{"id":3757,"date":"2026-06-02T18:44:52","date_gmt":"2026-06-02T18:44:52","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/?p=3757"},"modified":"2026-06-02T18:44:52","modified_gmt":"2026-06-02T18:44:52","slug":"nota-de-posicionamento-conjunta-em-defesa-da-soberania-nacional-na-conducao-da-politica-brasileira-de-seguranca-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/nota-de-posicionamento-conjunta-em-defesa-da-soberania-nacional-na-conducao-da-politica-brasileira-de-seguranca-publica\/","title":{"rendered":"NOTA DE POSICIONAMENTO CONJUNTA &#8211; Em defesa da soberania nacional na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica brasileira de seguran\u00e7a p\u00fablica"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-f79c709896c2225f109ef8ef0a185a1a\">As entidades signat\u00e1rias, comprometidas com a ci\u00eancia, a democracia, o Estado de Direito e a soberania nacional, v\u00eam a p\u00fablico manifestar preocupa\u00e7\u00e3o com a decis\u00e3o do governo dos Estados Unidos, anunciada em 28 de maio, de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organiza\u00e7\u00f5es terroristas com base em sua legisla\u00e7\u00e3o interna, com efeitos previstos a partir de 5 de junho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-4643ddbf0a0a2133757e31b61232b538\">Reafirmamos, sem qualquer ressalva, que o Comando Vermelho, o Primeiro Comando da Capital e demais organiza\u00e7\u00f5es criminosas representam grave amea\u00e7a \u00e0 vida, aos direitos e \u00e0 dignidade de milh\u00f5es de brasileiros. Seu enfrentamento firme, permanente e fundamentado em evid\u00eancias constitui dever inafast\u00e1vel do Estado brasileiro. N\u00e3o est\u00e1 em debate a necessidade desse combate, mas sim a preserva\u00e7\u00e3o da soberania nacional na defini\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias, categorias jur\u00eddicas e instrumentos adequados para realiz\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-a9c0e0dfeded488c07ffbe64f96d9f3b\">Entendemos que a classifica\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es brasileiras, que atuam predominantemente em territ\u00f3rio nacional, por um Estado estrangeiro e segundo categorias definidas por sua pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o, suscita importantes quest\u00f5es relativas \u00e0 autonomia decis\u00f3ria e \u00e0 soberania do Brasil. Cabe lembrar que o tema da eventual equipara\u00e7\u00e3o dessas fac\u00e7\u00f5es a organiza\u00e7\u00f5es terroristas j\u00e1 foi objeto de debate no \u00e2mbito das institui\u00e7\u00f5es brasileiras competentes, refletindo escolhas pol\u00edticas e jur\u00eddicas realizadas segundo os mecanismos democr\u00e1ticos previstos na Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-e063fcfd0ff1cedabd0339b999b45065\">O contexto internacional recomenda aten\u00e7\u00e3o. Desde o in\u00edcio de 2025, o governo dos Estados Unidos tem ampliado a aplica\u00e7\u00e3o da classifica\u00e7\u00e3o de \u201corganiza\u00e7\u00e3o terrorista\u201d a grupos criminosos atuantes em diferentes pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Diversos governos da regi\u00e3o manifestaram preocupa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 soberania nacional e \u00e0 necessidade de consulta e coordena\u00e7\u00e3o entre Estados. A experi\u00eancia recente demonstra que decis\u00f5es dessa natureza podem produzir efeitos diplom\u00e1ticos, jur\u00eddicos e operacionais que transcendem as fronteiras do pa\u00eds que as adota, raz\u00e3o pela qual merecem acompanhamento cuidadoso por parte das institui\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-bc5f9ee2aa5306a632552a64c0ec4a63\">Tamb\u00e9m \u00e9 importante reconhecer que terrorismo e crime organizado constituem fen\u00f4menos distintos sob a perspectiva do direito, das ci\u00eancias sociais e da criminologia. Embora ambos demandem resposta firme do poder p\u00fablico, suas motiva\u00e7\u00f5es, formas de atua\u00e7\u00e3o e enquadramentos jur\u00eddicos n\u00e3o s\u00e3o necessariamente equivalentes. O Brasil disp\u00f5e de instrumentos legais robustos para combater organiza\u00e7\u00f5es criminosas, incluindo mecanismos voltados ao enfrentamento da lavagem de dinheiro, do tr\u00e1fico de armas e das estruturas financeiras que sustentam essas atividades il\u00edcitas. A defini\u00e7\u00e3o das categorias jur\u00eddicas aplic\u00e1veis a tais grupos deve permanecer sob a responsabilidade das institui\u00e7\u00f5es brasileiras competentes, com base no ordenamento jur\u00eddico nacional e no conhecimento produzido por universidades e centros de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-718532c33471ca5ce04cfe213595ea84\">Manifestamos igualmente preocupa\u00e7\u00e3o com tentativas de instrumentaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-eleitoral de decis\u00f5es tomadas por governos estrangeiros. A seguran\u00e7a p\u00fablica e a soberania nacional s\u00e3o temas de interesse permanente do Estado brasileiro e n\u00e3o devem ser apropriados por disputas eleitorais nem utilizados como instrumentos de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A defesa das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas exige que decis\u00f5es dessa natureza sejam analisadas com responsabilidade, transpar\u00eancia e compromisso com o interesse p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-215acc17e29912bac35780d8246fee4b\">Registramos, por fim, preocupa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da comunidade cient\u00edfica. A classifica\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es como terroristas pode produzir efeitos indiretos sobre atividades acad\u00eamicas e de pesquisa, especialmente em raz\u00e3o de normas relativas ao chamado \u201capoio material\u201d e de mecanismos de san\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias que frequentemente levam institui\u00e7\u00f5es financeiras e parceiros internacionais a adotar medidas de cautela ampliadas. Em determinadas circunst\u00e2ncias, tais efeitos podem impactar pagamentos, bolsas, colabora\u00e7\u00f5es cient\u00edficas internacionais e pesquisas relacionadas \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica e aos territ\u00f3rios afetados pela criminalidade organizada. Trata-se de quest\u00e3o que merece monitoramento atento por parte das institui\u00e7\u00f5es de ci\u00eancia e tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-3f10c3797f8ff55e96be923f723fb5eb\">A coopera\u00e7\u00e3o internacional no enfrentamento ao crime transnacional \u00e9 necess\u00e1ria e desej\u00e1vel. Entretanto, ela deve ocorrer entre Estados soberanos, em bases rec\u00edprocas, transparentes e compat\u00edveis com o direito internacional e com o princ\u00edpio da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos. Coopera\u00e7\u00e3o n\u00e3o implica subordina\u00e7\u00e3o. O Brasil deve permanecer como protagonista das decis\u00f5es relativas \u00e0 sua seguran\u00e7a p\u00fablica e \u00e0s pol\u00edticas destinadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-616d52de7c85db2dcf7b78ad40848684\">Diante do exposto, conclamamos as autoridades brasileiras a conduzirem o tema pelas vias diplom\u00e1ticas, jur\u00eddicas e institucionais apropriadas, preservando as prerrogativas das institui\u00e7\u00f5es nacionais e assegurando que toda coopera\u00e7\u00e3o internacional ocorra em bases de respeito m\u00fatuo e reciprocidade. Conclamamos igualmente a sociedade brasileira a defender a soberania nacional, a democracia, o conhecimento cient\u00edfico e o fortalecimento das institui\u00e7\u00f5es republicanas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-32b3b006a9130e9806fda1d3aeb93ce7\">29 de maio de 2026<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-a7c83132e045139cd0e2047474e00fdc\">Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-bc79d086455df0d93418895b42cbb515\">Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-0624147458aa95edd99bad8fe5e2a116\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ci\u00eancia Pol\u00edtica (ABCP)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-8f7b75b56042cecf8f19f33d3f0cd63c\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos da Defesa (ABED)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-bc74ae4b451cf1bba5a6f78b86c679a7\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Antropologia (ABA)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-33e1a01803674181f7d19f18c0f13367\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-f1ea31678b7ec906066679bf73c09cf9\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (ABRI)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-0533d26ba7e5b1e947c0a3b6a78c53be\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-0e77f56e1f62736b9036a5a20ae3a2c3\">Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Ci\u00eancias Sociais (ANPOCS)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-8ec407d6f1b8835b8b8956b985ea8833\">Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Educa\u00e7\u00e3o (ANPEd)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-9cc9b7bc89bc98745e8b32037b3cf6e3\">F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-d8e29f19cfbed1b61a20423c886c650b\">Sociedade Brasileira de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica (SBAP)Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden class=\"wp-block-file__embed\" data=\"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Of.-SBPC-085-Nota-Conjunta-Posicionamento-Soberania-2.pdf\" type=\"application\/pdf\" style=\"width:100%;height:620px\" aria-label=\"Incorporado de Of. SBPC 085 - Nota Conjunta - Posicionamento Soberania-2.\"><\/object><a id=\"wp-block-file--media-33670571-a01b-445c-9006-59ade420a7f2\" href=\"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Of.-SBPC-085-Nota-Conjunta-Posicionamento-Soberania-2.pdf\">Of. 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Reafirmamos, sem qualquer ressalva, que o Comando Vermelho, o Primeiro Comando da Capital e demais organiza\u00e7\u00f5es criminosas representam grave amea\u00e7a \u00e0 vida, aos direitos e \u00e0 dignidade de milh\u00f5es de brasileiros. Seu enfrentamento firme, permanente e fundamentado em evid\u00eancias constitui dever inafast\u00e1vel do Estado brasileiro. N\u00e3o est\u00e1 em debate a necessidade desse combate, mas sim a preserva\u00e7\u00e3o da soberania nacional na defini\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias, categorias jur\u00eddicas e instrumentos adequados para realiz\u00e1-lo. Entendemos que a classifica\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es brasileiras, que atuam predominantemente em territ\u00f3rio nacional, por um Estado estrangeiro e segundo categorias definidas por sua pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o, suscita importantes quest\u00f5es relativas \u00e0 autonomia decis\u00f3ria e \u00e0 soberania do Brasil. Cabe lembrar que o tema da eventual equipara\u00e7\u00e3o dessas fac\u00e7\u00f5es a organiza\u00e7\u00f5es terroristas j\u00e1 foi objeto de debate no \u00e2mbito das institui\u00e7\u00f5es brasileiras competentes, refletindo escolhas pol\u00edticas e jur\u00eddicas realizadas segundo os mecanismos democr\u00e1ticos previstos na Constitui\u00e7\u00e3o. O contexto internacional recomenda aten\u00e7\u00e3o. Desde o in\u00edcio de 2025, o governo dos Estados Unidos tem ampliado a aplica\u00e7\u00e3o da classifica\u00e7\u00e3o de \u201corganiza\u00e7\u00e3o terrorista\u201d a grupos criminosos atuantes em diferentes pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Diversos governos da regi\u00e3o manifestaram preocupa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 soberania nacional e \u00e0 necessidade de consulta e coordena\u00e7\u00e3o entre Estados. A experi\u00eancia recente demonstra que decis\u00f5es dessa natureza podem produzir efeitos diplom\u00e1ticos, jur\u00eddicos e operacionais que transcendem as fronteiras do pa\u00eds que as adota, raz\u00e3o pela qual merecem acompanhamento cuidadoso por parte das institui\u00e7\u00f5es brasileiras. Tamb\u00e9m \u00e9 importante reconhecer que terrorismo e crime organizado constituem fen\u00f4menos distintos sob a perspectiva do direito, das ci\u00eancias sociais e da criminologia. Embora ambos demandem resposta firme do poder p\u00fablico, suas motiva\u00e7\u00f5es, formas de atua\u00e7\u00e3o e enquadramentos jur\u00eddicos n\u00e3o s\u00e3o necessariamente equivalentes. O Brasil disp\u00f5e de instrumentos legais robustos para combater organiza\u00e7\u00f5es criminosas, incluindo mecanismos voltados ao enfrentamento da lavagem de dinheiro, do tr\u00e1fico de armas e das estruturas financeiras que sustentam essas atividades il\u00edcitas. A defini\u00e7\u00e3o das categorias jur\u00eddicas aplic\u00e1veis a tais grupos deve permanecer sob a responsabilidade das institui\u00e7\u00f5es brasileiras competentes, com base no ordenamento jur\u00eddico nacional e no conhecimento produzido por universidades e centros de pesquisa. Manifestamos igualmente preocupa\u00e7\u00e3o com tentativas de instrumentaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-eleitoral de decis\u00f5es tomadas por governos estrangeiros. A seguran\u00e7a p\u00fablica e a soberania nacional s\u00e3o temas de interesse permanente do Estado brasileiro e n\u00e3o devem ser apropriados por disputas eleitorais nem utilizados como instrumentos de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A defesa das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas exige que decis\u00f5es dessa natureza sejam analisadas com responsabilidade, transpar\u00eancia e compromisso com o interesse p\u00fablico. Registramos, por fim, preocupa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da comunidade cient\u00edfica. A classifica\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es como terroristas pode produzir efeitos indiretos sobre atividades acad\u00eamicas e de pesquisa, especialmente em raz\u00e3o de normas relativas ao chamado \u201capoio material\u201d e de mecanismos de san\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias que frequentemente levam institui\u00e7\u00f5es financeiras e parceiros internacionais a adotar medidas de cautela ampliadas. Em determinadas circunst\u00e2ncias, tais efeitos podem impactar pagamentos, bolsas, colabora\u00e7\u00f5es cient\u00edficas internacionais e pesquisas relacionadas \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica e aos territ\u00f3rios afetados pela criminalidade organizada. Trata-se de quest\u00e3o que merece monitoramento atento por parte das institui\u00e7\u00f5es de ci\u00eancia e tecnologia. A coopera\u00e7\u00e3o internacional no enfrentamento ao crime transnacional \u00e9 necess\u00e1ria e desej\u00e1vel. Entretanto, ela deve ocorrer entre Estados soberanos, em bases rec\u00edprocas, transparentes e compat\u00edveis com o direito internacional e com o princ\u00edpio da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos. Coopera\u00e7\u00e3o n\u00e3o implica subordina\u00e7\u00e3o. O Brasil deve permanecer como protagonista das decis\u00f5es relativas \u00e0 sua seguran\u00e7a p\u00fablica e \u00e0s pol\u00edticas destinadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de sua popula\u00e7\u00e3o. Diante do exposto, conclamamos as autoridades brasileiras a conduzirem o tema pelas vias diplom\u00e1ticas, jur\u00eddicas e institucionais apropriadas, preservando as prerrogativas das institui\u00e7\u00f5es nacionais e assegurando que toda coopera\u00e7\u00e3o internacional ocorra em bases de respeito m\u00fatuo e reciprocidade. Conclamamos igualmente a sociedade brasileira a defender a soberania nacional, a democracia, o conhecimento cient\u00edfico e o fortalecimento das institui\u00e7\u00f5es republicanas. 29 de maio de 2026 Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC) Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC) Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ci\u00eancia Pol\u00edtica (ABCP) Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos da Defesa (ABED) Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Antropologia (ABA) Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP) Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (ABRI) Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco) Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Ci\u00eancias Sociais (ANPOCS) Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Educa\u00e7\u00e3o (ANPEd) F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP) Sociedade Brasileira de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica (SBAP)Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-3757","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3757","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3757"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3757\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3759,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3757\/revisions\/3759"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/web\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}