O relatório “Gender Inequalities in Political Science”, publicado em julho de 2025 pela Associação Internacional de Ciência Política (IPSA), apresenta um retrato detalhado das desigualdades de gênero no campo da ciência política. Com base em uma pesquisa realizada com mais de 1.200 respondentes de 88 países, o estudo revela como barreiras estruturais afetam especialmente mulheres e pessoas LGBTQ+ em diferentes estágios da carreira acadêmica.
Entre os principais achados, destacam-se:
- Barreiras persistentes à progressão na carreira e liderança acadêmica: mulheres relataram, em todas as regiões, maiores obstáculos que os homens para alcançar cargos de liderança e reconhecimento intelectual.
- Impacto da maternidade: a parentalidade afeta negativamente a trajetória profissional das mulheres, enquanto homens relatam pouco ou nenhum impacto.
- Assédio e má conduta profissional: mulheres relataram experiências significativamente mais frequentes de assédio moral e sexual, além da apropriação indevida de suas ideias e trabalhos.
- Falta de apoio institucional: a maioria das vítimas de assédio ou abuso não recebe suporte adequado de suas instituições, muitas vezes por medo de retaliação.
- Desigualdades interseccionais: pessoas negras, asiáticas, indígenas e LGBTQ+ também enfrentam marginalização e exclusão simbólica em suas trajetórias acadêmicas.
O relatório enfatiza que tais desigualdades se manifestam desde os anos de pós-graduação e se intensificam ao longo da carreira, exigindo ações institucionais coordenadas e sensíveis às particularidades regionais para promover um ambiente acadêmico mais equitativo.
Acesse o relatório completo (em inglês) em: https://www.ipsa.org/sites/default/files/2025-07/IPSA_Gender-Report_HiRes.pdf