua cess\u00e3o aos interesses econ\u00f4micos, \u00e0 medida que as pol\u00edticas de flexibiliza\u00e7\u00e3o concentraram-se na abertura do comercio sem estudos sobre medidas para mitigar a circula\u00e7\u00e3o das&nbsp;pessoas (hor\u00e1rios alternativos para diminuir as aglomera\u00e7\u00f5es no transporte coletivo, por exemplo). As festas de fim de ano tamb\u00e9m contribu\u00edram e seus efeitos podem estar ocultos devido \u00e0 circula\u00e7\u00e3o das pessoas entre estados e munic\u00edpios. Por fim, \u00e9 importante ver o impacto das novas muta\u00e7\u00f5es da covid-19 no aumento de casos e \u00f3bitos.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>Os modelos de distanciamento controlado s\u00e3o importantes para influenciar a ponta final da pandemia (n\u00famero de casos e interna\u00e7\u00f5es), mas, sem o complemento de pol\u00edticas de testagem em massa e pol\u00edticas p\u00fablicas para diminuir os efeitos econ\u00f4micos e sociais da pandemia, sua efic\u00e1cia \u00e9 incompleta.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>A aus\u00eancia de coordena\u00e7\u00e3o entre os n\u00edveis (sobretudo pela omiss\u00e3o e negacionismo do governo federal no combate \u00e0 pandemia) e a incapacidade dos estados de irem al\u00e9m de modelos de distanciamento controlado (que ao longo do tempo foram se tornando cada vez mais flex\u00edveis) levaram&nbsp;a uma situa\u00e7\u00e3o em que a espera por uma vacina se tornou a principal pol\u00edtica.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>O maior desafio do pa\u00eds est\u00e1 em como lidar com a falta do imunizante. A demora e a resist\u00eancia do governo federal em adquirir vacinas, aliada \u00e0 pol\u00edtica de desindustrializa\u00e7\u00e3o e diminui\u00e7\u00e3o do investimento em ci\u00eancia e tecnologia (tanto no n\u00edvel federal quanto no estadual), levou ao aumento da depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00fastria farmac\u00eautica estrangeira e dificultou a cria\u00e7\u00e3o de uma vacina nacional.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span><span><span><span>At\u00e9 o dia 29 de janeiro o Rio Grande do Sul havia recebido um pouco mais de 511 mil doses de imunizantes e vacinado aproximadamente 145 mil cidad\u00e3os, a grande maioria dos profissionais da sa\u00fade e idosos institucionalizados. No entanto, n\u00e3o basta apenas come\u00e7ar a vacina\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso formular pol\u00edticas para que a mesma seja efetiva, al\u00e9m de formular pol\u00edticas p\u00fablicas para lidar com a pandemia durante o processo, de modo a evitar o aumento de aglomera\u00e7\u00f5es e de cont\u00e1gios.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o sexto texto da 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o do especial &#8220;Os governos estaduais e as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento \u00e0 pandemia no Brasil&#8221;, publicado entre os dias 8 e 12 de fevereiro na p\u00e1gina da ABCP. 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