{"id":3574,"date":"2025-10-07T18:19:51","date_gmt":"2025-10-07T18:19:51","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/?p=3574"},"modified":"2025-10-08T15:11:47","modified_gmt":"2025-10-08T15:11:47","slug":"nota-quem-analisa-as-eleicoes-de-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/nota-quem-analisa-as-eleicoes-de-2026\/","title":{"rendered":"Nota: Quem analisa as Elei\u00e7\u00f5es de 2026?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-1089a4117b5a83122f3507b6bf7e4cdd\">O Grupo Globo lan\u00e7ou, nesta semana, uma publica\u00e7\u00e3o intitulada \u201cQUEM SER\u00c1 O PR\u00d3XIMO PRESIDENTE? O QUE VAI DECIDIR A ELEI\u00c7\u00c3O DE 2026, SEGUNDO ESTRATEGISTAS QUE DEFINEM OS RUMOS DA POL\u00cdTICA NO PA\u00cdS\u201d, organizada pelo jornalista Thiago Prado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-88276a4fb5bd8ba334c352f2d1390128\">O e-book compila entrevistas, antes publicadas no jornal<em> O Globo<\/em>,de doze profissionais que lidam com opini\u00e3o p\u00fablica e marketing pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-61ce236f918e2dbd4d98fa7441bc6239\">A tem\u00e1tica, sem d\u00favida, \u00e9 extremamente relevante pois trata de um pleito de car\u00e1ter nacional e em uma sociedade que experimenta um processo intenso de disputa pol\u00edtica. Muitas s\u00e3o as incertezas e, certamente, as inquieta\u00e7\u00f5es com os resultados vindouros de um processo eleitoral percebido como crucial para a defini\u00e7\u00e3o da via a ser seguida pelo Brasil nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-88ed8677bc4f3409b78971e8b99e4a7a\">Para 2026, os assentos ser\u00e3o estrategicamente disputados, entre eles, mais notavelmente, a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Mas h\u00e1, em especial, um olhar atento para o Senado Federal, sobre o qual vem sendo travada uma batalha, por vezes silenciosa, por vezes ruidosa. Nas elei\u00e7\u00f5es para o Senado est\u00e3o as expectativas quanto \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um corpo pol\u00edtico que responda \u00e0s futuras disputas de agendas relevantes para o pa\u00eds. Em um limite, como pano de fundo das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, est\u00e3o depositados (como h\u00e1 muito tempo n\u00e3o se via) os rumos do projeto democr\u00e1tico no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-259635e4ce69f61e18b6343f87680bf8\">Diante disso, n\u00e3o podemos deixar de nos surpreender que entre os 12 especialistas escolhidos para comentar sobre a pol\u00edtica institucional brasileira, n\u00e3o haja uma mulher sequer e que o predom\u00ednio seja de pessoas brancas. Uma sele\u00e7\u00e3o que expressa uma leitura do processo eleitoral que n\u00e3o traduz a relev\u00e2ncia do g\u00eanero e da ra\u00e7a como marcadores sociais relevantes para o fazer pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-54b4ce96f55be91119b7f0d4777e1168\">Esta observa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mera reivindica\u00e7\u00e3o por representatividade num\u00e9rica. Trata-se de produzir uma leitura pol\u00edtica mais complexa, diversificada e coerente com o atual cen\u00e1rio pol\u00edtico, pois vejamos: por um lado, apesar do advento da lei de cotas para mulheres em 1995 e sua posterior expans\u00e3o em 1997, nunca chegamos aos 30% de eleitas. De maneira geral, o Brasil apresenta, historicamente, um d\u00e9ficit de participa\u00e7\u00e3o de mulheres, negros e ind\u00edgenas na pol\u00edtica institucional; e, em uma popula\u00e7\u00e3o na qual negros e negras comp\u00f5em mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o, s\u00e3o hoje apenas 24% dos deputados federais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-84949136b9f51a56a4d5fb82b9aa78c1\">Contudo, por outro lado, pesquisas realizadas pela cientista pol\u00edtica Juliana Marques apontam para um consistente crescimento de votos em pessoas negras, mulheres e mulheres negras, em especial, que, em 2020, receberam 32% a mais de votos que os verificados na elei\u00e7\u00e3o de 2016. Um aumento bastante significativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-b13f93b17a3045ed8c81035dc529c7b7\">E, justamente por estas raz\u00f5es, os pontos de vista de mulheres e pessoas negras deveriam ser relevantes para explicar o atual cen\u00e1rio de disputa pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-7489e1846c6979c763b6b3defaa124c6\">Neste cen\u00e1rio, o papel da imprensa deve ser o de ouvir m\u00faltiplas fontes, com pontos de vista diferenciados, o que pressup\u00f5e trajet\u00f3rias de vidas distintas \u2013 como as que t\u00eam mulheres, negros e ind\u00edgenas, especialmente para este caso, quando se trata da leitura pol\u00edtica para um pa\u00eds como o Brasil que v\u00ea crescer o peso do g\u00eanero e da ra\u00e7a nos processos eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-d0c1268950f7a3b8ee136e3949c4a542\">E n\u00e3o se trata de falta de profissionais qualificados para tal tarefa: a Rede de Polit\u00f3logas Latino-Americanas t\u00eam buscado, por diferentes iniciativas, promover a visibilidade de mulheres na Ci\u00eancia Pol\u00edtica, listando especialistas de diferentes \u00e1reas como fontes para mat\u00e9rias. Da mesma forma, manuais de jornalismo com perspectiva de g\u00eanero recomendam aos profissionais da imprensa que sempre se perguntem se, caso tenham apenas fontes masculinas, n\u00e3o haveria uma mulher que poderia comentar o mesmo assunto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-f4d0b9818deb2fb6f61aa45aba232b56\">No mesmo caminho, institui\u00e7\u00f5es como Mulheres Negras Decidem t\u00eam divulgado frequentemente o nome de mulheres negras especialistas, tanto para a ocupa\u00e7\u00e3o de cargos na pol\u00edtica institucional (como visto na campanha para a escolha de uma Ministra negra para o STF), como para a produ\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-4f0a05ffdb1aa55bcaa0bab6b5caed32\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel compreender a realidade brasileira sem buscar como fonte aqueles e aquelas que representam a maioria da popula\u00e7\u00e3o. Certamente, como expressa o desejo do autor na introdu\u00e7\u00e3o do livro, se houvesse mais variedade de especialistas, ter\u00edamos ainda mais \u201cdiagn\u00f3sticos e progn\u00f3sticos\u201d diferentes e a publica\u00e7\u00e3o s\u00f3 ganharia em diversidade e qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-083ca2daf12bb13abe898064661b34a0\">Desta forma, lamentamos que um e-book com assunto t\u00e3o relevante seja, no entanto, t\u00e3o restrito em suas perspectivas; e que insista em reprisar o passado, quando poderia olhar para o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-7a3a0c8d9cfbebfd8df8f326ee6da9d2\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ci\u00eancia Pol\u00edtica<br>Com apoio do Comit\u00ea de G\u00eanero, Ra\u00e7a e Diversidade da Associa\u00e7\u00e3o<br>Assinam: <em>Andrea Lopes da Costa<\/em> (UNIRIO) e <em>Ma\u00edra Kub\u00edk Mano<\/em> (UFBA)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-2a487ba8e4d13404933abe867f7432e4\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden class=\"wp-block-file__embed\" data=\"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ABCP_Nota-O-Globo_out-2025.pdf\" type=\"application\/pdf\" style=\"width:100%;height:600px\" aria-label=\"Incorporado de ABCP_Nota O Globo_out 2025.\"><\/object><a id=\"wp-block-file--media-09e9c1bf-d5e5-430e-9733-78477bb094b3\" href=\"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ABCP_Nota-O-Globo_out-2025.pdf\">ABCP_Nota O Globo_out 2025<\/a><a href=\"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ABCP_Nota-O-Globo_out-2025.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-09e9c1bf-d5e5-430e-9733-78477bb094b3\">Baixar<\/a><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Grupo Globo lan\u00e7ou, nesta semana, uma publica\u00e7\u00e3o intitulada \u201cQUEM SER\u00c1 O PR\u00d3XIMO PRESIDENTE? 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Mas h\u00e1, em especial, um olhar atento para o Senado Federal, sobre o qual vem sendo travada uma batalha, por vezes silenciosa, por vezes ruidosa. Nas elei\u00e7\u00f5es para o Senado est\u00e3o as expectativas quanto \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um corpo pol\u00edtico que responda \u00e0s futuras disputas de agendas relevantes para o pa\u00eds. Em um limite, como pano de fundo das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, est\u00e3o depositados (como h\u00e1 muito tempo n\u00e3o se via) os rumos do projeto democr\u00e1tico no Brasil. Diante disso, n\u00e3o podemos deixar de nos surpreender que entre os 12 especialistas escolhidos para comentar sobre a pol\u00edtica institucional brasileira, n\u00e3o haja uma mulher sequer e que o predom\u00ednio seja de pessoas brancas. Uma sele\u00e7\u00e3o que expressa uma leitura do processo eleitoral que n\u00e3o traduz a relev\u00e2ncia do g\u00eanero e da ra\u00e7a como marcadores sociais relevantes para o fazer pol\u00edtico. Esta observa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mera reivindica\u00e7\u00e3o por representatividade num\u00e9rica. Trata-se de produzir uma leitura pol\u00edtica mais complexa, diversificada e coerente com o atual cen\u00e1rio pol\u00edtico, pois vejamos: por um lado, apesar do advento da lei de cotas para mulheres em 1995 e sua posterior expans\u00e3o em 1997, nunca chegamos aos 30% de eleitas. De maneira geral, o Brasil apresenta, historicamente, um d\u00e9ficit de participa\u00e7\u00e3o de mulheres, negros e ind\u00edgenas na pol\u00edtica institucional; e, em uma popula\u00e7\u00e3o na qual negros e negras comp\u00f5em mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o, s\u00e3o hoje apenas 24% dos deputados federais. Contudo, por outro lado, pesquisas realizadas pela cientista pol\u00edtica Juliana Marques apontam para um consistente crescimento de votos em pessoas negras, mulheres e mulheres negras, em especial, que, em 2020, receberam 32% a mais de votos que os verificados na elei\u00e7\u00e3o de 2016. Um aumento bastante significativo. E, justamente por estas raz\u00f5es, os pontos de vista de mulheres e pessoas negras deveriam ser relevantes para explicar o atual cen\u00e1rio de disputa pol\u00edtica. Neste cen\u00e1rio, o papel da imprensa deve ser o de ouvir m\u00faltiplas fontes, com pontos de vista diferenciados, o que pressup\u00f5e trajet\u00f3rias de vidas distintas \u2013 como as que t\u00eam mulheres, negros e ind\u00edgenas, especialmente para este caso, quando se trata da leitura pol\u00edtica para um pa\u00eds como o Brasil que v\u00ea crescer o peso do g\u00eanero e da ra\u00e7a nos processos eleitorais. E n\u00e3o se trata de falta de profissionais qualificados para tal tarefa: a Rede de Polit\u00f3logas Latino-Americanas t\u00eam buscado, por diferentes iniciativas, promover a visibilidade de mulheres na Ci\u00eancia Pol\u00edtica, listando especialistas de diferentes \u00e1reas como fontes para mat\u00e9rias. Da mesma forma, manuais de jornalismo com perspectiva de g\u00eanero recomendam aos profissionais da imprensa que sempre se perguntem se, caso tenham apenas fontes masculinas, n\u00e3o haveria uma mulher que poderia comentar o mesmo assunto. No mesmo caminho, institui\u00e7\u00f5es como Mulheres Negras Decidem t\u00eam divulgado frequentemente o nome de mulheres negras especialistas, tanto para a ocupa\u00e7\u00e3o de cargos na pol\u00edtica institucional (como visto na campanha para a escolha de uma Ministra negra para o STF), como para a produ\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises pol\u00edticas. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel compreender a realidade brasileira sem buscar como fonte aqueles e aquelas que representam a maioria da popula\u00e7\u00e3o. Certamente, como expressa o desejo do autor na introdu\u00e7\u00e3o do livro, se houvesse mais variedade de especialistas, ter\u00edamos ainda mais \u201cdiagn\u00f3sticos e progn\u00f3sticos\u201d diferentes e a publica\u00e7\u00e3o s\u00f3 ganharia em diversidade e qualidade. Desta forma, lamentamos que um e-book com assunto t\u00e3o relevante seja, no entanto, t\u00e3o restrito em suas perspectivas; e que insista em reprisar o passado, quando poderia olhar para o futuro. Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ci\u00eancia Pol\u00edticaCom apoio do Comit\u00ea de G\u00eanero, Ra\u00e7a e Diversidade da Associa\u00e7\u00e3oAssinam: Andrea Lopes da Costa (UNIRIO) e Ma\u00edra Kub\u00edk Mano (UFBA)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-3574","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3574","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3574"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3574\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3580,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3574\/revisions\/3580"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}